O dólar comercial encerrou em leve baixa de 0,08%, cotado a R$ 5,102, refletindo a repercussão da ata do Copom pelo mercado financeiro doméstico nesta terça-feira. A divulgação ocorreu após o colegiado decidir reduzir a taxa básica de juros para 13,75% ao ano na semana anterior.
Depois de passar a maior parte do dia em trajetória de baixa, o Ibovespa recuperou fôlego e fechou a sessão em alta de 0,44%, alcançando 187.422 pontos. O movimento foi sustentado pelo apetite ao risco e por ações de grande peso no índice principal.
Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, aponta que dois pilares sustentaram o mercado acionário brasileiro. O primeiro envolve o clima em torno do pleito presidencial, com pesquisas mostrando disputa apertada e expectativa de cenário fiscal previsível.
Bancos e commodities dão suporte
O segundo fator apontado por especialistas reside no desempenho dos grandes bancos, que possuem forte representatividade no índice e sustentaram os negócios. A Bolsa também encontrou suporte nas ações da Petrobras, que subiram 0,72%, e da Vale, que avançaram 0,38%.
Apesar do resultado positivo no pregão, analistas destacam a saída contínua de investidores estrangeiros da praça local. O fenômeno é atribuído à alta dos juros nos Estados Unidos, que drena a atratividade de mercados emergentes para o capital externo.
No cenário corporativo e global, as cotações do petróleo também entraram no radar dos investidores após recuarem abaixo de US$ 100 o barril. O movimento reflete expectativas ligadas a negociações internacionais e tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Ata do Copom e juros futuros
A ata do Copom manteve o tom cauteloso e apontou perda de força da atividade econômica diante dos juros elevados e da trajetória de queda inflacionária. A autoridade monetária seguiu indicando confiança no processo de desinflação da economia brasileira.
Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, avalia que o documento sinaliza inclinação para novos cortes na taxa Selic nas próximas reuniões. A continuidade do afrouxamento monetário, contudo, permanece condicionada ao comportamento do câmbio e ao desenrolar político.
Caio Megale, economista-chefe da XP, reforça que a atividade econômica ainda parte de um patamar forte, mas os indicadores caminham na direção desejada pelo Banco Central. Para ele, o ciclo de ajustes nos juros segue como cenário-base, embora o ambiente externo traga riscos.
Pesquisa eleitoral e exterior
No front político, os investidores repercutiram a nova pesquisa Quaest divulgada no período. O levantamento aponta o presidente Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, que registra 33%.
Em eventual simulação de segundo turno, o cenário aponta empate técnico entre os dois nomes na margem de erro. O ambiente eleitoral acirrado adiciona volatilidade aos negócios locais, dividindo a atenção do mercado com os indicadores fiscais e monetários.
Enquanto isso, os juros futuros fecharam em trajetória de queda nas pontas intermediária e longa da curva a termo. O movimento reflete tanto a leitura da política monetária interna quanto a cautela decorrente da volatilidade externa e do cenário fiscal.
Perspectivas para o mercado
A condução da política monetária nos Estados Unidos e o comportamento das Treasuries continuam ditando o ritmo dos fluxos financeiros globais. A cautela externa limita manobras mais agressivas de valorização dos ativos locais no curto prazo.
A volatilidade das commodities energéticas, influenciada por noticiários geopolíticos e reuniões internacionais, também permanece sob monitoramento estrito das mesas de operação. O mercado segue atento a novos desdobramentos diplomáticos e comerciais.
Dessa forma, os investidores mantêm posições defensivas enquanto aguardam sinais mais claros sobre a economia real e a sucessão presidencial. A estabilidade fiscal e a trajetória da inflação seguirão como bússolas para o Ibovespa e para o câmbio.


