Ácido domoico intoxica leões-marinhos e também ameaça humanos

Mais de 100 casos foram registrados na Califórnia em 2026; neurotoxina pode causar convulsões, perda de memória e morte em exposições graves

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Redação
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Mais de 100 casos foram registrados na Califórnia em 2026; neurotoxina pode causar convulsões, perda de memória e morte em exposições graves
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Mais de 100 casos de intoxicação por ácido domoico em leões-marinhos foram registrados em 2026 na Califórnia, acima da faixa de 70 a 90 ocorrências observada em anos típicos. Os animais afetados podem apresentar desorientação, tremores, convulsões, comportamento imprevisível e danos neurológicos provocados por uma toxina produzida durante florações de determinadas algas marinhas.

O problema chama atenção também para a saúde humana. O ácido domoico pode se acumular em peixes, crustáceos e moluscos e causar intoxicação amnésica por frutos do mar quando alimentos contaminados são consumidos em níveis elevados. Autoridades de saúde da Califórnia mantêm monitoramento permanente e podem recomendar fechamento de áreas de pesca quando a concentração ultrapassa limites de segurança.

Toxina nasce em florações

O ácido domoico é produzido principalmente por diatomáceas do gênero Pseudo-nitzschia. Essas microalgas existem naturalmente no oceano, mas determinadas combinações de nutrientes, correntes e condições ambientais podem favorecer florações capazes de elevar a quantidade de toxina disponível na cadeia alimentar.

Peixes pequenos, como sardinhas e anchovas, podem ingerir as algas sem apresentar sinais evidentes de doença. Quando leões-marinhos consomem grandes quantidades desses peixes contaminados, a toxina chega ao sistema nervoso e pode provocar convulsões, movimentos descoordenados, letargia, alterações de comportamento, danos cerebrais e morte.

A ressurgência oceânica tem papel importante nesse processo. O fenômeno traz águas profundas e ricas em nutrientes para a superfície da costa da Califórnia, alimentando a produtividade marinha, mas também pode favorecer o crescimento de algas produtoras de ácido domoico.

A NOAA já documentou episódios em que florações tóxicas atingiram simultaneamente leões-marinhos, golfinhos e outros animais marinhos. A intensidade varia de acordo com a localização, a duração da floração e a quantidade de toxina acumulada nas presas consumidas pelos mamíferos.

Leões-marinhos perdem orientação

Os sinais neurológicos são uma das características mais visíveis da intoxicação. Animais doentes podem aparecer imóveis nas praias, caminhar de forma descoordenada, reagir agressivamente, apresentar espasmos ou sofrer crises convulsivas.

O efeito ocorre porque o ácido domoico interfere na atividade de regiões do cérebro envolvidas em memória, orientação e controle de movimentos. Estudos com leões-marinhos também identificaram efeitos crônicos em animais que sobreviveram a exposições anteriores, incluindo quadros semelhantes à epilepsia.

Equipes especializadas podem tratar alguns animais com fluidos e medicamentos para controlar convulsões, mas o resultado depende da dose recebida e da rapidez do atendimento. Casos graves podem evoluir para lesões permanentes ou morte.

Humanos também podem adoecer

Em pessoas, o principal risco ocorre pela ingestão de frutos do mar contaminados. O Escritório de Avaliação de Riscos à Saúde Ambiental da Califórnia informa que doses menores podem causar náusea, vômito e diarreia, enquanto exposições maiores podem provocar convulsões, coma, perda irreversível de memória e morte.

A toxina pode se acumular em mexilhões, ostras, amêijoas, vieiras, caranguejos e outros organismos marinhos. Cozinhar ou congelar o alimento não elimina o ácido domoico, por isso o controle depende do monitoramento das águas e da interrupção da coleta ou comercialização quando níveis perigosos são detectados.

Até setembro de 2026, a Califórnia não havia registrado casos humanos confirmados de intoxicação por ácido domoico. A orientação oficial, porém, é acompanhar avisos de pesca e coleta, especialmente para mariscos obtidos de forma recreativa, que não passam pelo mesmo sistema de fiscalização dos produtos comerciais.

Distância protege pessoas e animais

Encontrar um leão-marinho intoxicado na praia não significa risco de transmissão direta do ácido domoico para uma pessoa. A ameaça física vem do comportamento imprevisível do animal doente, que pode reagir de maneira abrupta quando alguém se aproxima.

A NOAA recomenda manter distância, não alimentar, não tocar e não tentar empurrar o animal de volta ao mar. Cães também devem permanecer afastados, porque a aproximação pode provocar estresse no mamífero e aumentar a possibilidade de ferimentos.

Na costa oeste dos Estados Unidos, ocorrências de mamíferos marinhos debilitados podem ser comunicadas à rede regional de encalhes. O monitoramento desses casos também ajuda pesquisadores a acompanhar a distribuição das florações tóxicas e seus efeitos sobre o ecossistema.

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