O Banco Central Europeu (BCE) deve elevar sua taxa básica de juros de 2,25% para 2,50% nesta quinta-feira (9), segundo as expectativas de economistas. A decisão ocorre após a alta dos preços do petróleo e do gás provocada pela escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã.
Como a zona do euro importa combustíveis, o choque energético reacendeu o risco de uma nova aceleração da inflação. Ao mesmo tempo, a economia do bloco tem mostrado resistência, o que pode dar margem para o banco central manter uma política monetária mais restritiva.
O BCE reage à alta da energia
Os ataques de ambos os lados se intensificaram desde o fim de agosto, depois de um período de relativa estabilidade. Alvos militares, navais e energéticos foram atingidos, segundo o material que embasa a pauta.
O movimento pressionou novamente as cotações internacionais de petróleo e gás. Na quarta-feira, o petróleo Brent chegou a US$ 100 por barril, elevando a preocupação com os efeitos sobre os preços na Europa.
A energia influencia diretamente o custo de transporte, produção e aquecimento. Por isso, uma alta prolongada pode alcançar outros itens da economia, mesmo que o impacto inicial fique concentrado nos combustíveis.
A taxa pode subir pela segunda vez
Economistas esperam que o BCE faça nesta quinta-feira o segundo aumento de juros do ano. A taxa básica passaria de 2,25% para 2,50%, caso a decisão confirme as projeções do mercado.
A economista Alessia Berardi, chefe de macroeconomia global do Amundi Investment Institute, avaliou que a alta em setembro parecia praticamente certa e projetou inflação elevada nos meses seguintes.
Além da decisão imediata, os investidores devem observar a comunicação da instituição. O mercado espera que o BCE sinalize disposição para apertar ainda mais a política monetária se a perspectiva de inflação continuar piorando.
Um aumento da taxa de juros em setembro parece praticamente certo”
Alessia Berardi, chefe de macroeconomia global do Amundi Investment Institute
A economia resiste aos custos maiores
A economia da zona do euro, formada por 21 países, tem apresentado desempenho melhor do que o previsto. O bloco enfrenta custos mais altos de combustíveis, concorrência chinesa e impactos de secas, mas ainda demonstra resiliência.
O crédito bancário ganhou ritmo em julho. Esse dado sugere que o aumento de juros realizado em junho ainda não havia reduzido de forma significativa a atividade econômica.
Esse comportamento oferece algum conforto aos formuladores de política monetária. Ainda assim, o encarecimento do crédito pode pesar sobre empresas e consumidores à medida que as altas anteriores se espalharem pela economia.
O economista Martin Wolburg, da Generali Investments, afirmou que espera uma postura cautelosa da presidente do BCE, Christine Lagarde, com a possibilidade de novos aumentos mantida sobre a mesa.
As projeções podem mudar
O BCE também deve revisar suas projeções de crescimento para este ano e, possivelmente, para 2027. A revisão refletiria a resistência apresentada pela economia do bloco.
Entretanto, uma perspectiva de crescimento mais favorável pode atrasar o retorno da inflação à meta de 2%. Em junho, o banco havia previsto que esse objetivo seria alcançado no verão do próximo ano.
As novas projeções podem não incorporar totalmente a alta mais recente da energia. O salto do Brent para US$ 100 ocorreu apenas na véspera da reunião, o que limita o tempo para a atualização das estimativas.
O economista Lorenzo Codogno, fundador da LC Macro Advisors, relacionou os custos dos combustíveis, as tensões comerciais e as perturbações climáticas a um risco de nova aceleração inflacionária.
Podemos estar agora em um ponto de inflexão da inflação, e os salários também apresentarão pressão de alta em algum momento”
Lorenzo Codogno, fundador da LC Macro Advisors
Os indicadores ainda mostram sinais mistos
A inflação da zona do euro está acima de 3%, mas alguns indicadores acompanhados pelo BCE permanecem menos pressionados. A inflação subjacente, que exclui energia e alimentos, caiu para 2,4% no mês passado.
Uma pesquisa recente também apontou redução nas expectativas dos consumidores para a alta de preços. Além disso, os aumentos salariais mostraram moderação.
Por outro lado, analistas do Barclays identificaram sinais de pressão nos bastidores. Os preços de bens essenciais ganharam impulso, enquanto os preços ao produtor avançaram mais rapidamente do que os preços ao consumidor.
Empresas alemãs absorveram parte dos custos maiores até agora, segundo Carsten Brzeski, chefe global de macroeconomia do ING. Esse comportamento contrasta com 2022, quando o choque energético após a invasão da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma onda inflacionária mais ampla.
O mercado prevê novos aumentos
Os mercados financeiros já embutem a possibilidade de mais dois ou três aumentos de juros até o fim do próximo ano. A expectativa mostra que os investidores consideram o risco inflacionário mais persistente.
As condições de financiamento ficaram mais restritivas. Os rendimentos dos títulos de longo prazo alcançaram níveis não vistos desde antes da crise financeira global, refletindo preocupações com a inflação e com a expansão da dívida pública.
A emissão de títulos por grandes empresas de tecnologia, que buscam financiar investimentos ligados à inteligência artificial, também aumentou a pressão sobre os rendimentos. A turbulência política na Alemanha contribuiu para o movimento.
Christine Lagarde ainda deve responder a perguntas sobre seu futuro no BCE. Seu mandato está previsto para terminar em 31 de outubro de 2027, e a presidente afirmou em julho que não deixaria o cargo antes daquele ano.


