A USA Rare Earth avalia avançar no refino de terras raras no Brasil após concluir a compra da mineradora Serra Verde. A empresa americana considera desenvolver no país etapas posteriores do processamento, incluindo a separação dos elementos presentes no carbonato misto produzido em Minaçu, Goiás.
A companhia desenvolve uma tecnologia para transformar esse material intermediário em terras raras separadas, produtos de maior valor agregado usados conforme a aplicação final. A iniciativa ocorre enquanto o Brasil discute medidas para ampliar o processamento doméstico de minerais críticos.
Empresa avalia ampliar processamento
A USA Rare Earth afirmou que não descarta desenvolver no Brasil capacidades adicionais em etapas posteriores da cadeia produtiva. A possibilidade inclui a separação do carbonato misto em produtos com maior grau de pureza.
Segundo a empresa, a tecnologia em desenvolvimento poderá transformar o carbonato misto em terras raras separadas. O resultado pode incluir óxidos individuais ou combinações de elementos, dependendo da rota de processamento e da aplicação final.
Essa etapa exige uma planta dedicada de separação. Nos Estados Unidos, a empresa já opera uma unidade demonstrativa em Wheat Ridge, no Colorado, onde desenvolve e testa a tecnologia.
Serra Verde produz em Goiás
A Serra Verde produz atualmente um carbonato misto de terras raras em Minaçu, no norte de Goiás. O produto reúne diferentes elementos e funciona como uma etapa intermediária da cadeia mineral.
A separação posterior permite obter materiais com maior grau de pureza. Esses produtos podem ser direcionados a aplicações distintas, de acordo com os elementos recuperados e com a rota tecnológica adotada.
A Serra Verde é atualmente a única produtora de terras raras em escala comercial no Brasil.
A USA Rare Earth destacou que a mineradora desenvolveu tecnologias próprias para o processamento do minério e classificou o projeto como pioneiro na indústria brasileira de terras raras.
Governo busca agregar valor
A sinalização da empresa coincide com a tentativa do governo brasileiro de aumentar o processamento de minerais críticos dentro do país. O objetivo é reduzir a exportação de produtos com menor valor agregado.
O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi aprovado pelo Congresso e enviado à sanção presidencial. O texto prevê instrumentos para estimular a internalização de etapas da cadeia produtiva.
Entre as possibilidades está a definição de parâmetros, requisitos técnicos ou compromissos de agregação de valor vinculados à exportação de minerais críticos e estratégicos. A regulamentação também poderá criar critérios de preferência para projetos que mantenham no Brasil etapas de beneficiamento, transformação e industrialização.
A regulamentação deverá definir como esses mecanismos serão aplicados. Com isso, ficará estabelecido até que ponto as exportações poderão ser condicionadas ao grau de processamento ou a compromissos de agregação de valor no país.
Setor debate ritmo da industrialização
Integrantes do governo defendem que o Brasil aproveite a corrida global por minerais críticos para desenvolver uma cadeia industrial própria. Empresas do setor, por outro lado, cobram critérios objetivos para evitar impactos sobre a competitividade dos projetos.
Representantes privados argumentam que obrigações de industrialização ou restrições às exportações dependem da existência de uma base industrial capaz de absorver a produção nacional.
A avaliação apresentada pelo setor é que o país ainda tem poucos projetos efetivamente em produção. A maior parte da carteira está concentrada em empreendimentos nas fases de pesquisa, desenvolvimento ou licenciamento.
De acordo com essa visão, uma indústria doméstica mais ampla de separação, refino e transformação dependeria primeiro do ganho de escala na produção mineral.
A USA Rare Earth informou que a Serra Verde recebeu mais de R$ 5 bilhões, equivalentes a US$ 1,1 bilhão, em investimentos internacionais ao longo de 15 anos. A empresa concluiu no início de setembro a aquisição da mineradora em uma operação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões.


