A tarifa real média das passagens aéreas comercializadas no Brasil registrou uma alta expressiva de 14,5% em agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com os dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o valor médio por trecho ficou em R$ 776,87, já com os valores devidamente atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em relação ao ano de 2024, o aumento acumulado nos preços foi de 10,4%, conforme os indicadores oficiais da agência reguladora. O encarecimento geral das passagens reflete diretamente a pressão de custos operacionais sobre as companhias que operam no mercado doméstico nacional.
Impacto direto do querosene
O principal motor para a alta das tarifas no período foi o encarecimento do querosene de aviação (QAV). O insumo essencial para os voos registrou um salto expressivo de 31,8% no preço, alcançando a marca de R$ 4,98 por litro durante o mês de agosto.
Como o combustível representa uma das fatias mais pesadas nos custos operacionais das empresas aéreas, a variação repercute rapidamente nos bilhetes oferecidos aos passageiros. A alta do QAV pressiona a margem das companhias e reduz o espaço para tarifas promocionais nas principais rotas do país.
Faixas de preços praticadas
Apesar da alta generalizada no preço médio, o mercado doméstico ainda manteve uma parcela significativa de bilhetes em patamares mais acessíveis. Dados da Anac apontam que 34,8% dos assentos comercializados ao longo do mês ficaram na faixa abaixo de R$ 500.
Por outro lado, as viagens de maior custo ou adquiridas em cima da hora representaram uma fatia menor, mas expressiva. Do total de assentos vendidos em agosto, 9,2% custaram mais de R$ 1,5 mil por trecho.
Metodologia do levantamento
O cálculo da tarifa real média elaborado pela Anac engloba todos os bilhetes aéreos adquiridos pelos passageiros domésticos em agosto, avaliando os dados rota a rota. O levantamento considera estritamente o preço líquido pago pelo serviço de transporte aéreo.
Ficam de fora da conta taxas adicionais e serviços adquiridos à parte, como franquias de bagagem e marcação de assentos, além da taxa de embarque. O modelo também exclui bilhetes com descontos não abertos ao público em geral, a exemplo de passagens corporativas, resgates com milhagens e gratuidades para funcionários.


