A crise no STF e PF levou o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, a suspender, em 9 de setembro, decisões divergentes sobre o comando da Polícia Federal. Com isso, o diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, permaneceram em seus cargos.
Segundo a CNN Brasil, a disputa começou após decisão do ministro André Mendonça, tomada na manhã de 8 de setembro, que afastou os dois delegados. No mesmo dia em que o ministro Flávio Dino determinou o retorno deles às funções, Fachin interrompeu os efeitos das duas decisões e marcou sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro.
Fachin centraliza decisões no STF
Além de suspender as determinações sobre os dirigentes da PF, Fachin retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das Fake News. A condução da investigação passou para a Presidência do Supremo, conforme relatou a CNN Brasil.
Fachin também suspendeu investigações contra integrantes da Corte que não tivessem autorização da Presidência. As medidas ocorreram em meio ao embate institucional que envolveu o caso Banco Master, o comando da Polícia Federal e ministros do tribunal.
A sessão convocada para 15 de setembro deve analisar o caso relacionado a Moraes. Dessa forma, o plenário do STF foi chamado a discutir os desdobramentos das decisões tomadas durante a crise.
Decisão atinge cúpula da Polícia Federal
A decisão inicial de Mendonça afastou Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Leandro Almada, responsável pela área de Inteligência da corporação. O afastamento elevou a tensão no governo, segundo a reportagem.
Andrei apresentou uma reação própria contra a medida. Ele contratou advogado particular e recorreu a Flávio Dino no inquérito que apura o uso de recursos de emendas parlamentares no financiamento do filme “Dark Horse”.
De acordo com a CNN Brasil, o recurso de Andrei foi apresentado sem comunicação prévia ao advogado-geral da União, Jorge Messias, ou ao Ministério da Justiça. Dino acolheu o pedido e cassou a decisão de Mendonça antes da intervenção posterior de Fachin.
Governo busca reverter afastamentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou as articulações do governo para reagir ao afastamento dos dirigentes, segundo a CNN Brasil. Lula convocou ministros e conversou com Andrei Rodrigues durante os dois dias de crise descritos pela reportagem.
O presidente orientou o ministro da Justiça, Wellington César, e Jorge Messias a procurarem Fachin. Ainda segundo a CNN Brasil, ocorreram ao menos quatro conversas com o presidente do STF para discutir o cenário e alternativas à decisão de Mendonça.
A Advocacia-Geral da União recorreu contra o afastamento no mesmo dia. Enquanto isso, integrantes do governo preparavam manifestações de apoio à solução que seria adotada por Fachin, conforme a apuração publicada.
Caso Master amplia tensão política
O atrito entre Mendonça e a cúpula da PF já preocupava o governo desde a semana anterior, de acordo com a CNN Brasil. A reportagem relaciona a escalada ao momento em que o ministro levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal.
O documento continha supostas mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Alexandre de Moraes. A divulgação inseriu o caso no centro de uma disputa que passou a reunir questões judiciais, policiais e políticas.
Lula se manifestou nas redes sociais em 9 de setembro e defendeu a abertura total do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master. O presidente também criticou vazamentos que, segundo ele, têm impacto sobre a disputa eleitoral e mencionou a Operação Spoofing como referência.
Eleições influenciam cálculo do Planalto
Segundo a CNN Brasil, o governo avaliou que precisava responder de forma mais rápida quando a decisão de Mendonça alcançou a direção da Polícia Federal. Até então, Lula havia sido aconselhado a evitar declarações públicas e a manter distância de Moraes.
A análise política levava em conta a condição de Lula como presidente da República e candidato à reeleição, segundo a reportagem. Aliados demonstravam preocupação com um possível desgaste eleitoral provocado pela crise no Supremo.
Adversários, especialmente Flávio Bolsonaro, buscam associar a imagem de Lula à de Moraes, conforme a CNN Brasil. Por isso, a reação do Planalto combinou a contestação jurídica do afastamento com uma manifestação pública do presidente sobre o caso.


