TotalEnergies recebe US$ 1,8 bilhão em parceria com braço de infraestrutura da BlackRock

Global Infrastructure Partners aportará capital em ativos de petróleo e gás na África e receberá remuneração vinculada ao volume movimentado por até 15 anos

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
TotalEnergies firmou acordo com a Global Infrastructure Partners, controlada pela BlackRock, envolvendo ativos africanos.AFP
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A TotalEnergies fechou uma parceria com a Global Infrastructure Partners, a GIP, envolvendo ativos de infraestrutura de petróleo e gás na África. Pelo acordo, a gestora de infraestrutura controlada pela BlackRock fará um aporte de US$ 1,8 bilhão.

Em contrapartida, a TotalEnergies pagará à GIP uma tarifa vinculada ao volume de petróleo e gás transportado pelas infraestruturas incluídas na operação. O prazo desses pagamentos poderá chegar a 15 anos.

A companhia francesa afirma que a transação permite cristalizar parte do valor de seus ativos de infraestrutura intermediária, segmento conhecido como midstream e que inclui sistemas como oleodutos, gasodutos, terminais e instalações de armazenamento.

GIP aporta US$ 1,8 bilhão

O aporte será feito pela Global Infrastructure Partners, plataforma adquirida pela BlackRock e especializada em ativos de infraestrutura. A TotalEnergies não detalhou a divisão geográfica dos ativos nem quais países africanos estão incluídos no acordo.

A estrutura anunciada não foi apresentada como uma venda simples de ativos. A empresa descreveu a operação como uma parceria vinculada a determinados interesses em infraestrutura de petróleo e gás.

A TotalEnergies continuará pagando uma remuneração baseada no volume que passar pelas instalações. Isso significa que a GIP terá exposição ao uso futuro dessas infraestruturas durante o período contratado.

O acordo transforma parte do valor de ativos físicos em capital imediato de US$ 1,8 bilhão sem exigir que a TotalEnergies abandone sua utilização operacional.

Pagamento seguirá o volume

A remuneração da GIP será calculada com base no chamado throughput, isto é, na quantidade de petróleo ou gás que circular pelas infraestruturas abrangidas. O mecanismo aproxima a operação de outros modelos de monetização de ativos midstream.

Esse tipo de estrutura permite que uma empresa de energia libere capital aplicado em infraestrutura e mantenha acesso aos ativos mediante pagamentos futuros. Para investidores de infraestrutura, o atrativo está na possibilidade de obter receitas relativamente previsíveis ligadas à utilização dos sistemas.

O prazo máximo de 15 anos dá à GIP uma janela longa para receber esses pagamentos. A TotalEnergies não informou a taxa esperada de retorno nem os volumes mínimos previstos.

Item e Condição anunciada
Item Condição anunciada
Aporte da GIP US$ 1,8 bilhão
Ativos Infraestrutura de petróleo e gás na África
Remuneração Tarifa baseada no volume movimentado
Prazo Até 15 anos
Parceiro Global Infrastructure Partners, da BlackRock

Fonte: TotalEnergies.

Operação reforça parceria

O diretor financeiro da TotalEnergies, Jean-Pierre Sbraire, afirmou que a companhia busca fortalecer sua relação com a GIP e reconhecer o valor de parte de seus ativos africanos de infraestrutura.

A BlackRock concluiu a aquisição da GIP em 2024, ampliando sua presença em infraestrutura global. A gestora investe em transportes, energia, data centers e outros ativos físicos de longo prazo.

Para a TotalEnergies, a parceria insere investidores financeiros em ativos que exigem capital elevado, ao mesmo tempo em que preserva recursos para outros projetos do grupo.

África segue estratégica

A TotalEnergies mantém operações relevantes de petróleo e gás em diferentes países africanos. O continente continua sendo uma região importante para produção, exportação e desenvolvimento de infraestrutura energética.

A empresa também investe em eletricidade renovável e projetos de baixo carbono na África, mas o acordo desta sexta-feira está diretamente relacionado a ativos de petróleo e gás.

A companhia não revelou se pretende repetir o modelo em outras regiões. A operação, porém, segue uma tendência entre grandes grupos de energia de atrair fundos de infraestrutura para compartilhar investimentos em ativos maduros.

O efeito financeiro do aporte será observado nos próximos resultados da TotalEnergies. A entrada de US$ 1,8 bilhão reforça caixa e pode reduzir a necessidade de capital próprio dedicado aos ativos abrangidos, enquanto os pagamentos futuros serão vinculados à utilização das infraestruturas.

WhatsAppFacebook
Share This Article
1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *