Cobertura do caso Matsunaga enfrenta rejeição mesmo com preço abaixo do mercado

Imóvel de 340 m² na Vila Leopoldina está anunciado por R$ 2,8 milhões, mas histórico do crime afasta potenciais compradores

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Redação
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Imóvel de 340 m² na Vila Leopoldina está anunciado por R$ 2,8 milhões, mas histórico do crime afasta potenciais compradores
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A cobertura tríplex onde ocorreu o assassinato do empresário Marcos Matsunaga, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, enfrenta resistência no mercado imobiliário mesmo depois de ser colocada à venda por R$ 2,8 milhões. O imóvel tem 340 metros quadrados e voltou ao mercado em julho, após o fim de disputas judiciais sobre a propriedade.

O principal obstáculo não é a estrutura do apartamento. Corretores ouvidos na negociação afirmam que potenciais compradores demonstram interesse pelo tamanho, localização e características do imóvel, mas recuam quando descobrem que foi ali que Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido em maio de 2012.

A cobertura reúne cinco suítes, quatro vagas de garagem, piscina privativa, churrasqueira e amplos ambientes internos. Mesmo assim, o histórico do endereço tornou-se um fator decisivo para parte dos interessados e ajuda a explicar por que propostas ainda não avançaram.

Compradora desistiu após descobrir histórico

A corretora Cristiane Gomes relatou que uma cliente visitou a cobertura, gostou do imóvel e disse que conversaria com o marido antes de decidir pela compra.

Dias depois, a interessada voltou a procurar a profissional para dizer que não seguiria com a negociação. Segundo Gomes, a cliente havia descoberto que o apartamento fora cenário do crime envolvendo Marcos e Elize Matsunaga.

Ela falou que não iria morar em um apartamento em que assassinaram uma pessoa de forma tão cruel.

Cristiane Gomes

A corretora afirmou que também desconhecia o histórico específico daquela unidade até receber o retorno da cliente. O episódio mostrou como a origem do imóvel pode surgir apenas em etapas posteriores da negociação.

Preço pedido está abaixo da avaliação de corretores

O imóvel está anunciado por R$ 2,8 milhões, valor que profissionais do setor consideram inferior ao que seria esperado para uma cobertura com essa metragem e localização.

Gomes estima que uma unidade com as mesmas características poderia valer cerca de R$ 3,5 milhões sem o peso do histórico associado ao crime.

A diferença entre o preço anunciado e a avaliação informal dos corretores mostra como a memória do caso passou a influenciar diretamente a percepção de valor do imóvel.

Mesmo com o desconto, as visitas realizadas nas últimas semanas ainda não resultaram em uma proposta que avançasse até a conclusão da compra.

Cobertura reúne cinco suítes e piscina privativa

A unidade resulta da união de duas coberturas compradas por Marcos Matsunaga e posteriormente integradas em um único apartamento.

O conjunto tem 340 metros quadrados, cinco suítes, quatro vagas de garagem, piscina privativa, churrasqueira e áreas de convivência amplas.

Os anúncios também destacam a proximidade com o Parque Villa-Lobos, um dos principais pontos de lazer da zona oeste paulistana.

O condomínio mensal gira em torno de R$ 6 mil, enquanto o IPTU anual é de aproximadamente R$ 19,3 mil.

Histórico de crime precisa ser tratado na negociação

O caso também reacendeu uma discussão sobre o dever de transparência na venda de imóveis associados a crimes de grande repercussão.

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo orienta profissionais a informarem circunstâncias relevantes capazes de influenciar a decisão de compra.

Ocultar deliberadamente um histórico que possa ser considerado determinante pelo comprador pode gerar conflito posterior e até discussão judicial sobre danos.

Por isso, corretores que atuam com a cobertura passaram a lidar não apenas com características físicas e financeiras, mas também com o peso simbólico do endereço.

Família Matsunaga mantém imóvel regularizado

Após o crime, parte da cobertura que estava vinculada a Elize passou a ser objeto de disputa judicial. Ela perdeu o direito sobre essa parcela do imóvel após decisão da Justiça.

Desde então, a família Matsunaga ficou responsável pela propriedade. Vizinhos afirmam que as obrigações do condomínio têm sido mantidas em dia.

Elize foi condenada em 2016 pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A pena foi posteriormente reduzida pelo Superior Tribunal de Justiça.

Desde 2022, ela está em liberdade condicional, enquanto o imóvel permaneceu por anos fora do mercado até ser liberado para venda.

Cobertura continua disponível para visitas

Apesar da resistência encontrada, o imóvel segue anunciado e disponível para interessados. Corretores relatam que as visitas continuam ocorrendo com frequência.

Alguns profissionais já conhecem a história da unidade quando recebem pedidos de visita, enquanto outros descobrem a relação com o caso apenas durante o processo.

A combinação entre preço abaixo da avaliação informal, localização valorizada e estrutura de alto padrão mantém a cobertura atraente do ponto de vista imobiliário.

Ao mesmo tempo, o histórico criminal permanece como uma variável incomum e difícil de mensurar, capaz de transformar uma negociação imobiliária convencional em uma decisão marcada também por fatores emocionais e simbólicos.

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