Trump chega à ONU com guerras e eleição dos EUA no centro da agenda

Presidente discursa após Lula nesta terça-feira e terá encontros com líderes europeus em uma semana marcada também por articulações com a China.

Da
Redação
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Donald Trump durante discurso na Assembleia Geral da ONU • UN Photo
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Donald Trump participa da semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York com conflitos internacionais, relações tensas com aliados europeus e a eleição de meio de mandato dos Estados Unidos compondo o pano de fundo de sua agenda. O presidente americano discursa nesta terça-feira, 22, logo depois do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

A 81ª sessão da Assembleia Geral reúne chefes de Estado e de governo entre 22 e 28 de setembro. A ONU estabeleceu como tema do debate deste ano a restauração da confiança e a gestão de transformações globais, em um momento de guerras, pressão sobre instituições multilaterais e disputas entre grandes potências.

Trump fala depois de Lula

O Brasil mantém a tradição de abrir o Debate Geral, seguido pelo país anfitrião, os Estados Unidos. Lula e Trump ocupam, portanto, as duas primeiras posições entre os chefes de Estado que sobem à tribuna no início da programação de terça-feira.

Não há encontro bilateral entre os dois presidentes confirmado até esta segunda-feira. As equipes diplomáticas estão em Nova York para uma semana de compromissos paralelos, mas a proximidade na ordem de discursos não implica uma reunião direta.

Trump volta à ONU depois de ter feito críticas à organização em 2025. Na ocasião, questionou o papel do organismo e também reclamou de problemas operacionais com teleprompter e escada rolante na sede.

O discurso deste ano deverá ser acompanhado de perto por governos aliados e adversários em razão das posições recentes dos Estados Unidos sobre conflitos armados, comércio e relações com instituições multilaterais.

Guerras dominam agenda externa

A guerra no Irã aparece entre os temas de maior peso para a política externa americana nesta Assembleia. O conflito provocou impactos sobre o mercado global de combustíveis e ampliou a preocupação de governos europeus com a possibilidade de novas escaladas.

Trump também chega a Nova York em um ambiente de divergências com parceiros tradicionais dos Estados Unidos. Líderes europeus têm buscado manter canais de diálogo com Washington enquanto defendem posições próprias sobre segurança, defesa e conflitos no continente.

A agenda do presidente inclui encontros com o presidente francês Emmanuel Macron e com o primeiro-ministro britânico Andy Burnham. As reuniões devem tratar de segurança internacional e da relação transatlântica, entre outros assuntos.

China ocupa outro eixo

Paralelamente à semana da ONU, a relação com a China permanece como outro eixo da política externa americana. Trump se prepara para receber Xi Jinping na Casa Branca em uma reunião que coloca comércio, segurança e competição estratégica entre as duas maiores economias do mundo no centro da agenda.

A aproximação com Pequim ocorre enquanto Washington administra divergências com aliados europeus, criando uma combinação diplomática em que os Estados Unidos mantêm negociações simultâneas com parceiros e rivais.

As conversas com líderes estrangeiros em Nova York também funcionam como preparação para decisões posteriores da Casa Branca. Nem todos os encontros produzem acordos imediatos, mas permitem alinhar posições antes de negociações bilaterais e multilaterais.

A Assembleia Geral oferece ainda reuniões paralelas fora do plenário, onde chefes de governo e chanceleres costumam tratar de temas específicos em encontros de curta duração.

Midterms entram no cálculo político

A participação de Trump ocorre a poucas semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Em novembro, estarão em disputa todos os assentos da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das cadeiras do Senado.

O desempenho do governo na política externa e na economia é parte do debate doméstico. Republicanos e democratas tentam transformar conflitos, preços de energia, comércio e alianças internacionais em argumentos para mobilizar seus respectivos eleitorados.

Trump também terá compromissos políticos em Nova York com integrantes do Partido Republicano. A agenda inclui ainda uma visita ao prefeito da cidade, o democrata Zohran Mamdani, apesar das diferenças públicas entre os dois.

A semana de alto nível da ONU segue até 28 de setembro, com reuniões dedicadas também a clima, desenvolvimento, elevação do nível do mar e preparação para pandemias. O primeiro discurso de Trump no plenário está previsto para terça-feira, imediatamente após a fala do presidente brasileiro.

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