A cidade de São Paulo registrou 334 mortes de motociclistas entre janeiro e agosto de 2026, alcançando o maior patamar para o período desde o início da série histórica do Infosiga, em 2015. O índice representa um acréscimo de 6,4% em comparação com os 314 óbitos contabilizados no mesmo intervalo do ano anterior, superando o recorde anterior registrado em 2021, quando houve 321 casos.
Crescimento da frota e violência
Especialistas atribuem a tendência de alta nas estatísticas a fatores como a gestão de velocidade e a infraestrutura viária na capital. O avanço ocorre em paralelo à expansão da frota de motocicletas, que cresceu 3% entre julho do ano passado e julho deste ano, superando a alta de 1,4% registrada para o conjunto geral de veículos no município.
Para tentar conter a letalidade, a Companhia de Engenharia de Tráfego tem apostado em iniciativas como a faixa azul, sinalização exclusiva para motos implementada em 46 vias e que atende cerca de 500 mil condutores diariamente. A gestão municipal também aponta a existência de áreas de espera segura nos semáforos para esse público.
O diretor de Operações do Instituto Cordial, Luis Fernando Villaça Meyer, aponta que o cenário reflete um agravamento na segurança viária urbana. “”, afirma.
O trânsito na cidade tem ficado mais violento. Isso tem a ver com gestão de velocidade, intervenções em pontos críticos e manutenção de infraestrutura.”
Luis Fernando Villaça Meyer, diretor de Operações do Instituto Cordial
Aumento de óbitos entre ciclistas
Em paralelo ao cenário das motocicletas, as mortes de ciclistas voltaram a subir na capital paulista após um período de retração. Dados do Departamento Estadual de Trânsito apontam 23 ocorrências fatais nos primeiros oito meses de 2026, comparadas a 18 registros no mesmo recorte temporal de 2025.
A rede cicloviária da cidade conta atualmente com aproximadamente 800 quilômetros, e a Prefeitura estabeleceu a meta de alcançar 1.000 quilômetros até 2028. No entanto, o ritmo de ampliação anual é avaliado por especialistas como insuficiente diante das demandas atuais de mobilidade e da transformação no perfil de quem utiliza bicicletas.
Coordenadora de Mobilidade e Vias Seguras da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, Rafaella Basile destaca a pressão exercida pelo setor de entregas. “”, pontua.
Desafios com veículos elétricos
O avanço no uso de bicicletas elétricas e autopropelidos traz novos desafios para a segurança viária na metrópole. Dados da associação setorial Abraciclo indicam que a produção nacional desses veículos cresceu 77,3% entre janeiro e julho de 2026, representando mais de um quinto da fabricação total do período.
A prefeitura municipal estabeleceu recentemente o limite de 20 km/h para a circulação de bicicletas elétricas em ciclovias e ciclofaixas. Contudo, esses meios de transporte frequentemente ocupam calçadas e vias gerais, muitas vezes sem a devida observância das normas de trânsito vigentes na cidade.
Existe um crescimento visível de entregadores de aplicativo usando bicicleta, inclusive elétricas e outros veículos autopropelidos, mas a infraestrutura não está acompanhando esse ritmo.”
Rafaella Basile, coordenadora da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global
Especialistas ressaltam que a malha cicloviária existente não foi concebida originalmente para comportar o tráfego de modelos elétricos. Essa transformação na composição do tráfego urbano exige adaptações estruturais e novas estratégias de fiscalização por parte do poder público.
Ações e cenário estadual
Diante do cenário de vulnerabilidade, a administração municipal aponta a execução do Programa Operacional de Segurança em pontos críticos de acidentes. O planejamento inclui a criação de áreas calmas com limite de 30 km/h, rotas escolares seguras, ampliação de faixas de pedestres e implantação de minirrotatórias.
No âmbito estadual, o quadro geral apresentou recuo de 5,5% nas mortes de trânsito, somando 3.900 óbitos no acumulado de 2026. Apenas a categoria de motociclistas registrou alta no estado, com avanço de 1,9% e um total de 1.830 vítimas fatais no período.
O Detran-SP informou que mantém ações contínuas de fiscalização e educação voltadas aos usuários mais vulneráveis. O órgão enfatiza a necessidade de cumprimento dos limites de velocidade e do uso de equipamentos de segurança obrigatórios para mitigar riscos nas vias.


