Consumo de sorvete cresce 13% em dois anos no Brasil

Setor reúne mais de 11 mil empresas e tenta reduzir dependência do verão com novos formatos, produtos premium e opções funcionais

Da
Redação
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Setor reúne mais de 11 mil empresas e tenta reduzir dependência do verão com novos formatos, produtos premium e opções funcionais
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O consumo de sorvete no Brasil cresceu 13% em dois anos, segundo dados de mercado citados pela Coluna do Broadcast. O avanço ocorre em um setor que reúne mais de 11 mil empresas e movimenta mais de R$ 14 bilhões por ano, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (Abis).

A expansão reforça uma mudança gradual no hábito do consumidor brasileiro, que historicamente concentra a compra de sorvetes nos meses mais quentes. O setor tenta reduzir essa sazonalidade com novos formatos, porções menores, produtos premium e opções voltadas a públicos que buscam versões com menos açúcar, mais proteína ou ingredientes funcionais.

Apesar do crescimento recente, o consumo por pessoa ainda é baixo quando comparado ao de outros mercados. A Abis informa média de cerca de 5,4 litros por habitante ao ano, bem abaixo de países como Nova Zelândia e Estados Unidos.

Consumo avança e amplia espaço para o setor

O aumento de 13% em dois anos indica recuperação e expansão da demanda em um segmento que enfrentou forte volatilidade durante a pandemia e nos anos seguintes. Empresas do setor passaram a investir mais em inovação de portfólio e em ocasiões de consumo fora do verão.

Dados da Abis mostram que o mercado brasileiro tem forte presença de pequenos negócios: aproximadamente 92% das empresas ligadas à cadeia são micro e pequenas. A atividade gera cerca de 100 mil empregos diretos e 200 mil indiretos.

O faturamento anual do setor supera R$ 14 bilhões, segundo a entidade. Em 2025, a Abis já estimava mais de R$ 15 bilhões em movimentação e destacava picos de demanda de até 50% em períodos de calor intenso.

A maior participação regional continua concentrada no Sudeste, responsável por 52% do consumo nacional. Nordeste responde por 19%, Sul por 15%, Centro-Oeste por 9% e Norte por 5%.

Setor tenta reduzir dependência do verão

A sazonalidade ainda é um dos principais desafios da indústria. Temperaturas mais altas aumentam rapidamente as vendas, enquanto períodos frios costumam reduzir o fluxo em sorveterias e a compra por impulso.

Para diluir esse efeito, fabricantes e redes têm ampliado o uso do sorvete em sobremesas preparadas, cafés, brownies, petit gâteau e outras combinações consumidas durante o ano inteiro. Também cresce o investimento em embalagens individuais e produtos voltados ao consumo doméstico.

Levantamentos recentes mostram que o clima segue pesando na decisão de compra. Pesquisa divulgada pela Abrasorvete indica que 66,53% dos consumidores consideram a temperatura um fator relevante, enquanto o aquecimento das vendas no Centro-Sul começa normalmente em setembro.

Massa domina preferência e novas versões ganham espaço

O sorvete de massa continua sendo o formato preferido no país. Estudo da Abrasorvete em parceria com a Empresa Júnior da Fundação Getulio Vargas apontou participação de 73,47%, contra 13,20% dos picolés e 10,93% do sorvete soft.

Ao mesmo tempo, fabricantes diversificam o portfólio com sorbets, gelatos, opções veganas, produtos zero açúcar e versões enriquecidas com proteínas, fibras e outros ingredientes. O movimento busca ampliar ocasiões de consumo e alcançar públicos com diferentes restrições ou objetivos alimentares.

A preocupação com preço também influencia o comportamento. Dados da Kantar mostraram que, em temporadas anteriores, consumidores aumentaram a procura por potes maiores porque o custo por litro é significativamente menor do que em formatos individuais, como picolés.

Consumo per capita ainda deixa espaço para expansão

Mesmo com a alta recente, o consumo médio brasileiro permanece abaixo de mercados mais maduros. A Abis calcula cerca de 5,4 litros por pessoa ao ano, enquanto a Nova Zelândia supera 28 litros e os Estados Unidos passam de 20 litros.

Essa diferença é tratada pela indústria como espaço para crescimento, mas o cenário econômico impõe limites. Juros altos, renda disponível pressionada e inflação de insumos como leite, açúcar, embalagens e logística afetam tanto custos de produção quanto o preço final.

Para 2026, entidades e empresas do setor têm apostado em inovação e diversificação como caminhos para sustentar o avanço. O desafio é transformar a expansão recente do consumo em uma tendência mais estável ao longo do ano, sem depender apenas de ondas de calor.

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