Três superintendentes regionais da Polícia Federal não assinaram a carta de apoio ao diretor-geral Andrei Rodrigues, subscrita por 24 dos 27 chefes da corporação nos estados e no Distrito Federal. Segundo apuração da CNN Brasil, a decisão buscou impedir que a crise entre a cúpula da PF e o Supremo Tribunal Federal se ampliasse na estrutura regional.
Andrei Rodrigues deixou o cargo por decisão do ministro André Mendonça na terça-feira, 8 de setembro. No dia seguinte, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a medida, e o diretor-geral voltou à função.
Carta reúne 24 superintendentes
O documento de apoio reuniu 24 superintendentes regionais da PF. Esses cargos comandam as unidades da instituição nos estados e no Distrito Federal.
Três dirigentes regionais ficaram fora da manifestação. Eles comandam as superintendências no Espírito Santo, em Goiás e na Paraíba, de acordo com a apuração.
A carta surgiu depois do retorno de Andrei Rodrigues ao comando da corporação. Assim, a adesão majoritária dos superintendentes se somou a outras manifestações em favor do diretor-geral.
Decisão afasta Andrei por um dia
Na terça-feira, 8 de setembro, o ministro André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues. A decisão também atingiu o delegado Leandro Almada, então diretor de Inteligência Policial da PF.
Na quarta-feira, 9 de setembro, Edson Fachin suspendeu a decisão de Mendonça. Com isso, Andrei Rodrigues retornou ao posto de diretor-geral.
A sucessão de decisões no STF formou o contexto imediato da carta. O posicionamento dos chefes regionais ocorreu, portanto, durante uma disputa institucional que envolveu a direção da Polícia Federal e o tribunal.
Chefes tentam conter a crise
Os três superintendentes que não aderiram ao texto avaliaram que o conflito em Brasília não deveria alcançar instâncias abaixo da cúpula e dos diretores da Polícia Federal, segundo a CNN Brasil.
A preocupação relatada era evitar um efeito em cadeia na estrutura da corporação. Para eles, o tensionamento poderia levar a pressão sobre os chefes regionais e demais policiais.
Também havia receio de que servidores ficassem vulneráveis a punições ao cumprir determinações judiciais. Por isso, os dirigentes preferiram não associar as superintendências à manifestação de apoio.
Delegados defendem foco na segurança
Um dos superintendentes disse à CNN Brasil que não caberia à Polícia Federal ou ao chefe regional entrar em uma “bola dividida” e ampliar o conflito. A declaração foi dada sem identificação nominal do delegado.
O mesmo dirigente citou o artigo 144 da Constituição. O dispositivo trata da segurança pública como dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, voltada à preservação da ordem pública e da integridade das pessoas e do patrimônio.
Nessa leitura, a atuação da PF deveria permanecer no campo da segurança pública. Os três chefes regionais buscaram, assim, se afastar das disputas políticas e jurídicas relacionadas ao caso.
Apoios se espalham pela PF
Além dos 24 superintendentes, entidades e integrantes da direção da corporação divulgaram apoio a Andrei Rodrigues. Entre as organizações mencionadas estão a DPF, a FENAPEF e os peritos criminais federais.
Os 11 diretores da cúpula da Polícia Federal também se manifestaram em apoio ao diretor-geral, conforme a apuração. Dessa forma, a carta dos superintendentes integrou um conjunto mais amplo de posicionamentos internos.
Uma das superintendentes que não assinou o documento afirmou respeitar Andrei Rodrigues e reconhecer a relevância de sua gestão. Ela também disse reconhecer a posição dos 24 colegas que aderiram à carta.
Questão jurídica segue em Brasília
A superintendente que falou à CNN Brasil avaliou que a Polícia Federal não deveria interferir em uma questão jurídica. Segundo ela, o tema já era tratado pela Advocacia-Geral da União, pelo Ministério da Justiça e pelo próprio diretor-geral.
Andrei Rodrigues apresentou uma petição pessoal ao Supremo Tribunal Federal e obteve decisão favorável de Fachin, segundo o relato da delegada. O resultado permitiu seu retorno ao cargo no dia 9 de setembro.
Os três superintendentes haviam sido indicados por Andrei Rodrigues para comandar as unidades do Espírito Santo, de Goiás e da Paraíba. Ainda assim, optaram por não firmar a carta e defenderam que a crise não avançasse para a estrutura regional da PF.


