BC restringiu operações do BRB antes da liquidação do Banco Master

Medida preventiva determinou suspensão de novas aquisições e exigiu plano para revisar ativos ligados às operações entre as instituições.

Da
Redação
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Medida do Banco Central determinou restrições operacionais e um plano de revisão de ativos para o BRB.Divulgação
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O Banco Central impôs, em outubro de 2025, uma medida prudencial preventiva ao Banco de Brasília (BRB), com restrições a novas aquisições de ativos e exigência de um plano para tratar situações identificadas nas operações com o Banco Master. A decisão ocorreu cerca de um mês antes da liquidação do Banco Master, segundo documento técnico citado no material.

A autoridade monetária buscou preservar a solidez do BRB, a estabilidade e o funcionamento do Sistema Financeiro Nacional. Além da suspensão de determinadas operações, o banco regional teve de reforçar controles de liquidez, conciliar ativos já internalizados e apresentar relatórios periódicos sobre o plano de ação.

BC limita novas aquisições do BRB

A medida determinou que o BRB suspendesse a aquisição de ativos financeiros, carteiras de crédito e outros ativos de crédito nas operações com liquidação financeira efetiva. A restrição também alcançou trocas de ativos que gerassem retorno financeiro adicional para o banco.

Entre os exemplos listados na decisão estão títulos privados, cotas de fundos de investimento e títulos de renda variável. Dessa forma, o Banco Central buscou conter a ampliação de exposições enquanto o BRB avaliava operações já realizadas.

O documento também exigiu critérios mais rigorosos para depósitos interbancários na posição credora. O BRB deveria definir limites individuais compatíveis com a avaliação de risco de cada contraparte.

Plano exige revisão de ativos

O BRB recebeu prazo de 30 dias para apresentar um plano de solução das situações apontadas pela supervisão. O plano deveria detalhar atividades, prazos e procedimentos de conciliação e validação dos ativos internalizados.

A conclusão das medidas previstas poderia levar até seis meses. Além disso, o banco teria de produzir relatórios bimestrais para acompanhar a execução do plano e a validação do valor justo dos ativos adquiridos.

Na avaliação da área técnica, a iniciativa permitiria ao BRB examinar os ativos que já haviam sido incorporados. Também serviria para aprimorar os controles internos, recompor o colchão de liquidez e reforçar a avaliação sobre necessidade de capital.

Parecer aponta riscos nas operações

A área técnica do Departamento de Supervisão Bancária apontou crescimento acelerado das operações entre Banco Master e BRB a partir do segundo semestre de 2024. Segundo o parecer, o avanço ocorreu sem análise criteriosa suficiente sobre a qualidade dos ativos adquiridos.

O documento afirmou que essa dinâmica levou o BRB a realizar sucessivas substituições de ativos. Ao mesmo tempo, a supervisão relatou dificuldades para internalizar as carteiras adquiridas, com efeitos sobre controles internos e governança.

A nota técnica ainda associou essas dificuldades ao risco de liquidação para o banco. O Banco Master foi identificado como o principal cedente nas operações analisadas.

Índice de Basileia entra em foco

O parecer técnico informou que o apetite por aquisições pressionou limites operacionais do BRB. Como consequência, houve desenquadramento do índice de Basileia em janeiro e fevereiro de 2025, de acordo com o documento.

A área técnica sustentou que o BRB fez registros contábeis sem respaldo documental para evitar o desenquadramento. A referência seria um contrato de venda da participação societária da BRB Financeira, celebrado apenas em março de 2025.

Em documento datado de 14 de outubro de 2025, a supervisão registrou que havia determinado a regularização dos documentos contábeis. A pendência, segundo a própria área técnica, permanecia sem solução pelo BRB naquele momento.

Assinatura gera questão cronológica

A nota técnica recomendando a medida preventiva foi enviada em 14 de outubro de 2025. No dia seguinte, Belline Santana aprovou a adoção da providência, conforme o material.

O texto também informa que Santana é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ter prestado consultoria informal ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa do ex-servidor afirmou que ele exerceu as funções dentro dos limites de suas atribuições.

Há, contudo, uma divergência cronológica no material: ele é citado como então chefe do departamento na aprovação de 15 de outubro de 2025, mas o mesmo texto afirma que teria sido afastado da função no início daquele ano após uma auditoria interna do Banco Central.

BRB informa ações de governança

Em 23 de outubro de 2025, o BRB comunicou ao Banco Central que havia cumprido a medida prudencial. Posteriormente, a instituição afirmou que sua nova administração renovou integralmente a diretoria executiva.

Segundo o banco, também foram adotadas ações para fortalecer os controles internos e a governança. Entre elas está a contratação de auditoria forense independente para apurar fatos relacionados às operações investigadas.

O BRB declarou que os achados da auditoria foram encaminhados a autoridades como Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público Federal, Comissão de Valores Mobiliários e instâncias do Judiciário. Segundo a instituição, ela ainda adota medidas administrativas, extrajudiciais e judiciais para proteger seus interesses e buscar eventual responsabilização de envolvidos.

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