O Ministério da Saúde confirmou que prepara a oferta gratuita de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde, mas a distribuição nacional ainda não começou e as regras de acesso não estão fechadas. A pasta trabalha na elaboração de um protocolo clínico que deverá definir quais pacientes poderão receber os medicamentos, em quais situações e sob que acompanhamento.
O anúncio foi reforçado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda em Montes Claros, em Minas Gerais, na quinta-feira, 17 de setembro. O governo relaciona a futura oferta a estudos em andamento, redução de custos e maior disponibilidade de produtos registrados no Brasil.
Protocolo definirá quem terá acesso
O Ministério da Saúde afirma que as canetas não serão distribuídas como solução estética ou para qualquer pessoa interessada em perder peso.
A proposta é direcionar a tecnologia a grupos em que haja indicação clínica e benefício esperado, com acompanhamento médico dentro do SUS.
“Vamos deixar pronto o protocolo para podermos disponibilizá-lo no SUS, em todo o Brasil, de forma responsável.”
Alexandre Padilha, ministro da Saúde
Até agora, o governo não informou a data em que a oferta começará, quais apresentações serão compradas nem os critérios definitivos de elegibilidade.
A confirmação é de uma futura oferta planejada, e não de uma distribuição nacional já disponível nas unidades do SUS.
Estudo acompanha pacientes do SUS
Uma das bases usadas pelo Ministério da Saúde é o estudo Real-Bari, desenvolvido no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.
A pesquisa acompanha o uso de semaglutida em pessoas com obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças que já são atendidas pelo sistema público.
Ao todo, 250 pacientes devem participar do estudo, com acompanhamento contínuo de médicos especialistas e protocolo específico de segurança.
Segundo Padilha, o primeiro participante estava na fila de cirurgia bariátrica, perdeu seis quilos e reduziu a circunferência corporal após iniciar o tratamento. O relato é um resultado individual inicial e não substitui a análise completa do estudo.
Cirurgia bariátrica entra na avaliação
Um dos objetivos é verificar se os medicamentos podem melhorar o controle da obesidade em pacientes que aguardam cirurgia bariátrica.
O governo avalia se, em determinados casos, a redução de peso e a melhora clínica poderiam mudar a necessidade ou o momento do procedimento cirúrgico.
Também estão em análise grupos com obesidade associada a problemas cardiovasculares e outros perfis de maior risco.
A definição final dependerá das evidências produzidas, do custo do tratamento e da capacidade do SUS de acompanhar os pacientes de forma segura e contínua.
Semaglutida já teve incorporação negada
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou decisão de não incorporar a semaglutida ao SUS para um grupo específico de pacientes com obesidade graus II e III, sem diabetes, com 45 anos ou mais e doença cardiovascular estabelecida.
A decisão seguiu recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, naquele processo de avaliação.
A própria portaria deixou aberta a possibilidade de nova análise se surgissem fatos novos capazes de alterar a avaliação anterior.
O cenário de 2026 mudou com novos registros, queda de patente, aumento da concorrência e estudos conduzidos diretamente na rede pública, fatores que o ministério diz estar considerando na estratégia atual.
Mais produtos chegam ao mercado
A Anvisa aprovou em julho o registro de cinco novos medicamentos à base de semaglutida, ampliando a concorrência em uma classe que antes tinha oferta mais restrita.
O Ministério da Saúde havia solicitado prioridade para a análise desses produtos com o objetivo de aumentar a disponibilidade e estimular redução de preços.
Padilha afirmou que o Brasil passou a ter maior diversidade de medicamentos registrados para o tratamento da obesidade e relacionou esse movimento à viabilidade econômica de uma futura oferta pública.
Mesmo com mais produtos registrados, a existência de opções no mercado não significa incorporação automática ao SUS. Cada tecnologia precisa ser avaliada dentro das regras de financiamento, segurança, eficácia e custo-efetividade.
Tratamento exigirá acompanhamento médico
Medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, como a semaglutida, têm indicações específicas e podem causar efeitos adversos. O uso deve ser feito com prescrição e acompanhamento profissional.
A Anvisa mantém indicações e doses aprovadas para cada produto, e essas regras não devem ser confundidas com os critérios que o SUS ainda estabelecerá em seu protocolo próprio.
O Ministério da Saúde reforçou que a futura oferta deverá integrar o medicamento a uma linha de cuidado para obesidade, e não funcionar como entrega isolada de canetas.
Até a publicação do protocolo nacional, pacientes não devem interpretar o anúncio como autorização para retirar gratuitamente semaglutida ou outras canetas nas unidades de saúde. Os detalhes sobre início, produtos escolhidos e público atendido ainda serão divulgados pelo governo.


