Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um embate verbal durante uma sessão de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). A discussão ocorreu no plenário da Corte, depois que Gilmar questionou o tratamento dado a elementos relacionados a ministros em um processo.
Durante a manifestação, Gilmar Mendes afirmou haver uma diferença de rigor na análise de informações reunidas no caso. Mendonça interrompeu o colega e reagiu às declarações, enquanto o presidente da sessão pediu que Gilmar concluísse a fala.
Ministros trocam acusações no plenário
Gilmar Mendes questionou o que classificou como uma assimetria no tratamento de investigados. Segundo ele, centenas de páginas teriam sido produzidas de ofício, à margem da competência do plenário e sem a oitiva do titular da ação penal, para fazer referência a um ministro.
O decano do STF comparou esse procedimento com a forma como foram tratados elementos relativos a outro ministro. Ele citou dados oficiais do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e informações encontradas no aparelho do principal investigado de uma operação.
Na avaliação apresentada por Gilmar, esses elementos não teriam recebido o mesmo rigor ou qualquer tipo de impulso de ofício. A crítica abriu espaço para a reação de André Mendonça durante a sessão.
Mendonça reage durante a manifestação
André Mendonça interrompeu a fala de Gilmar Mendes e classificou as declarações do colega como indevidas. O ministro também foi advertido de que não tinha a palavra naquele momento.
Em seguida, Mendonça respondeu depois de ser apontado por Gilmar durante o discurso. A reação elevou a tensão no plenário e incluiu uma cobrança de respeito ao tribunal.
A discussão ocorreu durante uma sessão pública de julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal.
Gilmar critica condução do processo
Além da diferença de tratamento entre os elementos citados no processo, Gilmar Mendes afirmou haver um viés político-eleitoral na forma como o tema teria sido conduzido nos autos.
O ministro mencionou a escolha da data de 7 de setembro ao criticar o que chamou de envolvimento da Corte em campanha eleitoral. Ele também afirmou que pessoas decentes não fariam isso.
As declarações foram feitas durante a análise do processo no STF. O conteúdo do debate concentrou-se na forma de produção e impulso de elementos considerados relevantes para o caso.
Presidente conduz retomada do julgamento
Apesar do confronto, o presidente da sessão pediu que Gilmar Mendes concluísse sua manifestação. Com isso, o ministro anunciou que avançaria em sua fala.
A intervenção permitiu a continuidade da sessão após a troca de acusações entre os dois ministros. O episódio, no entanto, marcou o julgamento por causa do tom adotado pelos integrantes da Corte.
O embate ficou restrito às manifestações dos ministros durante o plenário. A sessão prosseguiu sob a condução da presidência do STF.


