Mensagens reveladas em um relatório da Polícia Federal mostram que o ex-presidente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa cobrou pressa do então diretor de Finanças e Controladoria, Dario Oswaldo Garcia Júnior, para ajustar um ofício destinado ao Banco Central. O diálogo ocorreu em julho de 2025 e integra as investigações sobre as operações financeiras envolvendo a instituição e o Banco Master.
Nas conversas inseridas no inquérito policial, o ex-dirigente orienta detalhadamente como o documento regulatório deveria ser redigido. A preocupação central girava em torno da abordagem sobre ativos e carteiras de crédito adquiridas, exigindo do subordinado um esforço imediato para mitigar possíveis reações severas da autoridade monetária diante dos riscos identificados no processo.
O material aponta que a cúpula do banco público monitorava de perto o impacto das carteiras problemáticas e buscava calibrar os números apresentados aos reguladores. A diretoria discutia estratégias para demonstrar recuperação de valores bilionários como forma de arrefecer cobranças externas e evitar medidas punitivas mais duras por parte do órgão de fiscalização do sistema financeiro nacional.
Polícia Federal expõe diálogo interno da diretoria
O conteúdo das mensagens passou a integrar formalmente o inquérito após inclusão pela Polícia Federal nesta terça-feira (22/9). Os investigadores buscam esmiuçar a tecer de decisões administrativas e os contatos mantidos entre os executivos do banco distrital durante as tratativas que antecederam o avanço das apurações oficiais sobre os negócios sob escrutínio.
A documentação reunida pelos investigadores detalha a troca de mensagens eletrônicas entre os gabinetes de comando da instituição financeira. O material serve para ilustrar o clima de urgência e tensão vivido pelos administradores diante da necessidade de prestar esclarecimentos formais sobre os ativos vinculados às operações investigadas pelas autoridades competentes.
Esse número é impactante e é ele que deve ser guardado A mensagem é dos R$ 12,8 bi de problema, R$ 10,8 bi já foram solucionados”
Paulo Henrique Costa
A análise desse fluxo de conversas permite à equipe de investigação mapear o grau de consciência dos dirigentes sobre as fragilidades apontadas pelos órgãos de controle. O escrutínio policial avança sobre a conformidade dos atos praticados pela antiga gestão do banco público no relacionamento com as empresas envolvidas no caso.
Ex-presidente detalha números bilionários em ofício
Durante a troca de orientações registrada no inquérito, o então presidente do BRB sugeriu destacar que montantes expressivos já haviam sido solucionados pelas equipes técnicas. A recomendação explícita era evidenciar que uma fatia significativa dos problemas financeiros acumulados contava com perspectivas concretas de equacionamento a curto prazo para influenciar a leitura do regulador.
A estratégia desenhada pela cúpula consistia em contrapor o volume total de passivos com os valores já recuperados ou em fase final de liquidação. Os registros mostram a insistência em apresentar um panorama considerado mais palatável e impactante para conter questionamentos rigorosos do Banco Central sobre a integridade das carteiras negociadas.
As diretrizes repassadas por Paulo Henrique incluíam a necessidade de fixar prazos claros e objetivos para a conclusão das operações pendentes. A exigência de precisão temporal refletia a tentativa de demonstrar controle operacional sobre as pendências regulatórias apontadas pela fiscalização federal durante o acompanhamento das atividades.
Urgência na entrega mobiliza cúpula do banco
O tom de cobrança escalou nos minutos seguintes às orientações iniciais enviadas pela presidência aos escalões subordinados da instituição financeira. A preocupação com o rigor técnico do material a ser protocolado gerou cobranças reiteradas por celeridade na finalização do texto que seria remetido a Brasília para apreciação da autoridade monetária.
Dario, infelizmente não podemos mandar meia-noite”
Paulo Henrique Costa
A exigência de pontualidade na entrega do documento evidenciou o receio de que atrasos pudessem agravar a situação institucional perante o órgão regulador. Os registros comprovaram que os dirigentes tentavam evitar a transmissão de informações fora do prazo estipulado para mitigar o risco de sanções administrativas imediatas.
A dinâmica revelada pelo inquérito retrata os bastidores de um momento crítico para a governança do banco público diante das exigências de conformidade. A pressão exercida pela alta gestão ilustra o esforço concentrado para responder às demandas regulatórias em meio a um cenário de forte escrutínio institucional.
Investigações avançam sobre operações financeiras
O avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal coloca sob holofotes as decisões estratégicas adotadas pela antiga direção do BRB em transações de grande vulto. O inquérito busca estabelecer responsabilidades individuais e coletivas na condução de negócios que envolveram recursos públicos e ativos de alto risco no mercado financeiro.
As autoridades continuam a examinar a documentação apreendida e os depoimentos colhidos ao longo das diligências para dimensionar o impacto real das operações sob investigação. O objetivo central é esclarecer se houve negligência, descumprimento de normas regulamentares ou outras irregularidades na gestão dos recursos institucionais.
O desdobramento dessas apurações mantém o foco sobre a transparência e a legalidade das práticas adotadas por instituições financeiras públicas em parcerias com o setor privado. O escrutínio continuado visa garantir a salvaguarda do erário e a estabilidade do sistema de crédito gerido por órgãos estatais.


