Aluguel consignado pode baratear garantias e mudar locação

Projeto aprovado na Câmara permite desconto direto em folha de até 30% da remuneração e segue agora para análise no Senado.

Da
Redação
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Projeto em tramitação no Congresso propõe permitir o desconto de até 30% do salário para o pagamento de aluguel residencial.
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Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional prevê que o aluguel residencial poderá ser descontado diretamente do salário do trabalhador, em um mecanismo semelhante ao crédito consignado. A proposta já passou pela Câmara dos Deputados em agosto e seguiu para avaliação no Senado Federal antes de uma eventual sanção presidencial.

O texto estabelece que até 30% da remuneração disponível do trabalhador seja comprometida com o pagamento da locação e dos encargos por meio de desconto em folha. A autorização deve vigorar durante toda a vigência do contrato, sendo interrompida apenas com a apresentação da rescisão assinada ou de um acordo formal entre as partes envolvidas.

A expectativa do setor imobiliário é de que o mecanismo reduza o risco de inadimplência e diminua os custos associados às garantias tradicionais. O modelo é voltado para trabalhadores regidos pela CLT e servidores públicos, excluindo temporariamente quem não possui vínculo formal de emprego.

Funcionamento do desconto em folha

O mecanismo funciona de maneira similar ao crédito consignado tradicional, retirando o valor do aluguel antes que a remuneração fique livre para o trabalhador. Essa previsibilidade no recebimento tende a dar mais segurança aos proprietários de imóveis residenciais.

Com essa garantia baseada na renda, a projeção de entidades do setor é que o acesso a contratos formais seja ampliado. O modelo mira principalmente trabalhadores formais que possuem baixa pontuação de crédito e encontram barreiras nas opções atuais.

A legislação proposta também retira a proibição histórica de acumular garantias, permitindo que o aluguel consignado seja combinado com caução ou seguro-fiança no mesmo contrato, criando camadas de proteção ajustadas ao risco.

Impacto nos custos e na oferta

Estudos preliminares apresentados por associações do mercado apontam que a nova modalidade pode alcançar milhões de pessoas e gerar economia relevante nas despesas com garantias imobiliárias. A concorrência entre produtos tende a baratear o custo operacional das locações.

O consignado acaba sendo uma garantia muito frágil para o locador. Ela não cobre danos na saída do imóvel que possam ter sido causados.”

Rodrigo Werneck, estrategista-chefe da Cupola

Especialistas avaliam que a segurança jurídica e financeira para o recebimento dos valores pode estimular proprietários a colocarem mais imóveis no mercado. Isso ampliaria a oferta e intensificaria a concorrência no setor residencial.

Apesar do otimismo com a redução de despesas para os inquilinos, o FGTS ficou de fora do texto final aprovado na Câmara, preservando a finalidade do fundo como reserva financeira do trabalhador após articulação do relator.

Riscos associados ao desemprego

A eficácia do modelo enfrenta questionamentos sobre situações de perda de emprego, cenário em que o trabalhador perde o vínculo formal e, consequentemente, a folha de pagamento que viabiliza o desconto automático.

Sem a margem consignável ativa, o locatário precisará negociar novas garantias ou alternativas com o locador. Analistas apontam que essa vulnerabilidade exige cautela na avaliação do risco por parte dos proprietários.

Apesar disso, defensores da proposta argumentam que o risco é administrável e semelhante ao já existente nas modalidades convencionais, contando com ajustes previstos na própria Lei do Inquilinato.

Perspectivas no Congresso Nacional

Discutido no parlamento há cerca de 15 anos, o projeto agora tramita no Senado Federal. Caso seja aprovado sem alterações substanciais, o texto seguirá para sanção presidencial para virar lei federal.

A proposta poderá beneficiar dezenas de milhões de brasileiros que vivem em imóveis alugados, transformando a dinâmica de garantias que prevalece no mercado imobiliário brasileiro há décadas.

Especialistas jurídicos e econômicos continuam divididos quanto à velocidade de adoção do modelo e à real capacidade de substituir integralmente os tradicionais fiadores e seguros no cotidiano das imobiliárias.

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