A Madame Satã, nome pelo qual é conhecida a Madame Underground Club, foi apontada como o local de uma festa organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro em 31 de outubro de 2023, em São Paulo. O evento voltou ao debate público após uma reportagem da revista Piauí mencionar a celebração e possíveis convidados ligados à política.
A boate afirma que o imóvel foi alugado a uma agência ou produtora de eventos terceirizada. Segundo parecer apresentado pelo advogado Glauber Bez, especialista em direito civil e criminal, a responsabilidade pelos atos dos organizadores e convidados não seria automaticamente transferida ao estabelecimento.
A festa foi realizada no clube
A festa atribuída a Daniel Vorcaro teria ocorrido em 31 de outubro de 2023, nas instalações da Madame Underground Club, na capital paulista. O episódio veio a público após a publicação de uma reportagem da revista Piauí na noite de 10 de setembro.
De acordo com o material divulgado, o evento teria sido organizado pelo ex-ministro Fábio Faria e pelo promoter Tiago Polo. A reportagem também citou a suposta presença de autoridades, entre elas Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre.
Pacheco negou ter participado da festa. À imprensa, ele afirmou que estava em Brasília na data e que presidia uma sessão no Senado até o período da noite.
A boate negou vínculo direto
Em uma nota publicada em 11 de setembro, a Madame Underground Club informou que disponibiliza suas instalações para locação quando não opera com a programação cultural habitual.
Segundo o estabelecimento, o espaço foi alugado, na data da festa, para uma agência ou produtora de eventos terceirizada. A boate afirmou que não houve negociação direta entre sua administração e Daniel Vorcaro.
A casa também declarou que a organização do evento, a elaboração da lista de convidados, o conteúdo da celebração e sua condução seriam responsabilidades dos contratantes e produtores.
A responsabilidade jurídica foi questionada
A discussão central envolve os limites da responsabilidade de um estabelecimento que aluga seu espaço para terceiros. A boate sustenta que atuou como locadora e não participou da organização da festa.
Glauber Bez avaliou que, nesse cenário, a responsabilidade pessoal por eventuais atos dos organizadores ou convidados não poderia ser transferida automaticamente ao proprietário ou administrador do local.
O advogado também apontou que o contrato teria sido firmado a preço de mercado e antes de as alegações sobre a festa se tornarem públicas. Para ele, esses elementos seriam compatíveis com a tese de atuação de boa-fé do clube.
O contrato separa as funções
A versão apresentada pela Madame Satã distingue a locação do espaço da produção do evento. Nessa divisão, a casa fornece a estrutura, enquanto a produtora contratada conduz a celebração e define seus participantes.
Por isso, a boate afirma que não controlou a lista de convidados nem o teor da festa. A declaração também busca afastar a ideia de que o local teria mantido relação comercial direta com as pessoas mencionadas nas reportagens.
A avaliação jurídica divulgada acompanha essa separação entre locador e contratante. Ainda assim, qualquer responsabilização depende da análise dos fatos e das obrigações assumidas no contrato.
A casa tem história na noite paulistana
Localizada no Bixiga, na região central de São Paulo, a Madame surgiu na década de 1980 e se tornou uma referência da cultura underground da cidade.
O espaço recebeu artistas como Rita Lee, Marisa Orth, João Gordo e Kid Vinil. Também recebeu bandas como RPM, Titãs, Ira! e Legião Urbana, que fizeram apresentações no local.
O nome da boate homenageia Madame Satã, figura associada à boemia carioca e à vida noturna da Lapa. A casa foi batizada a partir dessa referência cultural.
O clube retomou atividades em 2012
Depois de permanecer fechado por um longo período, o espaço voltou a funcionar em 2012, adotando apenas o nome Madame. Desde então, retomou sua presença na cena alternativa paulistana.
Atualmente, a casa mantém uma hamburgueria e um espaço para shows com capacidade para 350 pessoas. A programação inclui eventos ligados à música gótica, ao pós-punk, ao dark wave e ao EBM.
Além da atividade cultural, o clube continua oferecendo suas instalações para locações. É nesse modelo comercial que a administração enquadra a festa associada a Vorcaro.


