PF aponta compra de R$ 4,05 bilhões pelo BRB em créditos sob suspeita

Investigação cita nove aquisições de cédulas de crédito do Banco Master entre abril e maio de 2025, após questionamentos do Banco Central.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
A investigação examina créditos adquiridos pelo BRB do Banco Master em 2025.WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO e ADRIANO MACHADO/REUTERS
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Polícia Federal afirma ter identificado fortes indícios de irregularidades em R$ 4,05 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) que o BRB adquiriu do Banco Master entre abril e maio de 2025. Segundo a investigação, o Banco Central já havia questionado a origem desses ativos antes de parte das operações.

O caso envolve nove aquisições contabilizadas pela autoridade monetária e integra a apuração sobre operações entre o banco regional e a instituição ligada a Daniel Vorcaro. Para a PF, há indícios de que as CCBs negociadas pelo Master com o BRB não existiam.

PF aponta indícios nas CCBs

As Cédulas de Crédito Bancário são títulos que formalizam promessas de pagamento em operações financeiras. Na apuração policial, porém, as CCBs repassadas pelo Banco Master ao BRB apresentam indícios de inexistência.

O documento da PF também registra problemas na documentação analisada. Segundo a corporação, em determinados casos os comprovantes de depósito não correspondiam aos valores indicados nos títulos.

A investigação trata os elementos como indícios, e não como conclusão judicial definitiva. Ainda assim, a suspeita recai sobre a origem e a consistência dos créditos cedidos ao BRB.

Banco Central questionou a origem

O Banco Central pediu explicações sobre as operações em março de 2025, de acordo com o documento citado na investigação. A atuação da autoridade monetária antecedeu as nove aquisições apontadas entre abril e maio.

Em abril, houve distrato de carteiras por falta de documentos envolvendo a Tirreno, conforme a PF. Apesar disso, a corporação afirma que cessões de CCBs supostamente falsas continuaram até maio.

Assim, a apuração destaca que parte das compras ocorreu depois do início da fiscalização. O valor de R$ 4,05 bilhões corresponde ao conjunto de operações sob suspeita mencionado pela PF, não ao total das negociações entre os bancos.

Versões divergem sobre os ativos

Banco Master e BRB apresentaram informações diferentes ao Banco Central sobre a origem dos créditos, segundo os dados reunidos na investigação. A divergência é um dos pontos descritos no caso.

O conglomerado Master indicou a Asteba e a Asseba, duas associações de servidores da Bahia, como originadoras dos ativos. Já o BRB apontou a empresa Tirreno como origem dos créditos que adquiriu.

A PF afirma que as duas associações foram criadas e são controladas por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. A corporação considera relevante o uso dessas entidades na narrativa apresentada à autoridade monetária.

Tirreno aparece na cadeia de cessões

Segundo a Polícia Federal, os ativos tiveram origem na Tirreno. Em seguida, teriam sido vendidos ao Banco Master e posteriormente cedidos ao BRB.

Essa sequência de operações coloca a Tirreno no centro da análise sobre a trajetória dos créditos. Ao mesmo tempo, a versão apresentada pelo BRB ao Banco Central atribuiu à empresa a origem das carteiras adquiridas.

O Banco Master, por outro lado, apontou as associações baianas como originadoras. A diferença entre as informações prestadas pelas instituições faz parte dos elementos avaliados pela investigação.

Compras somaram R$ 12,2 bilhões

Ao longo de 2025, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos consignados do Banco Master, conforme as informações da apuração. O montante é maior que os R$ 4,05 bilhões em CCBs especificamente associados pela PF a indícios de irregularidades.

A distinção entre os valores é central para dimensionar o caso. Os R$ 12,2 bilhões representam o total informado de créditos consignados adquiridos no período, enquanto o outro número se refere às nove operações destacadas pela autoridade monetária.

Além disso, a investigação relaciona as cessões de créditos ao cenário financeiro do Banco Master. A instituição, segundo a PF, enfrentava problemas de liquidez desde o fim de 2024.

Investigação examina a liquidez do Master

Para a Polícia Federal, as operações buscavam dar liquidez ao Banco Master durante a análise, pelo Banco Central, de um processo de fusão com o BRB. Essa é a linha investigativa descrita no documento policial.

Na avaliação atribuída pela PF ao esquema, os recursos recebidos pelo Banco Master poderiam ajudar a instituição a rolar obrigações até o desfecho da possível compra pelo BRB. A corporação vincula essa hipótese às dificuldades de liquidez apontadas desde o fim de 2024.

O caso reúne, portanto, a negociação de carteiras de crédito, os questionamentos do Banco Central e a apuração criminal sobre a existência dos títulos. As responsabilidades pelas operações seguem sob análise das autoridades competentes.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *