A Polícia Federal encontrou uma lousa com esquemas e detalhamentos de negócios no escritório de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, localizado na Avenida Faria Lima, em São Paulo. O material foi descoberto durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025, e veio a público após a divulgação de novos documentos da investigação. No quadro, havia anotações manuscritas que mapeavam estruturas societárias e conexões financeiras ligadas ao grupo investigado pelas autoridades.
Entre as anotações presentes na lousa, os agentes federais identificaram referências diretas a empresas de grande porte e estruturas offshore, como o Banco Master, a Master Holding, a DV Holding e a trust Titan Cayman. O registro visual também chamou a atenção dos investigadores ao trazer menções nominais à própria Polícia Federal em dois pontos distintos do esquema estratégico montado no local.
As equipes policiais documentaram o achado como parte das diligências conduzidas para mapear a atuação financeira do grupo a partir do centro financeiro paulistano. Os dados recolhidos serviram para embasar os relatórios que detalham a complexa rede societária associada aos investigados ao longo das fases da operação federal.
Apreensões revelam bens de alto valor
Além do quadro explicativo, as equipes policiais apreenderam diversos itens de luxo e documentos de grande relevância probatória durante a diligência no escritório do executivo. Entre os materiais recolhidos constam sete pulseiras, dois anéis adornados com brilhantes, um relógio da marca Cartier e certificados de autenticidade das joias. O acervo confiscado evidencia o patrimônio mantido no local de trabalho.
Os registros da operação detalham ainda a apreensão de somas expressivas de dinheiro em espécie, tanto em moeda nacional quanto em divisas estrangeiras. As cédulas recolhidas foram catalogadas pelas equipes que participaram da operação de busca e apreensão na instituição financeira.
Esses valores e os itens de luxo passaram a integrar o conjunto probatório analisado pelos investigadores para apurar a origem e a movimentação dos recursos ligados à estrutura corporativa do executivo.
Contratos imobiliários entram na mira
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes federais também recolheram farta documentação em papel e arquivos voltados a transações imobiliárias. Entre os papéis confiscados estão contratos de compra e venda de imóveis de elevado valor econômico vinculados aos alvos da investigação.
A análise desse material documental é considerada essencial para rastrear o destino de valores e identificar possíveis conexões entre o patrimônio imobiliário e as empresas citadas nas anotações encontradas no escritório da Faria Lima.
Os papéis foram encaminhados para perícia e cruzamento de dados com as informações financeiras obtidas nas etapas anteriores da investigação coordenada pela Polícia Federal.
Desdobramentos da Operação Compliance Zero
A divulgação dos novos documentos traz a público detalhes até então restritos sobre os bastidores da primeira fase da Operação Compliance Zero, realizada no final de 2025. A ofensiva policial tem como foco apurar irregularidades e fraudes financeiras ligadas ao conglomerado investigado.
Com a revelação do teor da lousa e dos itens confiscados, o inquérito ganha novos elementos para esclarecer o organograma corporativo e a participação de cada estrutura offshore no esquema monitorado pelas autoridades competentes.
As investigações seguem em curso para destrinchar todas as ramificações societárias apontadas nos documentos apreendidos pelos agentes federais em São Paulo.


