Inflação dos EUA acelera para 0,4% em agosto, aponta CPI

Alta da gasolina ajudou a elevar o índice mensal, enquanto o mercado passou a precificar maior chance de aumento dos juros pelo Federal Reserve.

Da
Redação
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O CPI dos Estados Unidos registrou alta de 0,4% em agosto, após avanço de 0,1% em julho.
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A inflação dos EUA medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,4% em agosto, após alta de 0,1% em julho, segundo dados divulgados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho. A recuperação do preço da gasolina, depois de duas quedas mensais consecutivas, contribuiu para a aceleração.

Em 12 meses até agosto, o CPI avançou 3,4%, mesma taxa registrada em julho. O resultado ficou em linha com as projeções de economistas consultados pela Reuters e reforçou, nos mercados financeiros, a expectativa de que o Federal Reserve eleve os juros na reunião de política monetária prevista para 15 e 16 de setembro.

Gasolina impulsiona alta mensal

O avanço de 0,4% no indicador cheio representou uma aceleração em relação ao resultado de julho. De acordo com as informações divulgadas, a reversão nos preços da gasolina teve peso nessa mudança.

Os preços do petróleo voltaram a superar US$ 100 por barril na quinta-feira anterior à divulgação do CPI. Ao mesmo tempo, o diesel alcançou níveis recordes, em um movimento que sugeria a permanência de pressões sobre os preços.

A alta de combustíveis e alimentos também apareceu como fator de insatisfação entre consumidores. O material aponta que o encarecimento desses itens esteve associado a uma queda acentuada nos índices de aprovação do presidente Donald Trump.

Núcleo desacelera na comparação anual

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia por serem componentes mais voláteis, avançou 0,3% em agosto. Em julho, a variação mensal havia sido de 0,2%.

Apesar da aceleração mensal, a taxa anual do núcleo recuou. O indicador subiu 2,4% nos 12 meses até agosto, depois de registrar alta de 2,5% no período de 12 meses encerrado em julho.

Terá trabalho a fazer se os formuladores de políticas não obtiverem a confiança necessária de que a inflação está caminhando para a queda de 2%.”

Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve

Essa diferença entre as leituras mensal e anual ajuda a compor o quadro acompanhado pelo mercado. Enquanto a gasolina elevou o índice cheio no mês, a variação anual do núcleo mostrou desaceleração em relação ao dado anterior.

Fed acompanha outra medida de preços

O Federal Reserve utiliza o índice de preços das Despesas de Consumo Pessoal, conhecido pela sigla PCE, como referência para sua meta de inflação de 2%. Por isso, os dados do CPI e do Índice de Preços ao Produtor (PPI) são observados também por suas implicações para essa medida.

O governo havia informado, na quinta-feira, alta do PPI em agosto, com aumentos fortes em componentes que entram no cálculo da inflação do PCE. Somado ao relatório de emprego de agosto, considerado fraco no material, o dado ampliou as apostas em aperto monetário.

Após a divulgação do PPI, estimativas de economistas para o núcleo do PCE de agosto variaram de alta de 0,15% a 0,28% no mês. Para a taxa anual, as projeções ficaram entre 3,2% e 3,3%, após avanço de 3,3% nos 12 meses até julho.

Mercado eleva aposta em aumento dos juros

Antes da divulgação do relatório de inflação, os mercados financeiros precificavam cerca de 70% de probabilidade de uma alta de 25 pontos-base na taxa de juros do Fed, conforme a ferramenta FedWatch da CME.

A taxa básica overnight do banco central americano estava na faixa de 3,50% a 3,75%. Uma elevação de 25 pontos-base, se decidida, ocorreria após uma sequência de dados que mantiveram a inflação e a atividade no centro do debate monetário.

Na semana anterior, o presidente do Fed, Christopher Waller, havia indicado inclinação para defender a manutenção das taxas caso os dados confirmassem redução das pressões inflacionárias. O CPI de agosto, contudo, trouxe uma aceleração do índice cheio em relação ao mês anterior.

BAIXEM A TAXA OU PARAREI DE NEGOCIAR COM PAÍSES COM OS QUAIS TEMOS DÉFICIT”.”

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Tarifas podem prolongar pressões

Alguns economistas citados no material previram persistência das pressões de preços em razão de tarifas de importação. Entre as medidas mencionadas estão tarifas mais recentes contra o Canadá, um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos.

O impacto potencial dessas tarifas se soma às altas de energia no acompanhamento da inflação. Dessa forma, a evolução dos custos de importação e dos combustíveis ganha relevância para as próximas leituras de preços.

O relatório do PCE de agosto também deverá incorporar mudanças metodológicas. Segundo alguns economistas, essas alterações podem reduzir a taxa de inflação subjacente em alguns pontos-base.

Pressão política cerca decisão monetária

Donald Trump pressionou o Fed por cortes nas taxas de juros em publicação nas redes sociais na semana anterior. A posição do presidente contrasta com as expectativas de parte do mercado após os novos dados de inflação.

Kevin Warsh, presidente do Fed, havia dito no mês anterior que o banco central precisaria agir caso os formuladores de política não ganhassem confiança de que a inflação avançava rumo à meta de 2%.

Economistas atribuíram a elevação dos rendimentos dos títulos públicos americanos de longo prazo ao que classificaram como intimidação política. Alguns deles esperavam que o Fed apertasse a política monetária na reunião seguinte como forma de reforçar sua independência.

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