Importações de pequenas encomendas disparam e indústria têxtil exige igualdade

Volume de pacotes saltou após o fim do imposto de importação sobre compras de até US$ 50, segundo levantamento da Abit.

Da
Redação
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O volume de pequenas encomendas despachadas por plataformas estrangeiras cresceu expressivamente após o fim do imposto de importação de até US$ 50.
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As compras internacionais de pequenas encomendas registraram uma forte aceleração no mercado brasileiro após o fim da chamada taxa das blusinhas. O imposto de importação que incidia sobre remessas de até US$ 50 foi zerado, provocando um salto expressivo no volume de pacotes despachados por plataformas de comércio eletrônico estrangeiras para o país.

Dados compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram que o movimento de pacotes mudou de patamar com a alteração nas regras tributárias. Enquanto a média mensal ficava abaixo de 16 milhões de encomendas no início do período, os registros dispararam nos meses seguintes, alterando a dinâmica de concorrência no setor de vestuário.

O avanço das importações digitais impacta diretamente o comércio varejista e a cadeia produtiva local, que enfrenta concorrência acirrada de grandes plataformas globais. Diante disso, entidades do setor intensificaram as cobranças por maior rigor na fiscalização e equivalência de regras para proteger a produção interna.

Setor registra salto no volume de encomendas

Nos quatro primeiros meses do ano, o volume médio de remessas internacionais declaradas era de 15,4 milhões de encomendas mensais. Com a retirada do tributo em maio, o patamar subiu imediatamente para 20 milhões de pacotes e continuou sua trajetória de alta nas semanas seguintes.

Em junho, o total de encomendas chegou a 28 milhões, acomodando-se em patamares superiores a 26 milhões nos meses de julho e agosto. Em termos financeiros, os valores médios mensais subiram de US$ 308 milhões para US$ 520 milhões no mesmo período de comparação.

A comparação anual reforça a magnitude da alta registrada pelas plataformas estrangeiras no país. No mês de agosto, por exemplo, o volume declarado de remessas atingiu 26,5 milhões de unidades, o que representa um crescimento de 74% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Evolução das remessas internacionais
Período Média de encomendas Valor médio mensal
Janeiro a abril 15,4 milhões US$ 308 milhões
Maio 20 milhões US$ 520 milhões
Junho a agosto 26 a 28 milhões US$ 520 milhões

Fonte: Abit

Indústria nacional sofre impacto na produção

O crescimento acelerado das importações digitais intensifica a pressão sobre a indústria têxtil e de confecção brasileira. O setor sustenta que a concorrência ocorre em condições desiguais, uma vez que mercadorias estrangeiras aproveitam vantagens tributárias e operam sem exigências equivalentes às impostas aos fabricantes locais.

A associação aponta que a assimetria tributária e regulatória já cobra um preço elevado para a economia interna. O aumento das remessas externas ocorre em um momento de retração do mercado interno e de expansão das importações convencionais de vestuário.

Como reflexo desse cenário de pressão competitiva, a produção industrial tem apresentado quedas expressivas nos últimos meses. Indicadores oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam reduções mensais tanto na produção têxtil quanto na confecção de peças no país.

Associação cobra equivalência tributária urgente

Diante do avanço das encomendas internacionais, a Abit reforçou a necessidade de o poder público assegurar equivalência tributária e regulatória entre produtos nacionais e importados. A entidade argumenta que a legislação atual acaba estimulando a transferência de investimentos, renda e empregos para o exterior.

A associação destaca que, enquanto outros países adotam medidas para endurecer o controle sobre plataformas globais e proteger suas bases produtivas, o Brasil segue na direção oposta. Para o setor, manter vantagens para o produto estrangeiro compromete a competitividade da cadeia produtiva instalada no território nacional.

As críticas da indústria concentram-se na falta de exigências rigorosas em normas trabalhistas, ambientais e sanitárias para os itens importados por meio do comércio eletrônico. A entidade avalia que o ambiente de negócios atual premia a importação em detrimento da fabricação local de vestuário.

Atividade fabril registra queda expressiva

Os reflexos da concorrência externa aparecem nos resultados econômicos divulgados por órgãos oficiais de estatística. Em levantamentos recentes do IBGE, a atividade fabril do setor registrou recuos consideráveis na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A produção têxtil e o segmento de confecções acumulam resultados negativos que preocupam empresários e trabalhadores. Paralelamente à queda na fabricação, vagas de emprego na cadeia produtiva vêm sendo eliminadas e novos aportes financeiros são adiados ou cancelados.

O setor produtivo argumenta que a combinação de custos elevados, carga tributária interna e facilidades para a importação de baixo valor cria um cenário desafiador. A expectativa das entidades é de que o tema volte ao debate regulatório para buscar soluções que equilibrem o mercado.

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