Petróleo cai com oferta saudita maior e tensão ainda alta no Oriente Médio

Cargas adicionais via Omã aliviam temores de abastecimento, mas Brent e WTI seguem acima de US$ 100

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Redação
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Bomba perto de reserva de petróleo bruto no campo de petróleo da Bacia do Permiano, perto de Midland, Texas, EUA, em 18 de fevereiro de 2025REUTERS/Eli Hartman
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Os preços do petróleo voltaram a cair com investidores reagindo à oferta de cargas adicionais da Arábia Saudita e a sinais de menor pressão imediata sobre o abastecimento global. O movimento ocorre depois de uma sequência de forte volatilidade provocada por ataques à infraestrutura energética saudita e pela escalada das tensões no Oriente Médio.

O petróleo Brent, referência internacional, recuou para a faixa de US$ 104 por barril, enquanto o WTI permaneceu pouco acima de US$ 100. Apesar da queda, as cotações continuam em níveis elevados, refletindo o risco de novas interrupções logísticas e militares.

A Arábia Saudita passou a oferecer cargas adicionais de petróleo a refinarias asiáticas por meio de operações de transferência ao largo do porto de Sohar, em Omã. A medida reduziu parte da preocupação com o impacto do fechamento do oleoduto Leste-Oeste.

O mercado passou a enxergar mais petróleo disponível no curto prazo, mas ainda mantém um prêmio de risco elevado por causa do conflito regional.

Oferta saudita pressiona preços

A notícia de cargas adicionais oferecidas por Riade ajudou a aliviar a percepção de escassez que havia dominado as sessões anteriores. O mecanismo via Omã funciona como alternativa para manter parte dos fluxos destinados à Ásia.

A mudança foi importante porque a interrupção do oleoduto Leste-Oeste afetou o transporte de petróleo até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, uma rota estratégica para o escoamento saudita.

Com a percepção de que o reino consegue redirecionar embarques, investidores passaram a revisar parte dos riscos de curto prazo sobre a oferta física.

Esse ajuste se refletiu nas cotações de Brent e WTI, que devolveram parte dos ganhos acumulados no início da semana.

Brent segue acima de US$ 100

Mesmo com a queda, o Brent permanece acima de US$ 100 por barril. O patamar é resultado de meses de conflito no Oriente Médio e de preocupações recorrentes sobre infraestrutura e rotas de transporte.

Na sessão anterior, o contrato havia encerrado em US$ 104,82, depois de tocar a menor cotação em uma semana. O WTI fechou em US$ 101,91.

Esses níveis continuam altos em comparação com períodos anteriores ao agravamento do conflito, mantendo pressão sobre combustíveis, inflação e custos de transporte.

O mercado segue alternando movimentos de alta e baixa conforme surgem informações sobre produção, embarques e ataques na região.

Oleoduto vira foco central

O oleoduto Leste-Oeste liga campos e centros de produção sauditas ao porto de Yanbu. A infraestrutura ganhou importância estratégica porque permite escoar petróleo sem depender exclusivamente do Golfo Pérsico.

Após ataques com drones, a operação foi interrompida. Analistas estimaram que um fechamento prolongado poderia retirar do mercado uma parcela relevante da oferta global.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o fluxo poderia ser retomado em poucos dias, o que também ajudou a reduzir a pressão sobre as cotações.

A Arábia Saudita ainda não havia apresentado um cronograma definitivo de normalização, mantendo parte da incerteza entre operadores.

Conflito mantém prêmio de risco

O alívio na oferta não elimina o risco geopolítico. Ataques a instalações energéticas, navios e rotas de exportação continuam sendo acompanhados pelo mercado.

O conflito envolvendo Irã, grupos aliados e países da região já provocou oscilações intensas no petróleo ao longo de 2026.

A cada nova ameaça sobre infraestrutura, o mercado tende a incorporar um prêmio de risco às cotações. Quando surgem alternativas logísticas ou sinais de recuperação, parte desse prêmio é retirada.

Essa dinâmica explica por que os preços seguem elevados mesmo nos dias de queda.

Ásia recebe cargas extras

As refinarias asiáticas estão entre as principais compradoras do petróleo saudita. A oferta adicional via Omã ajuda a preservar fluxos comerciais em um momento de restrições em outras rotas.

As transferências de navio para navio permitem maior flexibilidade operacional e reduzem dependência de pontos específicos de carregamento.

Para compradores, o aumento da disponibilidade diminui o risco de atrasos e ajuda a reduzir a competição por cargas no mercado físico.

Para a Arábia Saudita, a estratégia também preserva receitas e contratos em um período de incerteza logística.

Mercado monitora próximos passos

Investidores agora acompanham a recuperação do oleoduto, o ritmo dos embarques sauditas e a evolução das tensões no Oriente Médio.

Uma normalização mais rápida da infraestrutura pode aumentar a pressão de baixa sobre os preços. Novos ataques, por outro lado, podem recolocar o mercado em trajetória de alta.

Também pesam sobre as cotações dados de demanda global, estoques nos Estados Unidos e decisões de grandes produtores.

O cenário segue volátil: a oferta adicional reduziu o medo imediato de escassez, mas o risco geopolítico continua impedindo uma queda mais forte do petróleo.

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