A Polícia Federal divulgou nesta terça-feira (22/9) novos documentos do inquérito que apura fraudes financeiras e prejuízos bilionários envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master. Entre as evidências anexadas aos autos, constam mensagens extraídas do aparelho telefônico de Dario Oswaldo Garcia Júnior, então diretor executivo de Finanças e Controladoria do BRB, que expõem um desgaste profundo nas negociações entre as instituições financeiras.
As conversas, datadas de 4 de novembro de 2025, ocorreram poucas semanas antes da primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro daquele ano. Nos diálogos, Dario e o advogado e consultor externo Fabiano Jantalia criticam duramente a postura de representantes do Banco Master durante conversas sobre operações de crédito.
O inquérito conduzido pela Polícia Federal apura a compra de carteiras de crédito problemáticas que resultaram em perdas estimadas em cerca de R$ 12 bilhões para o BRB. O levantamento de sigilos pelo Supremo Tribunal Federal permitiu a publicidade de relatórios que detalham os bastidores e as tensões vividas por dirigentes e consultores jurídicos pouco antes das investidas policiais.
Diálogo expõe termos pejorativos
O trecho da conversa anexado pelo órgão policial demonstra a insatisfação mútua entre os operadores financeiros e jurídicos diante de impasses contratuais. Fabiano Jantalia iniciou o contato criticando o comportamento da contraparte ao relatar dificuldades em avançar com acordos pendentes entre as instituições envolvidas.
Em resposta ao comentário do consultor sobre as tratativas, o então diretor financeiro do BRB utilizou xingamentos para qualificar os representantes do banco privado. A troca de mensagens seguiu com críticas diretas à falta de transparência e de formalidade documental por parte do Banco Master nas demandas apresentadas.
A escalada de irritação culminou no momento em que Jantalia classificou os interlocutores como picaretas, obtendo concordância imediata do executivo do BRB. Para a Polícia Federal, o intercâmbio verbal comprova que os envolvidos já percebiam contornos problemáticos e condutas questionáveis nas tratativas comerciais.
PF aponta reconhecimento de riscos
De acordo com o relatório elaborado pelos investigadores federais, o teor das mensagens revela que a diretoria financeira e o jurídico externo já enxergavam a situação como uma crise institucional irreversível. Os registros indicam que os profissionais identificavam potenciais desdobramentos criminais associados aos negócios em andamento.
A corporação destacou em seu parecer que o advogado e consultor externo reconheceu expressamente a existência de má-fé por parte do Banco Master nas negociações de carteiras de crédito. A concordância imediata da diretoria do BRB reforçou a tese de que os riscos operacionais e penais eram evidentes para os próprios gestores da instituição pública.
Esses elementos compõem o escopo probatório da Operação Compliance Zero, que busca responsabilizar dirigentes, fundos de investimento e autoridades envolvidos nas transações bilionárias sob escrutínio. A revelação das conversas joga luz sobre o grau de consciência que os executivos detinham acerca das irregularidades investigadas.
Investigação aprofunda fraude bilionária
As apurações em torno do Banco Master e do BRB representam um dos maiores escândalos financeiros recentes no âmbito do sistema bancário público regional. O volume de recursos movimentados em carteiras de crédito consideradas podres gerou um rombo bilionário que mobilizou órgãos de controle e o Poder Judiciário.
Com a quebra de sigilo autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, novas fases e desdobramentos da Operação Compliance Zero vêm a público, expondo a dinâmica corporativa e os alertas ignorados internamente. Documentos técnicos e relatórios de inteligência financeira continuam embasando as medidas cautelares contra os investigados.
O avanço das investigações aponta para a necessidade de esclarecer a conivência ou a omissão de diferentes escalões administrativos nas decisões que comprometeram o patrimônio do banco público. O material extraído de dispositivos eletrônicos permanece no centro da estratégia probatória da Polícia Federal.
Desdobramentos da Operação Compliance Zero
Deflagrada inicialmente em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero mudou o eixo das investigações sobre o mercado financeiro ao atingir diretamente a cúpula de instituições públicas e privadas. As medidas cumpridas incluíram mandados de busca e apreensão e afastamentos de cargos estratégicos.
A análise de mensagens e e-mails apreendidos permitiu aos investigadores traçar uma linha do tempo detalhada sobre a deterioração das relações e a tentativa de blindagem jurídica por parte de consultores contratados. O material reforça que o alerta sobre as fraudes antecedia as ações ostensivas da polícia.
A continuidade dos procedimentos judiciais deve avaliar a extensão da responsabilidade individual de cada executivo e consultor mencionado nos relatórios. O escrutínio sobre as carteiras de crédito segue como prioridade nas frentes de trabalho coordenadas pela Justiça e pela Polícia Federal.


