Operação aponta 12 empresas de ônibus sob suspeita de controle do PCC em São Paulo

Investigação da Vectura Corrupta cita companhias do transporte coletivo e apura uso de laranjas, movimentação de recursos e influência sobre contratos públicos

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Empresas do transporte coletivo paulistano voltam ao centro de investigação sobre possível infiltração do PCC.Divulgação
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil aponta que 12 empresas de transporte coletivo estariam, em tese, sob controle direto ou indireto de integrantes ou intermediários ligados ao Primeiro Comando da Capital. A informação integra a Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira, 17 de setembro.

Segundo os investigadores, a organização criminosa teria usado representantes e pessoas interpostas para influenciar empresas, movimentar recursos e atuar em negócios ligados ao sistema de ônibus. A apuração também alcança agentes públicos, advogados e pessoas apontadas como intermediárias entre a facção e o setor de transportes.

As 12 empresas citadas nas informações divulgadas sobre a operação são Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes.

Investigação lista 12 empresas

A relação divulgada nesta quinta representa empresas que aparecem em diferentes frentes da investigação. A suspeita é de controle direto ou indireto por meio de pessoas associadas à estrutura criminosa, mas a apuração ainda está em andamento.

A menção das companhias em documentos investigativos não equivale a condenação. A responsabilidade de empresas, dirigentes e demais envolvidos dependerá da análise das provas e de eventual processo judicial com direito de defesa.

Parte dos nomes já havia surgido em operações anteriores. A Transwolff, por exemplo, foi alvo da Operação Fim da Linha em 2024, que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos de empresários do setor com integrantes do PCC.

Operação mira dirigentes

A Vectura Corrupta cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes cidades paulistas. Entre os alvos estão pessoas que ocuparam cargos públicos e dirigentes ligados ao setor de transporte.

O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira está entre os investigados. A apuração afirma que ele teria mantido encontros com um intermediário apontado como responsável por levar interesses da organização criminosa a empresas e agentes públicos.

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite também foi alvo da operação. Ele nega envolvimento com o crime organizado e, segundo reportagens publicadas nesta quinta-feira, afirmou que pretende se apresentar às autoridades.

MP descreve uso de laranjas

Os investigadores sustentam que pessoas formalmente colocadas no comando das empresas poderiam agir em nome de outros interessados. Esse mecanismo teria permitido ocultar os verdadeiros controladores e movimentar recursos por meio de operações empresariais aparentemente regulares.

Uma das linhas de apuração envolve compra e venda de ônibus, pagamentos de comissões e outras transações usadas, segundo o Ministério Público, para disfarçar a origem de valores. A investigação também analisa contratos e procedimentos licitatórios.

O uso de empresas legais para ocultação de recursos é uma das hipóteses investigativas. A comprovação de lavagem de dinheiro exige demonstração da origem ilícita dos valores e da intenção de ocultar ou dissimular patrimônio.

Sistema municipal entra no foco

O transporte coletivo de São Paulo movimenta uma frota de milhares de ônibus e contratos públicos de grande valor. A dimensão econômica do sistema amplia a relevância das suspeitas de infiltração de grupos criminosos.

Algumas das companhias citadas operam diretamente linhas municipais. Outras aparecem na investigação por vínculos societários, operacionais ou pessoais que ainda estão sendo examinados pelas autoridades.

A SPTrans é responsável por fiscalizar e gerenciar o sistema da capital. A presença de um ex-presidente do órgão entre os investigados elevou a atenção sobre possíveis canais de influência dentro da estrutura pública.

Veja os nomes citados

A lista divulgada nas reportagens sobre a investigação reúne as seguintes empresas:

Empresas citadas
Viação Transcap
Alfa Rodobus
Transwolff
A2 Transportes
Imperial Transportes
Move Bus
Pêssego Transportes
Allianz Transportes
Transunião
Qualibus Transportes
Norte Bus
Spencer Transportes
Fonte: investigação citada pelo MP-SP e Polícia Civil.

Como a relação deriva de investigação em curso, os nomes devem ser apresentados com a ressalva de que se trata de suspeita. Nem todas as empresas tiveram manifestações públicas localizadas no momento inicial da operação.

A Vectura Corrupta é um desdobramento de apurações anteriores sobre a presença do PCC em setores formais da economia paulista. Novas diligências podem ampliar, restringir ou modificar o conjunto de pessoas e empresas sob investigação.

WhatsAppFacebook
Share This Article
3 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *