Banco Central reduz taxa Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime

Quinto corte consecutivo na taxa básica de juros acompanha desaceleração da atividade econômica e arrefecimento da inflação no país.

Da
Redação
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Sede do Banco Central do Brasil, onde o Copom deliberou pela redução da taxa Selic.18/12/24 - REUTERS/Adriano Machado
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, fixando a Selic no patamar de 13,75% ao ano. A medida foi adotada por unanimidade pelo colegiado de diretores da autarquia federal, marcando o quinto corte consecutivo promovido no atual ciclo de flexibilização monetária iniciado em março deste ano.

A decisão veio em linha exata com as projeções predominantes no mercado financeiro e com as diretrizes apontadas pelo Boletim Focus divulgado na mesma semana. Autoridades monetárias apontam que o ambiente econômico atual exige cautela redobrada devido à volatilidade interna e aos riscos considerados mais elevados que o usual para a convergência de preços.

Impacto na atividade econômica

Os dados do Produto Interno Bruto estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística começam a evidenciar a perda de fôlego da economia brasileira. No segundo trimestre, o país registrou um avanço de 0,5% em comparação com os três meses anteriores, representando uma desaceleração frente à alta de 1,1% apurada entre janeiro e março.

O principal destaque negativo do indicador foi o consumo das famílias, que apresentou retração de 0,4% no período analisado. Analistas econômicos apontam esse recuo como um reflexo direto do período prolongado de manutenção de taxas de juros em patamares elevados para conter pressões inflacionárias.

Outro sinal claro de desaquecimento da atividade vem do mercado de trabalho formal. Embora o desemprego permaneça próximo de mínimas históricas segundo estatísticas oficiais, o Ministério do Trabalho registrou perda de ritmo nas contratações, com o mês de julho apresentando o pior desempenho para o período desde a pandemia.

Crescimento da inadimplência

Os efeitos da restrição monetária também chegam diretamente ao orçamento das famílias e das empresas no país. Em julho, o índice de inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional avançou para 4,9%, atingindo um novo recorde na série histórica oficial divulgada pelo Banco Central.

O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.”

Banco Central

A elevação nos atrasos de pagamento reflete o encarecimento do crédito e o comprometimento da renda das famílias diante de custos financeiros mais altos. Especialistas monitoram de perto esse indicador para avaliar a sustentabilidade do endividamento privado nos próximos meses.

Em contrapartida, o objetivo central da política restritiva tem apresentado resultados na frente de preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou deflação de 0,32% em agosto, revertendo a alta de 0,07% apurada no mês imediatamente anterior.

Perspectivas para o mercado

O comunicado oficial divulgado pelo colegiado ressalta que o cenário doméstico e internacional exige serenidade na condução da política monetária. O texto enfatiza que a continuidade do ciclo de calibração dos juros dependerá estritamente da evolução das informações econômicas para assegurar a meta de inflação.

Analistas consultados para a formulação do Boletim Focus estimam que este movimento de corte marginal possa ser o último promovido pelo comitê ao longo deste ano. As projeções preliminares do mercado financeiro apontam para uma retomada do processo de flexibilização no próximo ano, com a taxa básica encerrando o período seguinte em 12% ao ano.

A atuação do Banco Central permanece guiada pelo monitoramento contínuo dos núcleos de inflação e das expectativas de longo prazo. A autoridade monetária reforça que manterá o grau adequado de restrição até que o processo de desinflação esteja consolidado de forma duradoura.

Diretrizes da política monetária

A condução dos juros básicos no Brasil segue atenta aos desdobramentos globais e à formação de preços no mercado interno. A desancoragem de expectativas e os riscos fiscais continuam no radar do Banco Central para as próximas reuniões agendadas no calendário oficial.

A atuação unânime dos diretores demonstra coesão na avaliação de que o ciclo de ajuste deve prosseguir com cautela. O acompanhamento rigoroso dos dados de atividade e emprego subsidiará os próximos passos da autoridade monetária até o final do ano.

As decisões futuras do comitê refletirão o balanço de riscos para a inflação, ponderando os efeitos defasados da política de juros sobre a economia real e o comportamento dos mercados financeiros globais.

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