As importações chinesas de soja dos Estados Unidos recuaram 12% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto as compras do Brasil avançaram 1%, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.
A China recebeu 200.477 toneladas de soja americana no mês, abaixo das 227.205 toneladas de agosto do ano passado. Do Brasil, foram 10,61 milhões de toneladas, ante 10,48 milhões de toneladas um ano antes.
No total, o país importou 12,14 milhões de toneladas de soja em agosto, queda de 1,1% na comparação anual e alta de 5,7% frente a julho. Pelos volumes divulgados pela alfândega, o Brasil respondeu por cerca de 87% das compras chinesas no mês, enquanto os Estados Unidos ficaram abaixo de 2%.
Brasil amplia vantagem sobre os EUA
A diferença entre os dois fornecedores também aparece no acumulado de janeiro a agosto. A China importou 55,14 milhões de toneladas de soja brasileira no período, 5% acima do volume registrado nos oito primeiros meses de 2025.
As compras de soja dos Estados Unidos somaram 10,66 milhões de toneladas no mesmo intervalo, uma retração anual de 34%. O volume brasileiro foi mais de cinco vezes superior ao americano.
Somadas, as importações chinesas chegaram a 74,11 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, avanço de 1,1% sobre as 73,33 milhões de toneladas do mesmo período do ano passado.
Os números mostram que o crescimento do Brasil ocorreu mesmo com uma expansão relativamente pequena do volume total comprado pela China. A mudança mais forte está na origem da soja adquirida, com perda de espaço dos Estados Unidos e maior peso brasileiro.
| Soja importada pela China | ||||
|---|---|---|---|---|
| Origem | Agosto de 2026 | Variação anual | Jan.-ago. de 2026 | Variação anual |
| Brasil | 10,61 milhões t | +1% | 55,14 milhões t | +5% |
| Estados Unidos | 200.477 t | -12% | 10,66 milhões t | -34% |
Compras americanas perderam ritmo
A queda dos desembarques americanos ocorre depois de a China ter acelerado compras no fim de 2025, após a retomada de negociações comerciais entre Pequim e Washington.
Depois de um encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, compradores chineses adquiriram cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos. Boa parte desse volume chegou aos portos chineses ao longo dos meses seguintes.
Esse fluxo ajudou a sustentar as importações americanas no início de 2026, mas perdeu força conforme as cargas contratadas anteriormente foram sendo entregues.
Tarifas ainda aplicadas à soja dos Estados Unidos também reduziram a competitividade do produto entre processadores privados chineses. Em julho, agentes de mercado apontavam o Brasil como origem preferencial para parte relevante dos compradores por causa da diferença de custo.
Meta americana exige novas compras
A China assumiu o compromisso de comprar 25 milhões de toneladas de soja americana em 2026. Até agosto, as cargas desembarcadas somavam 10,66 milhões de toneladas, além de negócios adicionais fechados para entrega posterior.
Em setembro, empresas estatais chinesas voltaram ao mercado americano e compraram aproximadamente 1 milhão de toneladas em uma semana, segundo operadores acompanhando as negociações.
As compras ocorreram antes de novos contatos de alto nível entre Washington e Pequim e aumentaram a expectativa de que o comércio agrícola volte a ocupar espaço nas negociações bilaterais.
Ainda assim, o cumprimento da meta depende de uma aceleração das aquisições no último quadrimestre. A safra americana ganha peso no mercado internacional a partir de setembro, justamente quando a disponibilidade da safra brasileira tende a diminuir.
Demanda chinesa segue elevada
A China continua sendo o maior importador mundial de soja e utiliza o grão principalmente para produção de farelo destinado à ração animal e de óleo vegetal.
O total importado em agosto, de 12,14 milhões de toneladas, ficou abaixo do recorde de 12,28 milhões de toneladas registrado no mesmo mês de 2025, mas superou o volume de julho.
A demanda elevada ao longo de 2026 foi sustentada pela oferta brasileira, pela eficiência dos embarques nos portos do país e pela necessidade de abastecimento das indústrias chinesas de esmagamento.
Para o Brasil, o comportamento das compras chinesas permanece decisivo para exportações, logística e preços internos. Para os Estados Unidos, a recuperação de participação no mercado chinês dependerá não apenas da safra disponível, mas também das condições comerciais acertadas entre os dois governos.


