O Banco Central Europeu (BCE) elevou em 0,25 ponto percentual sua taxa de depósito, que passou a 2,5%, em decisão anunciada na quinta-feira (10). A nova taxa entra em vigor em 16 de setembro, na segunda alta promovida pela instituição no ano.
A medida responde à aceleração da inflação na zona do euro, atribuída no comunicado do BCE aos custos mais altos de energia em meio à guerra contra o Irã. A área monetária reúne 21 países, e a inflação ficou acima de 3% no mês anterior, distante da meta de 2% da autoridade monetária.
BCE eleva juros para 2,5%
Com a decisão, a taxa de depósito de referência do BCE alcançou 2,5%. Segundo o material divulgado após a reunião, esse nível corresponde ao limite superior da faixa considerada neutra pelas autoridades monetárias.
Na avaliação do banco, uma taxa neutra não restringe nem estimula o crescimento econômico. Ainda assim, o aumento ocorre em um ambiente no qual a instituição vê riscos de inflação mais alta e de crescimento mais fraco.
O BCE informou que as perspectivas continuam altamente incertas. A autoridade apontou, ao mesmo tempo, riscos de alta para os preços e riscos de baixa para a atividade econômica.
Energia pressiona a inflação
A alta do petróleo e do gás natural impulsionou a inflação da zona do euro para mais de 3% no mês passado. Além disso, a escalada recente do conflito indica possibilidade de novas pressões sobre os preços.
O banco também acompanha o risco de que o encarecimento da energia alcance as negociações salariais. Esse tipo de transmissão poderia ampliar a persistência da inflação para além dos combustíveis e da energia.
Os preços do gás natural ganharam importância adicional com a aproximação da temporada de aquecimento no inverno. Os níveis de armazenamento estão abaixo das médias históricas, segundo as informações que acompanharam a decisão.
Indicadores reduzem parte da pressão
Apesar do choque energético, os custos mais altos ainda não se espalharam para outros bens e serviços. Dessa forma, não se confirmaram rapidamente os efeitos de segunda ordem que preocupavam parte do mercado.
A inflação subjacente, que desconsidera alimentos e combustíveis, desacelerou no mês anterior. A moderação da inflação de serviços contribuiu para esse resultado.
O crescimento dos salários também continua perdendo força, conforme o material sobre a reunião. Por outro lado, os rendimentos dos títulos avançaram com força, em movimento associado principalmente aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o que aperta as condições de financiamento.
Projeções revisam crescimento e preços
O BCE elevou sua projeção de crescimento da zona do euro para 2026, de 0,8%, estimados em junho, para 0,9%. A revisão indica que a atividade econômica mostrou mais resiliência do que se temia.
Para a inflação média, a instituição passou a prever 3,0% em 2026 e 2,5% em 2027. As estimativas mantêm os preços acima da meta de 2% do BCE nos dois anos projetados.
Investidores financeiros esperam novas altas de juros ainda neste ano e em 2027. No entanto, o BCE tende a agir com cautela nas próximas decisões, diante de sinais mistos: a energia sustenta a pressão inflacionária, enquanto a inflação subjacente e os salários perderam força.


