O mercado financeiro brasileiro encerrou esta quinta-feira (17) com o Ibovespa em leve alta e o dólar em queda, depois de uma sessão de fortes mudanças de direção. A Bolsa chegou a perder mais de 1% no pior momento do dia, mas recuperou terreno com apoio da Vale, da melhora em Wall Street e da queda dos preços do petróleo. No câmbio, a moeda americana terminou próxima de R$ 5,14.
Os números divulgados no fechamento variaram ligeiramente entre provedores por causa dos ajustes finais da B3. A Reuters informou leitura preliminar de 186.104,75 pontos para o Ibovespa, alta de 0,3%, enquanto outras plataformas registraram valor final próximo de 186 mil pontos. No câmbio, as cotações convergiram para R$ 5,139 por dólar, com queda em torno de 0,24% a 0,25%.
Vale ajuda Bolsa a virar
A principal sustentação do Ibovespa veio da Vale, que avançou e compensou parte da pressão observada em outros segmentos. A mineradora tem peso elevado na composição do índice e, por isso, movimentos mais fortes em suas ações costumam produzir impacto relevante no resultado geral da Bolsa.
O pregão começou com algum suporte do exterior, mas perdeu força depois de notícias domésticas relacionadas a gastos públicos. O Ibovespa chegou a 183.242,37 pontos na mínima, queda de 1,2% em relação ao fechamento anterior, antes de recuperar mais de dois mil pontos ao longo da tarde.
Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam em alta, lideradas pelas ações de tecnologia. O alívio nos rendimentos dos Treasuries e a queda do petróleo reduziram parte da aversão a risco global e favoreceram mercados emergentes no fim do dia.
A recuperação do Ibovespa mostrou como a sessão foi dividida entre a cautela com o cenário fiscal e eleitoral no Brasil e a melhora do ambiente externo.
Dólar recua após oscilar
O dólar também mudou de direção ao longo do pregão. A moeda americana abriu em baixa, passou a subir em parte da manhã e voltou ao terreno negativo no fim do dia, encerrando próxima de R$ 5,139 na venda.
O movimento refletiu tanto fatores domésticos quanto internacionais. O dólar perdeu força no exterior depois de ter se valorizado na véspera com a decisão do Federal Reserve de elevar os juros básicos dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o Banco Central brasileiro reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A combinação diminuiu o diferencial entre as taxas dos dois países, variável acompanhada por investidores porque influencia a atratividade relativa dos ativos brasileiros.
Apesar dessa redução do diferencial, o real conseguiu se fortalecer nesta quinta-feira junto com outras moedas latino-americanas, em um ambiente de menor pressão sobre os juros americanos e recuperação do apetite por risco.
Fiscal eleva a volatilidade
No mercado doméstico, investidores reagiram ao anúncio de reajuste do Bolsa Família. O governo informou aumento do benefício, com impacto fiscal adicional ainda em 2026 e efeito maior projetado para 2027.
A equipe econômica sustenta que a despesa será acomodada dentro das regras orçamentárias. Ainda assim, a notícia provocou cautela nas mesas de operação por causa da proximidade da eleição presidencial e da preocupação recorrente do mercado com a trajetória das contas públicas.
O efeito apareceu na Bolsa, no câmbio e na curva de juros durante a manhã. Parte desse movimento foi revertida mais tarde com a melhora do exterior, mas a oscilação deixou evidente a sensibilidade dos preços dos ativos a decisões fiscais nesta fase da campanha.
O petróleo também ajudou a reduzir a pressão. O Brent recuou para US$ 104,82 por barril depois de sinais de menor risco imediato de interrupção no fornecimento do Oriente Médio, movimento que diminuiu parte das preocupações inflacionárias globais.
Eleição segue no radar
A disputa presidencial permanece entre os fatores acompanhados pelo mercado. Pesquisas divulgadas nesta semana mostraram cenários apertados entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Como em todo levantamento eleitoral, os resultados têm margem de erro e representam uma fotografia do momento, não uma previsão de resultado.
Investidores observam propostas fiscais, tributárias e econômicas apresentadas durante a campanha, mas os movimentos diários de preços também refletem fatores internacionais, empresas específicas e decisões de política monetária. A sessão desta quinta-feira reuniu todos esses elementos ao mesmo tempo.
O Federal Reserve elevou a faixa de juros para 3,75% a 4,00% ao ano, enquanto o Banco Central do Brasil reduziu a Selic para 13,75%. A direção oposta dos dois bancos centrais adiciona incerteza ao câmbio e aos fluxos de capital.
Com o primeiro turno se aproximando, o mercado tende a permanecer sensível ao noticiário político e fiscal. Nesta quinta-feira, porém, o saldo final foi de Bolsa no positivo e dólar em queda, depois de uma sessão em que ambos chegaram a apontar para direções diferentes.


