Empresas chinesas avaliam investimentos na mineração brasileira

Encontro em Pequim reuniu grupos, fundos e representantes do setor; investidores buscaram esclarecimentos sobre regras previstas para minerais críticos.

Da
Redação
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Fórum em Pequim discutiu oportunidades de investimento em projetos minerais brasileiros.13/05/2025 REUTERS/Tingshu Wang/Pool
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Empresas chinesas avaliam investimentos na mineração brasileira, com interesse em projetos de bauxita, minério de ferro, cobre, ouro, níquel e terras raras. O tema foi debatido em um fórum realizado em Pequim, que reuniu representantes dos dois países.

Além das oportunidades de negócios, investidores chineses buscaram entender os possíveis efeitos do PL 2780/2024, que trata da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Segundo participantes brasileiros, a atenção se voltou sobretudo às regras que poderão incidir sobre futuras operações no setor.

Fórum reúne empresas e fundos

O encontro contou com cerca de 20 representantes brasileiros, entre executivos de mineradoras juniores, advogados e integrantes do setor mineral. Do lado chinês, participaram aproximadamente 60 representantes de empresas, grupos industriais e fundos.

Entre as companhias presentes estavam CMOC, China Nonferrous e MMG. Também participaram investidores interessados em conhecer projetos minerais que estão em desenvolvimento no Brasil.

Representantes do Ministério de Minas e Energia e da ApexBrasil estiveram no fórum. Dessa forma, a agenda combinou a apresentação de oportunidades privadas com a presença de órgãos ligados à promoção do setor e dos investimentos.

Interesse alcança várias commodities

Segundo uma fonte que participou das discussões, os investidores demonstraram forte interesse na jurisdição brasileira e nas possibilidades de investimento no país. A procura não se restringiu a um único tipo de minério.

As conversas abordaram projetos de bauxita, minério de ferro, cobre, ouro e níquel. Assim, o interesse chinês alcançou diferentes segmentos da mineração brasileira, além dos ativos associados a minerais críticos.

A diversidade de commodities discutidas indica que os interlocutores chineses buscavam conhecer projetos em vários estágios de desenvolvimento. O material disponível não limita a busca a aquisições de ativos já em operação.

PL sobre minerais críticos gera dúvidas

Representantes chineses questionaram o PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e prevê novas regras para o setor. De acordo com o relato sobre o encontro, o projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional e aguarda sanção presidencial.

Um dos dispositivos previstos é a criação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, o CIMCE, vinculado à Presidência da República. O colegiado deverá homologar operações relacionadas a projetos e ativos considerados estratégicos.

Na prática, o conselho poderá barrar negócios submetidos à sua avaliação. Por isso, os investidores procuraram entender de que forma o novo marco poderá influenciar aquisições, financiamentos e outros aportes no setor mineral brasileiro.

Regulamentação definirá alcance do conselho

Os critérios para definir quais operações deverão passar pelo CIMCE ainda dependem de regulamentação. Esse detalhamento tende a ser central para empresas e fundos que analisam transações ligadas a minerais classificados como estratégicos.

Durante a tramitação do projeto, empresas e associações do setor defenderam parâmetros objetivos. A proposta dessas entidades buscava evitar que operações rotineiras fossem levadas ao conselho.

Outro ponto defendido pelo setor foi a redução da margem de discricionariedade do governo. Enquanto as regras complementares não forem definidas, a abrangência prática da análise do colegiado permanece como uma questão relevante para potenciais investidores.

Terras raras entram nas conversas

O fórum também abriu espaço para conversas sobre projetos brasileiros de terras raras entre representantes do país e agentes privados chineses. Esses minerais integram uma disputa internacional mais ampla por ativos considerados críticos.

Segundo a fonte ouvida sobre as reuniões, as tratativas não tiveram caráter de negociação estratégica entre Brasil e China sobre controle ou fornecimento de terras raras. As conversas se concentraram em oportunidades comerciais vinculadas a projetos específicos.

Ao mesmo tempo, a busca por informações sobre terras raras ocorreu dentro de uma agenda mais ampla da mineração. O interesse apresentado no encontro em Pequim incluiu outros minerais e diferentes oportunidades de investimento no Brasil.

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