A Paramount entrou em negociações avançadas com autoridades da Califórnia e de outros estados americanos para tentar encerrar a disputa antitruste que impede a conclusão da compra da Warner Bros. Discovery. A transação foi anunciada com valor patrimonial de US$ 81 bilhões e valor empresarial de aproximadamente US$ 110 bilhões, quando considerada a dívida da companhia adquirida.
As conversas ocorrem enquanto uma coalizão de 12 estados, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, mantém uma ação para bloquear a operação. Os governos estaduais argumentam que a união entre Paramount e Warner pode reduzir a concorrência nos mercados de distribuição de filmes e canais de televisão por assinatura.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, as partes discutem concessões que poderiam incluir monitoramento independente sobre operações da CNN e compromissos mínimos de lançamentos nos cinemas. A Exame também relata a possibilidade de os dois estúdios continuarem funcionando separadamente por um período.
O ponto central das negociações é encontrar salvaguardas que permitam à Paramount concluir a aquisição sem abandonar a defesa de que a fusão aumentará sua capacidade de competir com grandes grupos globais de mídia.
Califórnia lidera resistência ao negócio
A ação antitruste foi apresentada em julho por uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais, com liderança da Califórnia.
O processo sustenta que a combinação entre as empresas eliminaria concorrência relevante entre dois dos maiores distribuidores de cinema de Hollywood e entre grandes proprietários de canais de TV por assinatura.
O Departamento de Justiça da Califórnia afirma que a operação poderia resultar em preços mais altos, menos conteúdo e menor qualidade para consumidores.
A Paramount contesta essa avaliação e sustenta que o grupo combinado teria mais escala para competir com empresas como Netflix e Disney.
Negociação inclui possíveis concessões
Entre as alternativas discutidas está a manutenção dos estúdios de cinema de Paramount e Warner operando separadamente por um período determinado.
Também foram discutidas medidas envolvendo a CNN e compromissos relacionados ao número de filmes lançados nos cinemas.
Essas propostas ainda não representam acordo concluído e podem ser alteradas ao longo das negociações.
As conversas permanecem sensíveis porque qualquer compromisso precisa responder às preocupações concorrenciais levantadas pelos estados.
Negócio tem dois valores principais
A própria Paramount informa que a oferta avalia a Warner Bros. Discovery em US$ 81 bilhões em valor patrimonial.
Quando a dívida e outras obrigações financeiras são incluídas, o valor empresarial da transação chega a aproximadamente US$ 110 bilhões.
Essa diferença explica por que veículos e documentos oficiais usam cifras distintas para descrever o mesmo negócio.
A proposta prevê pagamento de US$ 31 por ação em dinheiro aos acionistas da Warner, além de uma taxa adicional caso o fechamento continue atrasado.
Como o negócio é avaliado
| Compare os principais valores | |
|---|---|
| Medida | Valor |
| Valor patrimonial | US$ 81 bilhões |
| Valor empresarial | US$ 110 bilhões |
| Preço por ação | US$ 31 |
| Sinergias estimadas | Mais de US$ 6 bilhões |
Fonte: Paramount.
Atraso aumenta custo da Paramount
O contrato prevê uma chamada ticking fee, cobrança adicional paga aos acionistas da Warner enquanto a transação não é concluída depois do prazo estabelecido.
O valor estimado é de cerca de US$ 650 milhões por trimestre, equivalente a aproximadamente US$ 7 milhões por dia.
Esse mecanismo aumenta a pressão financeira sobre a Paramount para encerrar a disputa regulatória rapidamente.
A empresa também pediu à Justiça que os estados e o Writers Guild of America depositem uma garantia próxima de US$ 1,9 bilhão caso a contestação seja considerada improcedente.
Fusão reúne marcas de peso
Se concluída, a aquisição colocará sob o mesmo controle ativos como Paramount+, HBO Max, CNN, Cartoon Network, Food Network, MTV, Comedy Central e CBS.
O portfólio também reuniria franquias como Harry Potter e os personagens da DC.
A Paramount afirma que o grupo combinado teria escala maior para investir em tecnologia, streaming e produção de conteúdo.
Os estados contestam que essa concentração seria benéfica ao mercado e argumentam que a redução de concorrentes pode afetar preços, oferta e condições de negociação.
Acordo ainda não está garantido
As negociações com a Califórnia avançaram, mas não há confirmação de que todas as partes chegarão a um entendimento.
Um acordo poderia ser anunciado rapidamente caso os termos finais sejam aceitos pelos envolvidos.
Sem um acerto, a disputa judicial continua e pode prolongar ainda mais o cronograma da aquisição.
O próximo passo depende da capacidade da Paramount de oferecer compromissos considerados suficientes pelos estados sem alterar de forma excessiva a lógica econômica da fusão.


