Uma onça-pintada macho de cerca de 120 quilos foi encontrada exausta às margens da Rodovia Arlindo Béttio, a SP-613, em Teodoro Sampaio, no extremo oeste de São Paulo. O animal, chamado Theodoro, tem 6 anos e é monitorado por equipes ambientais desde 2021.
A ocorrência mobilizou Fundação Florestal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Departamento de Estradas de Rodagem. A suspeita inicial era de atropelamento, mas a avaliação técnica descartou ferimentos.
Theodoro havia caminhado dezenas de quilômetros antes de parar próximo ao alambrado do Parque Estadual Morro do Diabo. O esforço deixou o animal visivelmente cansado e sem condições de retornar sozinho à área protegida.
Depois de uma operação que exigiu controle do trânsito e abertura de passagem no alambrado, a onça retornou à mata sem necessidade de sedação.
Animal para no acostamento
A onça foi localizada na quinta-feira, 17 de setembro, na altura do km 15 ou 16 da SP-613. O felino estava deitado próximo ao acostamento.
Equipes foram acionadas diante da possibilidade de atropelamento. O porte do animal e a proximidade da rodovia exigiram intervenção rápida para evitar risco ao próprio felino e aos motoristas.
A inspeção inicial mostrou que Theodoro não tinha ferimentos aparentes. O principal problema era o cansaço extremo depois de longa caminhada.
O comportamento de percorrer grandes distâncias é compatível com a busca de território, alimento e reprodução, especialmente entre machos adultos.
Resgate mobiliza várias equipes
A operação reuniu agentes ambientais, policiais, bombeiros e servidores rodoviários. O tráfego precisou ser controlado durante o resgate.
Inicialmente, as equipes tentaram conduzir o animal até uma passagem específica para fauna, conhecida como jumper.
Como Theodoro estava muito cansado, a estratégia foi adaptada. Uma abertura no alambrado facilitou o retorno direto à área protegida.
O procedimento evitou a necessidade de tranquilização química, que poderia acrescentar risco à operação.
Theodoro é monitorado há anos
O felino integra o monitoramento ambiental realizado na região do Parque Estadual Morro do Diabo. Ele é identificado individualmente e acompanhado em seus deslocamentos.
O macho tem 6 anos e peso estimado entre 100 e 120 quilos, características compatíveis com um animal adulto.
O acompanhamento permite entender como as onças utilizam a paisagem, atravessam áreas de vegetação e se aproximam de rodovias.
Esses dados também ajudam na criação de medidas para reduzir atropelamentos e conflitos entre fauna e atividades humanas.
Parque abriga espécie ameaçada
O Parque Estadual Morro do Diabo é uma das áreas mais importantes para conservação da onça-pintada no estado de São Paulo.
A unidade protege remanescentes de Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema e abriga uma das últimas populações da espécie na região.
A onça-pintada é o maior felino das Américas e está ameaçada em diferentes partes do país pela perda e fragmentação de habitat.
Rodovias próximas a áreas protegidas representam risco adicional, especialmente quando animais precisam se deslocar entre fragmentos de vegetação.
Rodovia exige atenção redobrada
O episódio reforça a importância de estruturas de passagem de fauna e controle de velocidade em trechos próximos a unidades de conservação.
Quando animais de grande porte chegam à pista, o risco de colisões envolve tanto a fauna quanto ocupantes dos veículos.
A presença de cercas e corredores específicos ajuda a direcionar os animais, mas não elimina totalmente a possibilidade de fuga ou acesso à rodovia.
O monitoramento contínuo permite identificar pontos mais críticos e ajustar as medidas de proteção.
Onça volta à mata em segurança
Depois da abertura da passagem, Theodoro conseguiu entrar novamente no Parque Estadual Morro do Diabo.
O resgate terminou sem registro de ferimentos no animal ou nas equipes envolvidas.
A pista ficou parcialmente interditada durante a operação, e o fluxo foi restabelecido após a retirada do felino da área de risco.
A ocorrência terminou com o retorno do animal ao habitat, mas também evidenciou os desafios de conservação em regiões cortadas por rodovias.


