EUA e China discutem alerta para incidentes graves de IA

Proposta prevê canal bilateral para comunicar problemas de inteligência artificial com potencial impacto sobre a segurança nacional

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Redação
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O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping —ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP/30/10/2025
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Estados Unidos e China passaram a discutir a criação de um mecanismo bilateral para avisos sobre incidentes de inteligência artificial que possam representar riscos à segurança nacional. A proposta, apresentada pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, durante reunião em Nova York com o vice-premiê chinês He Lifeng, acrescenta uma etapa concreta ao diálogo entre as duas maiores potências de IA.

A ideia é estabelecer um canal de notificação para situações em que sistemas de inteligência artificial provoquem falhas, comportamentos inesperados ou eventos com potencial de afetar interesses estratégicos. O mecanismo ainda está em fase de discussão e não há acordo final sobre formato, critérios ou obrigações para os dois países.

O avanço ocorre poucos dias depois de especialistas americanos e chineses defenderem salvaguardas inspiradas em mecanismos usados na área nuclear, como linhas diretas de comunicação e limites para sistemas autônomos ligados a operações militares sensíveis. A discussão governamental amplia esse debate ao transformar o tema em pauta oficial entre Washington e Pequim.

Alerta para incidentes de IA

Bessent descreveu a proposta como um mecanismo de notificação para incidentes de IA com impacto potencial sobre segurança nacional. A lógica é permitir que um país informe o outro sobre eventos relevantes antes que falhas técnicas ou interpretações equivocadas provoquem escalada política ou militar.

Os detalhes ainda precisam ser negociados. Não está definido quais tipos de incidentes acionariam o sistema, quais órgãos seriam responsáveis pelos avisos ou se o mecanismo incluiria prazos obrigatórios para comunicação.

A criação de um canal desse tipo exigiria algum grau de confiança entre governos que competem diretamente em semicondutores, modelos avançados, infraestrutura de computação e aplicações militares. Ao mesmo tempo, ambos têm interesse em reduzir riscos de acidentes de grande impacto.

A proposta se aproxima de recomendações feitas por especialistas da Brookings Institution e da Universidade Tsinghua, que defenderam comunicação direta para evitar que sistemas de IA em áreas militares operem sem supervisão humana suficiente.

Tema entra na agenda bilateral

A reunião em Nova York ocorreu no contexto de negociações mais amplas entre os dois governos. Além da inteligência artificial, as delegações discutiram comércio, tarifas e mecanismos para reduzir tensões econômicas.

O diálogo sobre IA ganha peso porque Estados Unidos e China concentram parcela significativa da capacidade global de pesquisa, infraestrutura e desenvolvimento de modelos avançados. Decisões tomadas pelos dois países podem influenciar padrões de segurança adotados por outras economias.

A China classificou as conversas como francas e construtivas. O governo americano, por sua vez, apresentou o mecanismo de alerta como uma forma de ampliar transparência sem abandonar a competição tecnológica.

Especialistas pedem limites militares

Em diálogo paralelo entre pesquisadores e especialistas em segurança, representantes dos dois países defenderam que sistemas de IA não tenham autonomia para decisões ligadas ao lançamento de armas nucleares ou a determinadas operações cibernéticas críticas.

Outra recomendação foi preservar controle humano significativo em áreas capazes de produzir escalada rápida. O receio é que sistemas automatizados respondam a ameaças percebidas em velocidade superior à capacidade diplomática de conter um conflito.

Essas propostas não foram formalmente adotadas pelos governos. Elas funcionam como referência para a discussão bilateral e ajudam a delimitar os riscos que um sistema de notificação precisaria cobrir.

Acordo ainda não foi fechado

O mecanismo de alerta permanece em negociação e não há data divulgada para implementação. A discussão deve continuar em encontros de alto nível entre as duas administrações.

Um eventual acordo também teria de conviver com divergências sobre controle de exportações, acesso a chips avançados e uso militar da inteligência artificial. Esses temas continuam sendo pontos de atrito entre Washington e Pequim.

O próximo passo depende da definição de regras práticas para o sistema e da concordância sobre quais incidentes devem ser compartilhados. Até lá, a proposta representa uma tentativa de reduzir riscos sem suspender a competição tecnológica entre os dois países.

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