O Grito dos Excluídos reuniu movimentos sociais em marchas e atos realizados nesta segunda-feira (7), em mais de 50 cidades de todas as regiões do Brasil, segundo os organizadores. A 32ª edição ocorreu no feriado de 7 de Setembro e teve como lema a defesa da Terra, da paz, da moradia, das mulheres e da soberania.
Os participantes apresentaram reivindicações por moradia digna, reforma agrária, educação pública, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), combate ao feminicídio, enfrentamento da violência contra as mulheres, combate ao racismo e à LGBTfobia. Além disso, defenderam o fim da escala de trabalho 6×1 e a preservação da democracia.
Movimentos levaram várias pautas às ruas
A mobilização combinou reivindicações sociais, políticas e ambientais. Faixas, bandeiras e palavras de ordem deram visibilidade a temas ligados à desigualdade, à violência e às condições de vida da população.
Os atos também abordaram a situação de pessoas sem moradia, a reforma agrária e o acesso a serviços públicos. A defesa do SUS e da educação apareceu ao lado de protestos contra o racismo, a LGBTfobia e diferentes formas de violência contra as mulheres.
Outra pauta presente foi o fim da escala 6×1. No material da manifestação no Rio de Janeiro, os organizadores afirmaram que a proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e ainda dependia de votação no Senado, prevista para depois das eleições.
São Paulo associou moradia à liberdade
Na capital paulista, os manifestantes percorreram ruas da região central antes de encerrar o ato com uma missa na Catedral da Sé, dedicada à população em situação de rua. A programação começou com um café da manhã comunitário.
Miriam Hermogenes, ativista da Central dos Movimentos Populares e uma das organizadoras, relacionou a liberdade à superação da situação de rua. Para ela, a sociedade ainda precisa avançar para que esse direito alcance toda a população.
O coordenador do cursinho Educafro, Frei David Santos, defendeu a mobilização em favor da democracia e alertou para a influência econômica nas eleições. Já Célia Souza participou do ato para reivindicar moradia digna, tratada por ela como uma necessidade básica.
Manifestantes denunciaram violência policial
Deuza Cordeiro de Lima participou do protesto em São Paulo para denunciar a violência policial. Segundo seu relato, o filho, Thiago, foi morto em janeiro de 2023, na região central da cidade.
Ela afirmou que os responsáveis pelo assassinato continuam livres e que seguirá denunciando o caso. A declaração foi apresentada no ato como parte da pauta contra a violência policial e em defesa de justiça para familiares de vítimas.
A denúncia se somou às reivindicações nacionais contra o feminicídio e outras formas de violência. No entanto, o material não informa a conclusão de investigação ou decisão judicial sobre a morte mencionada pela manifestante.
A gente faz uso desse dia para dizer: Olha, não temos liberdade ainda, temos que avançar muito para ser um país, uma sociedade em liberdade”
Miriam Hermogenes, ativista da Central dos Movimentos Populares
Rio usou teatro para discutir democracia
No Rio de Janeiro, a manifestação atravessou a Avenida Presidente Vargas depois do Desfile de Sete de Setembro. A marcha teve a participação da Escola de Teatro Popular, que apresentou cenas sobre soberania nacional e democracia.
O grupo se identifica como um movimento de teatro político e educação popular. Um de seus coordenadores é o pesquisador e dramaturgo Julian Boal, filho de Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido.
Segundo Julian Boal, as encenações buscaram mostrar que a participação política não termina com as eleições. A atividade também procurou aproximar outras pessoas do ato e discutir o papel das instituições e da mobilização social.
Durante o percurso, participantes criticaram o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, defenderam o fim da escala 6×1 e exibiram fotos de vítimas da Ditadura Militar. Um globo cenográfico de aproximadamente três metros representou a preocupação com o meio ambiente.
Ato carioca reforçou a luta por moradia
A moradia foi uma das principais bandeiras do protesto no Rio. Ricardo Pitta, coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, defendeu a mobilização popular como caminho para que grupos vulneráveis revertam injustiças.
Ele criticou a submissão das demandas sociais ao calendário eleitoral e relatou ameaças de despejo enfrentadas por moradores. De acordo com Pitta, parte dos imóveis públicos ocupados não cumpre a função social prevista na Constituição e pode ser levada a leilão.
O movimento coordenado por Pitta mantém quatro ocupações na cidade, conforme o material. A reportagem não informa quantas pessoas vivem nessas áreas nem detalha eventuais processos judiciais relacionados aos imóveis.
Durante a marcha, um grupo de cerca de 15 pessoas tentou hostilizar os manifestantes com gritos. Policiais militares que acompanhavam o trajeto intervieram, e o grupo se afastou sem registro de confusão, segundo a cobertura do ato.
Brasília apresentou compromissos ambientais
Em Brasília, integrantes do Núcleo de Ecologia Integral relacionaram a crise ecológica à justiça social e à responsabilidade política. O grupo apresentou uma carta de compromisso destinada a candidatos do campo progressista nas eleições deste ano.
O documento foi elaborado após um seminário e reúne quatro eixos: políticas agrícolas e fundiárias; políticas urbanas e de resíduos no Distrito Federal e no Entorno; justiça climática e proteção às vítimas; e propostas para a nascente da Estação Ecológica de Águas Emendadas.
A área é apontada no material como importante para duas bacias hidrográficas: a do Tocantins-Araguaia e a do Paraná. Ana Clara Botafogo, engenheira florestal, afirmou que o núcleo pretende entregar uma cópia da carta a todos os eleitos após as eleições, independentemente do campo ideológico.
A professora universitária Altaci Kokama descreveu o Grito dos Excluídos como um espaço de reivindicação para pessoas sem casa, trabalho ou alimento e para quem busca justiça. Ela também apontou dificuldades de mobilização, como os custos de transporte e alimentação dos participantes.


