A Polícia Federal apontou fortes indícios de que cédulas de crédito bancário negociadas pelo Banco Master com o Banco de Brasília (BRB) não existiam. Segundo a investigação, as operações ocorreram em 2025 e somam R$ 12,2 bilhões.
O caso foi identificado pelo Banco Central e integra a apuração policial. A PF afirma, em documento citado na investigação, que a análise técnica não confirmou nenhum dos créditos que compunham as carteiras cedidas ao BRB.
PF apura créditos inexistentes
A investigação envolve cédulas de crédito bancário que foram vendidas ao BRB. De acordo com a PF, havia indícios de inexistência das carteiras de crédito negociadas.
Os ativos foram originados pela empresa Tirreno, passaram pelo Banco Master e, posteriormente, foram repassados ao banco regional. A movimentação chamou a atenção do Banco Central, que detectou as operações.
A apuração trata as irregularidades como indícios. Assim, a informação consta no material produzido no âmbito da investigação sobre as operações realizadas em 2025.
Banco Central analisa contratos
O BRB entregou ao Banco Central uma amostra de 100 contratos de crédito formalizados por meio de cédulas emitidas pelo Banco Master. Os documentos se referiam a operações supostamente adquiridas pela Tirreno.
Na análise dessa amostra, a autoridade monetária encontrou indícios de insubsistência das operações. Segundo o documento da PF, não houve confirmação da existência dos créditos apresentados nos 100 contratos examinados.
A apuração também citou falta de correspondência entre documentos de averbação nos órgãos relacionados às carteiras, comprovantes de depósitos e os contratos apresentados. Esses elementos integram a base técnica mencionada pela Polícia Federal.
Clientes coincidem em operações
Segundo a PF, os clientes das operações originadas pela Tirreno e cedidas pelo Master ao BRB coincidiam, em larga medida, com clientes do próprio Banco Master. Esses mesmos clientes eram titulares de operações que o banco já havia cedido ao BRB entre julho e dezembro de 2024.
Para o Banco Central, esse padrão era contraintuitivo. A autoridade considerou que as operações analisadas teriam sido originadas por uma empresa constituída recentemente, em novembro de 2024.
A cronologia distingue as cessões atribuídas à Tirreno, realizadas no período investigado em 2025, das operações anteriores cedidas pelo Master ao BRB. Dessa forma, a coincidência de clientes passou a compor os elementos analisados no caso.
BRB negocia aporte financeiro
O BRB estima um rombo de R$ 12 bilhões em razão das operações investigadas envolvendo o Banco Master. O valor é próximo ao total de R$ 12,2 bilhões atribuído às negociações realizadas em 2025.
Além disso, o banco regional negocia um aporte de R$ 6,6 bilhões. O objetivo informado é melhorar seus índices de saúde financeira.
As informações passaram a integrar a quebra de sigilo das investigações determinada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, na noite de quinta-feira (9). A medida alcança o caso que apura as operações entre as instituições.


