O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, conseguiu acessar nesta segunda-feira, 21 de setembro, a cópia com a íntegra dos dados extraídos de um dos celulares de Daniel Vorcaro. Interlocutores do ministro informaram que o problema técnico relatado no fim de semana foi solucionado e que o gabinete passou a analisar o material.
No sábado, Mendonça havia enviado ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informando que não conseguira abrir os arquivos entregues pela corporação. O ministro Luiz Fux relatou dificuldade semelhante com a mídia recebida pelo seu gabinete.
As cópias foram enviadas pela PF na quinta-feira, 17 de setembro. O material faz parte das investigações relacionadas ao Banco Master e reúne dados obtidos do aparelho apreendido com Vorcaro.
Acesso foi restabelecido
Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, Mendonça já consegue consultar os arquivos e iniciou a análise do conteúdo. Não foi informado se a solução exigiu substituição da mídia ou apenas suporte técnico para abertura dos dados.
No ofício enviado no sábado, o ministro havia mencionado duas hipóteses para o problema: dificuldades operacionais ou algum defeito na mídia fornecida pela Polícia Federal.
Este Gabinete não logrou êxito em obter acesso efetivo ao material ali contido”.
André Mendonça, em ofício à Polícia Federal
Com a falha solucionada, o gabinete passou da etapa de acesso técnico para o exame do conteúdo, que reúne mensagens, arquivos e outros registros extraídos do celular.
PF enviou cópias aos ministros
A Polícia Federal encaminhou cópias integrais a diferentes gabinetes do Supremo depois de pedidos formulados por ministros interessados em consultar o mesmo conjunto de dados antes das discussões sobre o caso Master.
Cristiano Zanin e Gilmar Mendes haviam recebido o conteúdo anteriormente. Mendonça e Fux fizeram solicitações posteriores e receberam as respectivas mídias na quinta-feira.
A PF informou em manifestações anteriores que o aparelho original e os dados permanecem sob sua guarda, com cadeia de custódia documentada. As cópias entregues aos ministros servem para permitir consulta sem alterar o material preservado pela investigação.
O volume total do conteúdo foi descrito em reportagens como próximo de 500 gigabytes, o que torna a análise extensa e tecnicamente complexa.
Dados viraram centro de disputa
O acesso à íntegra do celular passou a ser um dos pontos de tensão dentro do Supremo depois que mensagens extraídas do aparelho foram usadas em procedimentos relacionados ao Banco Master e a autoridades com prerrogativa de foro.
Zanin e Gilmar defenderam que os ministros envolvidos nas discussões colegiadas tivessem acesso ao mesmo material. Mendonça havia manifestado preocupação com a divulgação irrestrita dos dados, por considerar que parte do conteúdo poderia alcançar investigações ainda em andamento.
A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente ao acesso dos ministros à íntegra dos elementos relevantes para formação de juízo nos processos.
Análise ainda não tem prazo
A solução da dificuldade técnica não significa que o conteúdo já tenha sido integralmente examinado. O volume de arquivos exige triagem e leitura pelos gabinetes antes que os ministros decidam como utilizar as informações nos procedimentos em curso.
O material inclui conversas e registros que vêm sendo citados em diferentes frentes do caso Master. Parte dessas informações já foi tornada pública em decisões e relatórios, enquanto outros trechos permanecem vinculados a investigações específicas.
O julgamento que discutia questões relacionadas às mensagens de Vorcaro e à atuação de integrantes do STF foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino. Não havia, nesta segunda-feira, nova data anunciada para a retomada.


