A nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira, 21 de setembro, mostra movimentos numéricos distintos entre segmentos do eleitorado em uma eventual disputa de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Entre mulheres, Lula aparece com vantagem maior do que na semana anterior. Entre eleitores de alta renda e evangélicos, Flávio ampliou sua diferença numérica.
Os recortes segmentados têm margens de erro maiores do que a amostra total e, por isso, devem ser interpretados com cautela. A pesquisa nacional ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre 17 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para o conjunto da amostra e nível de confiança de 95%.
No cenário geral de segundo turno, Flávio aparece com 42% e Lula com 41%, diferença dentro da margem de erro. Os dados segmentados ajudam a mostrar onde cada candidatura concentra apoio, mas não substituem o resultado nacional.
Lula amplia diferença entre mulheres
Entre eleitoras, Lula passou numericamente de 41% para 44% em uma semana no cenário de segundo turno. Flávio oscilou de 38% para 37% no mesmo período.
Com isso, a distância entre os dois nesse segmento passou de três para sete pontos percentuais. Como se trata de um subgrupo da amostra, a incerteza estatística é maior do que a margem de dois pontos divulgada para o total.
O desempenho feminino é relevante porque mulheres representam parcela majoritária do eleitorado brasileiro. Campanhas costumam acompanhar esse segmento separadamente para avaliar temas como renda, serviços públicos, segurança e políticas sociais.
Apesar da oscilação favorável a Lula nesse recorte, a pesquisa não mostra avanço equivalente entre beneficiários do Bolsa Família: o presidente passou de 58% para 56%, enquanto Flávio foi de 27% para 30% nesse grupo.
Flávio avança entre eleitores de renda mais alta
Entre entrevistados com renda acima de cinco salários mínimos, Flávio Bolsonaro passou de 47% para 53% na simulação de segundo turno. Lula oscilou de 34% para 33%.
A diferença numérica entre os dois, portanto, chegou a 20 pontos nesse grupo. Na rodada anterior, a distância era de 13 pontos.
O dado indica concentração maior de apoio a Flávio entre eleitores de renda mais alta nesta rodada, mas não permite inferir sozinho tendência definitiva para o segmento, especialmente porque subamostras têm maior variação.
Vantagem de Flávio cresce entre evangélicos
No eleitorado evangélico, Flávio passou de 51% para 58% em uma semana. Lula permaneceu em 28%.
A diferença numérica entre os candidatos nesse recorte aumentou de 23 para 30 pontos percentuais. O segmento tem sido historicamente disputado por candidaturas presidenciais e recebe atenção específica em estratégias de campanha.
Os percentuais não significam que todos os eleitores evangélicos tenham comportamento uniforme. A categoria reúne diferentes igrejas, regiões, faixas de renda e perfis de voto.
Maioria ainda aponta Lula como provável vencedor
A Quaest também perguntou quem os entrevistados acreditam que vencerá a eleição, independentemente de sua própria intenção de voto. Lula aparece com 55% nessa percepção, ante 54% na semana anterior.
Flávio aparece com 30%, depois de registrar 31%. Esse indicador mede expectativa declarada de vitória e não intenção de voto.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, atribuiu esse tipo de percepção ao chamado efeito de adesão ao vencedor, conceito usado para descrever situações em que a expectativa sobre quem parece mais competitivo pode influenciar comportamento político. Trata-se de uma interpretação analítica, não de uma medição direta de causalidade.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06004/2026 e foi realizada entre 17 e 20 de setembro.


