O iene atingiu nesta segunda-feira (7) o maior nível em sete meses, enquanto investidores revisam as expectativas para a política monetária do Banco do Japão e avaliam a possibilidade de repatriação de recursos aplicados no exterior. O movimento também levou o dólar a cair abaixo de 155 ienes.
O câmbio japonês avançou antes de uma semana marcada por eventos econômicos relevantes. O mercado aguarda o relatório de inflação dos Estados Unidos na sexta-feira (11), a reunião do Banco Central Europeu na quinta-feira (12) e novos sinais sobre os juros do Federal Reserve.
Iene rompe nível observado pelo mercado
O dólar chegou a 154,05 ienes, menor cotação desde fevereiro, e depois era negociado a 154,4 ienes, com queda de 1,1%. A moeda americana também recuou em relação aos níveis registrados no início da semana anterior.
Na terça-feira passada, o dólar havia sido negociado acima de 160 ienes. Por isso, a oscilação recente reforçou a percepção de que o mercado passou a revisar posições que apostavam em uma desvalorização prolongada da moeda japonesa.
O rompimento da marca de 155 ienes ganhou atenção porque esse nível havia funcionado como referência após intervenções conjuntas de Washington e Tóquio para apoiar o iene. Na ocasião, a moeda japonesa era negociada perto de mínimas em 40 anos.
Expectativas sobre o Japão impulsionam a moeda
Os investidores passaram a considerar a possibilidade de um aperto monetário mais rápido pelo Banco do Japão. Essa expectativa aumentou a procura pelo iene e alterou a avaliação sobre a diferença entre os juros japoneses e os praticados em outras economias.
Outro fator citado no mercado é a possível repatriação de capitais por investidores japoneses. A volta desses recursos ao país pode elevar a demanda pela moeda, embora o material não informe o volume envolvido nem confirme uma mudança generalizada nos fluxos.
Romper esse nível é um sinal otimista e podemos ver uma valorização ainda maior do iene”
Lee Hardman, analista sênior de câmbio da MUFG
Lee Hardman, analista sênior de câmbio da MUFG, afirmou que a quebra do nível de 155 ienes pode ampliar a valorização da moeda japonesa. Segundo ele, a marca havia funcionado como piso para o dólar em movimentos anteriores de fortalecimento do iene depois de intervenções.
Carry trade entra no radar
O mercado também acompanha o possível desmonte de operações de carry trade financiadas em ienes. Nessa estratégia, investidores tomam recursos em uma moeda com custo de financiamento mais baixo para aplicar em ativos de maior retorno.
Quando o iene se valoriza, essas operações podem ficar menos atraentes e estimular a redução de posições. Dessa forma, a compra da moeda japonesa para encerrar contratos pode ampliar o movimento de alta, embora o material não quantifique esse efeito.
Eric Robertsen, chefe global de pesquisa e estrategista-chefe do Standard Chartered, disse que uma valorização persistente do iene poderia indicar mudanças na alocação de ativos. Ele também observou que as operações de carry trade tiveram desempenho positivo neste ano, apesar do aumento dos custos de empréstimo em diversas economias.
Inflação dos EUA pode mudar o rumo do dólar
O relatório de inflação dos Estados Unidos, previsto para sexta-feira (11), aparece como o principal evento da semana para o mercado cambial. Os dados podem influenciar a avaliação sobre uma eventual alta dos juros do Federal Reserve ainda neste mês.
Após um relatório de empregos não agrícolas mais forte do que o esperado, os investidores passaram a precificar uma probabilidade de aproximadamente 60% de aumento dos juros pelo Fed em setembro. Ainda assim, essa estimativa pode mudar conforme os números de inflação forem divulgados.
Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados da BBH, afirmou que um índice de preços ao consumidor mais forte aumentaria a expectativa de alta dos juros e poderia apoiar o dólar. Uma leitura mais fraca, por outro lado, reforçaria a possibilidade de manutenção das taxas e deixaria a moeda americana sujeita a uma revisão para baixo das apostas monetárias.
Se o iene japonês se valorizar de forma persistente, isso pode sinalizar que o aumento das taxas de câmbio entre o iene e o dólar está começando a desencadear uma mudança na alocação de ativos”
Eric Robertsen, chefe global de pesquisa e estrategista-chefe do Standard Chartered
Europa também influencia o câmbio
O Banco Central Europeu se reúne na quinta-feira (12), e a expectativa geral indicada no material é de aumento dos juros da zona do euro. A decisão pode afetar a relação entre as principais moedas e limitar a vantagem do dólar associada a uma eventual alta do Fed.
O euro subiu 0,15%, para US$ 1,1630, enquanto a libra avançou em proporção semelhante, chegando a US$ 1,3539. O movimento mostrou que a queda do dólar diante do iene ocorreu junto de uma perda mais ampla da moeda americana.
Mesmo que o Federal Reserve eleve os juros em setembro, a análise citada no material avalia que o dólar pode não alcançar novas máximas do ciclo. O aperto monetário de outros grandes bancos centrais tende a reduzir a divergência entre as políticas econômicas.
Mercado aguarda novos sinais de juros
Até a divulgação dos dados americanos, o iene deve permanecer no centro das atenções dos investidores. A moeda combina expectativas sobre o Banco do Japão, possíveis fluxos de repatriação e o risco de encerramento de operações de carry trade.
Ao mesmo tempo, os mercados precisarão interpretar os efeitos conjuntos das decisões do Federal Reserve e do Banco Central Europeu. Mudanças nas perspectivas de juros podem alterar rapidamente o valor relativo do dólar, do iene e do euro.
O movimento desta segunda-feira não define, por si só, uma nova tendência cambial. No entanto, a queda do dólar abaixo de 155 ienes acrescenta um sinal de força à moeda japonesa depois da recuperação parcial observada desde as intervenções mencionadas no material.


