A Polícia Federal aprofundou as investigações sobre transações financeiras bilionárias após extrair mensagens de um celular apreendido durante a Operação Compliance Zero. Os dados revelados mostram os bastidores da movimentação de carteiras de crédito estimada em R$ 12 bilhões negociadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
O material foi localizado no iPhone 15 de Allan da Silva Machado, procurador e apontado pelos investigadores como gerente de Backoffice, Conciliação e Cessão de Carteira do Banco Master. O aparelho foi recolhido em sua residência no final de 2025, permitindo que a perícia reconstruísse a dinâmica interna de cobranças e execução das operações financeiras sob escrutínio.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, o investigado confirmou aos agentes sua função estratégica na instituição. Para a corporação, ele atuava como o elo direto entre as determinações da alta cúpula executiva e a montagem prática dos pacotes de crédito repassados à instituição financeira pública.
Cobranças da diretoria e urgência
Os registros telemáticos apontam cobranças intensas feitas por diretores e executivos do alto escalão do Banco Master. Nomes como Alberto Felix Neto e Angelo Ribeiro aparecem nas conversas cobrando agilidade, além do próprio dono da instituição, Daniel Vorcaro, que exigia o envio célere das carteiras.
A apuração indica que os pedidos de rapidez vinham acompanhados de forte pressão operacional. A dinâmica exigia que a estrutura interna respondesse prontamente para viabilizar as operações de repasse de crédito sob investigação na operação policial.
As mensagens recuperadas evidenciam o grau de centralização e o acompanhamento próximo da cúpula do banco sobre cada etapa da formatação dos ativos financeiros questionados pelas autoridades.
Reclamações de clientes e recompra
O avanço das apurações também trouxe à tona reações de clientes que começaram a procurar o Banco de Brasília após terem cartões bloqueados inesperadamente. Nos relatos, esses consumidores afirmavam categoricamente desconhecer qualquer contrato ou vínculo com o Banco Master.
Diante das contestações e dos problemas detectados com os usuários finais, a mecânica investigada apontava para a necessidade de recompra imediata das carteiras que apresentavam irregularidades. Essa prática servia para conter danos e retirar do fluxo os ativos contestados.
Os diálogos documentados pela perícia ilustram como a instituição lidava internamente com as falhas operacionais e as reclamações que chegavam aos canais de atendimento das entidades envolvidas.
Irregularidades em bases de dados
A análise do aparelho celular revelou ainda o tráfego de bases de dados fornecidas por Raimundo Borges Leal, representante da Terra Firme. Os arquivos repassados continham inconsistências evidentes, como CPFs repetidos, cadastros duplicados e registros com matrículas padronizadas.
Essas informações serviam de base para a montagem dos pacotes negociados, levantando suspeitas sobre a autenticidade e a integridade dos tomadores de crédito cadastrados nos lotes milionários.
A utilização desses cadastros reforça a linha de investigação de que havia fraudes estruturadas na origem dos dados que sustentavam as operações financeiras bilionárias.
Fraudes em Cédulas de Crédito
Por fim, os investigadores identificaram mensagens que revelam pressão direta para acelerar a produção de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs). Havia também solicitações explícitas direcionadas à área de Tecnologia para excluir datas de Termos de Consentimento.
As ordens para a remoção de marcações temporais nos documentos reforçam os indícios de adulteração de papéis essenciais para a validade jurídica das operações de crédito investigadas.
Com o material periciado, a Polícia Federal reuniu elementos para mapear a atuação coordenada de diferentes setores do banco na execução das fraudes bilionárias.


