Celular de Vorcaro reúne milhares de chats, áudios e chamadas

Extração analisada pela PF tem cerca de 500 GB e inclui 108 mil chats, 17 mil arquivos de áudio e 53 mil registros de chamadas

Da
Redação
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O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em dezembro de 2019 —Ana Paula Paiva/Valor
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A extração feita pela Polícia Federal em um dos celulares de Daniel Vorcaro reúne um volume amplo de dados usados para mapear contatos e relações do ex-controlador do Banco Master. Segundo números publicados pelo O Globo, o material contém cerca de 108 mil chats, 17 mil arquivos de áudio e 53 mil registros de chamadas telefônicas.

O conjunto ocupa aproximadamente 500 gigabytes e inclui ainda dezenas de milhares de arquivos de diferentes formatos. A PF utiliza ferramentas de perícia digital para organizar, indexar e pesquisar o conteúdo preservado do aparelho.

Cópias da extração foram encaminhadas a gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal depois de pedidos de acesso ao material. A Polícia Federal informou que mantém a cadeia de custódia do conteúdo original.

Extração tem cerca de 500 GB

O volume torna a análise extensa e impede que o conteúdo seja examinado de forma imediata ou linear.

Ferramentas de perícia permitem pesquisar palavras-chave, identificar interlocutores, organizar conversas por aplicativo e localizar arquivos relacionados a determinados períodos.

Os números divulgados incluem 108 mil chats, 17 mil áudios e 53 mil registros de chamadas. Nem todo item representa comunicação relevante para uma investigação.

Parte do trabalho policial consiste justamente em separar dados pessoais, registros sem relação com os fatos e elementos potencialmente úteis às apurações.

Ministros receberam cópias

Gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, André Mendonça e Luiz Fux receberam cópias do material em diferentes momentos.

Mendonça e Fux chegaram a informar dificuldades técnicas para abrir os arquivos. O gabinete de Mendonça informou posteriormente que o problema foi solucionado.

A PF afirmou que as cópias fornecidas são idênticas à extração preservada e que a entrega não altera a cadeia de custódia do aparelho e dos dados originais.

Mensagens alimentaram novas apurações

Trechos extraídos do celular passaram a aparecer em relatórios, decisões e reportagens envolvendo autoridades, empresários e intermediários ligados ao caso Master.

Algumas referências provocaram pedidos de esclarecimento e discussões sobre competência, sigilo e necessidade de abertura de procedimentos específicos.

A existência de um contato ou menção no aparelho não significa, por si só, participação em irregularidade. Cada elemento precisa ser contextualizado e confrontado com outras provas.

Acesso virou tema no Supremo

O acesso à íntegra do celular passou a ocupar parte relevante das discussões internas do STF nas últimas semanas.

Ministros divergiram sobre o alcance da publicidade, o compartilhamento do conteúdo e a forma de tratar dados que possam atingir procedimentos ainda sigilosos.

O julgamento de uma questão de ordem relacionada a petições do caso foi interrompido por pedido de vista de Flávio Dino, e ainda não há data anunciada para retomada.

Em manifestação registrada no processo, Mendonça informou que uma cópia de segurança da extração havia sido entregue ao gabinete em mídia lacrada e permanecia intocada naquele momento. Depois, outros ministros solicitaram acesso direto à Polícia Federal.

A dimensão do acervo ajuda a explicar por que diferentes gabinetes passaram a requisitar cópias completas antes de formar posição sobre relatórios baseados em recortes específicos do material.

A análise técnica do telefone não equivale, por si só, a prova de irregularidade de todos os contatos armazenados no dispositivo.

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