Treasury de 10 anos se aproxima de 5% com temor de inflação nos EUA

Alta do petróleo, sinais de aperto monetário e preocupação fiscal elevaram os rendimentos dos títulos públicos em grandes economias.

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Redação
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O rendimento do Treasury de 10 anos se aproximou de 5% em meio a preocupações com inflação e juros.
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O rendimento do Treasury de 10 anos chegou a 4,979% no pregão asiático de sexta-feira (10), aproximando-se da marca de 5%, o maior nível desde o fim de 2023. A venda de títulos públicos ocorreu em um ambiente de preocupação com a inflação, após o petróleo superar US$ 100 por barril.

Investidores também passaram a considerar maior a possibilidade de alta dos juros nos Estados Unidos no curto prazo. O movimento importa porque os rendimentos da dívida soberana servem de referência para preços de ativos e para custos de crédito, como hipotecas, financiamentos e empréstimos corporativos.

Petróleo eleva temor de inflação

A escalada do petróleo reforçou os receios de que a guerra no Oriente Médio, já em seu sexto mês, provoque pressões mais persistentes sobre os preços. Com isso, investidores passaram a exigir remuneração maior para manter títulos de dívida pública.

Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank, atribuiu o movimento aos riscos geopolíticos. Para ele, esses temores voltaram a comandar a reação dos mercados de renda fixa.

Além da energia, os investidores monitoravam os dados de preços ao produtor dos Estados Unidos, que subiram em agosto. O resultado alimentou apostas de uma elevação iminente dos juros quando o Federal Reserve se reunisse na semana seguinte.

Mais uma vez, são os temores geopolíticos que estão impulsionando tudo”

Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank

Juros sobem nas economias do G7

Os rendimentos de referência de títulos de 10 anos dos países do G7 avançaram, em média, quase 19 pontos-base na semana. Segundo os dados reportados, foi a pior semana para esses papéis desde o início da guerra no Oriente Médio.

Nos títulos de dois anos, mais sensíveis às expectativas de inflação e de juros, a alta média foi de 22 pontos-base. Itália e Reino Unido, grandes importadores de energia, registraram os maiores aumentos.

Na Europa, o Banco Central Europeu elevou os juros na quinta-feira (10) e alertou que as pressões de preços podem durar. Ao mesmo tempo, os custos de financiamento alcançaram níveis máximos de várias décadas em mercados como Tóquio, Sydney, Nova York e Londres.

Déficits pressionam dívida pública

O crescimento acelerado do endividamento público nas economias desenvolvidas também pesou sobre o mercado. Investidores demonstraram preocupação recorrente com os déficits fiscais e passaram a demandar retornos mais altos para comprar títulos soberanos.

Mansoor Mohi-uddin, estrategista-chefe de macroeconomia do Bank of Singapore, associou a pressão a uma combinação de petróleo mais caro, temor inflacionário, postura mais rígida dos bancos centrais e dúvidas fiscais.

Se os dados do índice de preços ao consumidor forem fortes, os rendimentos do Treasury de 10 anos provavelmente ultrapassarão 5,00%”

Mansoor Mohi-uddin, estrategista-chefe de macroeconomia do Bank of Singapore

O estrategista afirmou que um dado forte de inflação ao consumidor nos Estados Unidos poderia levar o rendimento do Treasury de 10 anos acima de 5%. Os números do índice de preços ao consumidor estavam previstos para divulgação ainda na sexta-feira (11).

Marca de 5% pode afetar ações e crédito

Alguns analistas tratam uma permanência do rendimento do Treasury de 10 anos acima de 5% como um limiar relevante. Nesse patamar, títulos públicos poderiam se tornar mais competitivos diante das ações e atrair recursos hoje aplicados no mercado acionário.

Rendimentos maiores dos Treasuries tendem a se espalhar pela economia, encarecendo hipotecas, crédito ao consumidor, financiamento de veículos e empréstimos para empresas e governos locais. Por isso, a alta também amplia as dificuldades orçamentárias de governos com custos maiores da dívida.

O nível de 5% foi superado apenas brevemente no fim de 2023 e também em 2006 e 2007. Antes desses episódios, o rendimento do Treasury de 10 anos não havia permanecido de forma significativa acima desse limite desde 2002.

No Japão, o rendimento do título público de 10 anos subiu 6 pontos-base, para 2,97%, diante da expectativa de elevação dos juros pelo Banco do Japão. Já o título alemão de 10 anos rendia 3,503%, enquanto o francês se mantinha perto de 4,429%, em máximas de 16 anos.

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