A extração feita pela Polícia Federal em um dos celulares de Daniel Vorcaro reúne um volume amplo de dados usados para mapear contatos e relações do ex-controlador do Banco Master. Segundo números publicados pelo O Globo, o material contém cerca de 108 mil chats, 17 mil arquivos de áudio e 53 mil registros de chamadas telefônicas.
O conjunto ocupa aproximadamente 500 gigabytes e inclui ainda dezenas de milhares de arquivos de diferentes formatos. A PF utiliza ferramentas de perícia digital para organizar, indexar e pesquisar o conteúdo preservado do aparelho.
Cópias da extração foram encaminhadas a gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal depois de pedidos de acesso ao material. A Polícia Federal informou que mantém a cadeia de custódia do conteúdo original.
Extração tem cerca de 500 GB
O volume torna a análise extensa e impede que o conteúdo seja examinado de forma imediata ou linear.
Ferramentas de perícia permitem pesquisar palavras-chave, identificar interlocutores, organizar conversas por aplicativo e localizar arquivos relacionados a determinados períodos.
Os números divulgados incluem 108 mil chats, 17 mil áudios e 53 mil registros de chamadas. Nem todo item representa comunicação relevante para uma investigação.
Parte do trabalho policial consiste justamente em separar dados pessoais, registros sem relação com os fatos e elementos potencialmente úteis às apurações.
Ministros receberam cópias
Gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, André Mendonça e Luiz Fux receberam cópias do material em diferentes momentos.
Mendonça e Fux chegaram a informar dificuldades técnicas para abrir os arquivos. O gabinete de Mendonça informou posteriormente que o problema foi solucionado.
A PF afirmou que as cópias fornecidas são idênticas à extração preservada e que a entrega não altera a cadeia de custódia do aparelho e dos dados originais.
Mensagens alimentaram novas apurações
Trechos extraídos do celular passaram a aparecer em relatórios, decisões e reportagens envolvendo autoridades, empresários e intermediários ligados ao caso Master.
Algumas referências provocaram pedidos de esclarecimento e discussões sobre competência, sigilo e necessidade de abertura de procedimentos específicos.
A existência de um contato ou menção no aparelho não significa, por si só, participação em irregularidade. Cada elemento precisa ser contextualizado e confrontado com outras provas.
Acesso virou tema no Supremo
O acesso à íntegra do celular passou a ocupar parte relevante das discussões internas do STF nas últimas semanas.
Ministros divergiram sobre o alcance da publicidade, o compartilhamento do conteúdo e a forma de tratar dados que possam atingir procedimentos ainda sigilosos.
O julgamento de uma questão de ordem relacionada a petições do caso foi interrompido por pedido de vista de Flávio Dino, e ainda não há data anunciada para retomada.
Em manifestação registrada no processo, Mendonça informou que uma cópia de segurança da extração havia sido entregue ao gabinete em mídia lacrada e permanecia intocada naquele momento. Depois, outros ministros solicitaram acesso direto à Polícia Federal.
A dimensão do acervo ajuda a explicar por que diferentes gabinetes passaram a requisitar cópias completas antes de formar posição sobre relatórios baseados em recortes específicos do material.
A análise técnica do telefone não equivale, por si só, a prova de irregularidade de todos os contatos armazenados no dispositivo.


