O preço do gás natural na Europa aprofundou a queda nesta segunda-feira, 21 de setembro, e os contratos futuros TTF negociados em Amsterdã recuaram 7,4%, para 73,65 euros por megawatt-hora. O movimento ampliou a correção observada desde o início do dia, quando as cotações já operavam em baixa.
A principal explicação para a queda está na melhora das expectativas sobre o fluxo de energia pelo Oriente Médio. Nas últimas duas semanas, o trânsito de petróleo e gás pelo Estreito de Hormuz avançou para o maior nível em seis meses, segundo autoridades militares dos Estados Unidos, reduzindo parte do prêmio de risco que havia sido incorporado aos preços.
O mercado também reagiu à retomada de esforços diplomáticos para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã. A combinação entre maior circulação de hidrocarbonetos, petróleo em queda e perspectiva de menor risco de interrupção no fornecimento pressionou os contratos de gás ao longo da sessão.
TTF cai 7,4% e volta a 73,65 euros
O TTF é o principal referencial do mercado europeu de gás natural e funciona como termômetro dos custos de energia no continente. Nesta segunda-feira, o contrato mais negociado caiu para 73,65 euros por MWh no fim da tarde.
Pela manhã, a mesma referência estava em 78,36 euros, com recuo de 1,4%. A aceleração da queda ao longo do dia mostra como as expectativas geopolíticas passaram a dominar as negociações.
Na semana anterior, em 17 de setembro, o TTF estava em 76,90 euros por MWh. Já em 10 de setembro, havia superado 81 euros, perto dos maiores níveis observados desde dezembro de 2022.
A volatilidade reflete o peso do Oriente Médio na formação dos preços globais de energia. Qualquer ameaça ao Estreito de Hormuz, rota estratégica para petróleo e gás natural liquefeito, tende a ser rapidamente incorporada às cotações internacionais.
Preço devolve parte da alta de setembro
O gás havia avançado de forma expressiva no início do mês, quando tensões entre Estados Unidos e Irã elevaram o temor de interrupções no transporte marítimo de energia.
| TTF perde força em setembro | ||
|---|---|---|
| Data | Preço | Variação divulgada |
| 10 de setembro | € 81,23/MWh | +2,5% |
| 17 de setembro | € 76,90/MWh | -1,5% |
| 21 de setembro, manhã | € 78,36/MWh | -1,4% |
| 21 de setembro, tarde | € 73,65/MWh | -7,4% |
A correção desta segunda-feira ainda não elimina a alta acumulada em relação ao começo do mês, mas reduz significativamente o patamar alcançado durante o pico das tensões.
O mercado de gás europeu permanece sensível não apenas à situação no Oriente Médio, mas também à concorrência internacional por cargas de gás natural liquefeito e ao nível dos estoques antes do inverno do Hemisfério Norte.
Estoques europeus seguem abaixo de 70%
Dados da Gas Infrastructure Europe mostram que os estoques de gás da União Europeia estavam em 69,89% da capacidade em 20 de setembro, com 790,84 TWh armazenados.
Entre os maiores mercados, a Alemanha tinha 56,84% dos reservatórios preenchidos, enquanto a Itália apresentava 85,57%. A Holanda, onde está localizado o mercado TTF, registrava 55,57%.
O nível agregado é relevante porque o continente se aproxima do período de maior consumo. Estoques mais baixos aumentam a importância de fluxos contínuos de importação e podem ampliar a reação dos preços a qualquer choque de oferta.
Petróleo também recua com diplomacia
O movimento do gás ocorreu em paralelo a uma queda forte do petróleo. O WTI fechou a sessão em Nova York com baixa de 4,5%, a US$ 95,79 por barril, enquanto o Brent recuou 3,47%, para US$ 100,27.
Durante a tarde europeia, os mercados de ações também reagiram à melhora das expectativas sobre energia e à redução do risco geopolítico. A queda nos combustíveis favoreceu a percepção de menor pressão inflacionária sobre a economia do continente.
Mesmo com o recuo desta segunda-feira, os preços permanecem sujeitos a oscilações rápidas enquanto a situação no Oriente Médio continuar indefinida. O mercado segue acompanhando os fluxos pelo Estreito de Hormuz, os níveis de armazenamento e a evolução das negociações diplomáticas.


