Trabalhadores protestam contra cortes na indústria automotiva alemã

IG Metall organiza atos em mais de 200 locais enquanto montadoras e fornecedores discutem redução de empregos e custos

Da
Redação
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Operários com bandeiras da IG Metall, que é o sindicato de metalúrgicos da Alemanha, protestam em frente à fábrica da Volkswagen em Hanover. Trabalhadores da indústria automobilística fazem protesto em todo o país nesta segunda-feira —Ronny Hartmann/AFP
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Trabalhadores da indústria automotiva alemã foram às ruas nesta segunda-feira (21) em protestos contra cortes de vagas, fechamento de unidades e redução de direitos. O sindicato IG Metall convocou um dia nacional de mobilização em mais de 200 locais, envolvendo funcionários de montadoras e fornecedores.

As manifestações ocorrem em meio a uma crise profunda no setor, pressionado por queda de vendas em mercados importantes, concorrência chinesa, custos elevados e dificuldades na transição para veículos elétricos. Empresas como Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW e grandes fornecedores vêm discutindo programas de redução de despesas.

O IG Metall estima que dezenas de milhares de empregos já tenham sido eliminados e que outros estejam ameaçados. O sindicato defende investimentos em fábricas alemãs e rejeita que trabalhadores arquem sozinhos com os custos da reestruturação.

Protestos chegam a 200 locais

O dia de mobilização inclui assembleias internas, paralisações no horário de almoço, marchas e atos públicos. A organização sindical projetava participação de dezenas de milhares de trabalhadores em diferentes estados alemães.

Em Sindelfingen, no sudoeste do país, cerca de 20 mil funcionários da Mercedes-Benz participaram de uma ação, segundo números divulgados pelo sindicato e pela própria empresa.

Também foram anunciadas mobilizações em Wolfsburg, Zwickau, Munique, Düsseldorf e outras cidades com grande concentração de fábricas e fornecedores do setor automotivo.

O lema escolhido pelo IG Metall é “Futuro em vez de desmonte”, com a defesa de investimentos industriais e manutenção de empregos qualificados no país.

Sindicato rejeita novos cortes

O IG Metall cobra das empresas a preservação da jornada de 35 horas, investimentos em produtos futuros e qualificação profissional. A entidade também pede que programas de redução de custos atinjam primeiro estruturas administrativas e gerenciais.

Para o sindicato, parte da crise foi causada por decisões empresariais tardias em áreas como baterias, software e veículos elétricos de menor preço. As montadoras, por outro lado, citam competição internacional e enfraquecimento da demanda.

A Volkswagen, maior fabricante do país, anunciou planos de cortar dezenas de milhares de postos ao longo dos próximos anos, enquanto negocia medidas para reduzir custos e recuperar rentabilidade.

China e elétricos pressionam setor

A indústria alemã perdeu participação na China, mercado que por décadas sustentou grande parte dos lucros das montadoras. Fabricantes locais chineses avançaram rapidamente em veículos elétricos e software, pressionando marcas europeias.

Ao mesmo tempo, a transição tecnológica exige investimentos elevados em novas plataformas, baterias e fábricas. Empresas tradicionais precisam financiar a mudança enquanto continuam produzindo veículos a combustão durante o período de transição.

Tarifas comerciais e custos de energia também entram na lista de preocupações das empresas e dos sindicatos. O setor automotivo permanece um dos pilares da indústria exportadora alemã.

IG Metall cobra governo alemão

O sindicato também dirige reivindicações ao governo. Entre elas estão redução do custo da eletricidade, menos burocracia, proteção comercial e regras que estimulem produção local.

A entidade defende ainda incentivos para modernização industrial e medidas que evitem a transferência de fábricas para países com custos mais baixos.

A mobilização desta segunda antecede novas negociações trabalhistas no setor. Empresas e sindicatos deverão discutir salários, jornada e garantias de emprego em um ambiente de pressão crescente sobre a competitividade da indústria alemã.

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