Um foguete que transportava a Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R) foi lançado nesta terça-feira (15) na Barreira do Inferno, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. A operação foi realizada pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Batizada de Operação Potiguar 2, a missão colocou em teste o sistema de recuperação da plataforma em condições reais de voo. O equipamento é descrito como um laboratório espacial de curto alcance voltado ao transporte de cargas úteis.
A plataforma usa um conjunto de paraquedas para retornar após a trajetória e possibilitar o resgate da carga útil no mar. Segundo a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (ALADA), a carga foi recuperada por um helicóptero da FAB.
Missão testa retorno por paraquedas
O teste do sistema de recuperação foi o principal objetivo desta etapa da Operação Potiguar 2. O mecanismo busca garantir o retorno da PSM-R após o voo e permitir que os materiais transportados sejam resgatados.
A recuperação é relevante para pesquisas que dependem do retorno de amostras aos laboratórios. Com a carga de volta ao solo, pesquisadores podem examinar materiais que passaram pelo período de microgravidade.
O recurso também permite o reaproveitamento de equipamentos em novas missões. De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, essa possibilidade pode contribuir para reduzir o intervalo entre lançamentos.
Plataforma leva cargas acima de 100 quilômetros
A PSM-R é destinada ao transporte de cargas úteis para altitudes superiores a 100 quilômetros. Durante parte do voo, os experimentos embarcados são submetidos a condições de microgravidade.
Nós pudemos não apenas utilizar uma sequência de microgravidade para vários experimentos que estavam a bordo, mas principalmente validar em voo uma plataforma nacional que agora pode ser reutilizada em outros voos no futuro para novos experimentos científicos”
Marco Antônio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira
Esse ambiente permite realizar testes fora das condições terrestres sem que os equipamentos precisem permanecer em órbita. A missão combina o envio da carga a grande altitude com a recuperação posterior da plataforma.
Marco Antônio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), classificou o lançamento como bem-sucedido. Segundo ele, a operação reuniu experimentos em microgravidade e a validação em voo de uma plataforma nacional reutilizável.
Helicóptero resgata carga no mar
A recuperação da carga por um helicóptero da FAB foi informada por Sérgio Roberto de Almeida, presidente da ALADA. O resgate ocorreu depois do retorno da plataforma ao mar com o sistema de paraquedas.
Para Almeida, a operação evidencia o potencial de exploração econômica da tecnologia. Ele citou a importância de lançamentos desse tipo para indústrias farmacêutica e química, que utilizam experimentos em microgravidade.
O retorno da carga amplia as possibilidades de missões que exigem análises posteriores em laboratório. A reutilização dos equipamentos também é um dos elementos associados à continuidade de novos voos da plataforma.
Operação mobiliza centro no Rio Grande do Norte
A Operação Potiguar 2 foi realizada na Barreira do Inferno, em Parnamirim. O lançamento da FAB já estava planejado e integrou a atividade de teste da PSM-R em voo.
Almeida afirmou que a demonstração operacional dos centros brasileiros de lançamento pode favorecer o atendimento a empresas privadas, brasileiras ou estrangeiras, além de companhias públicas de outros países interessadas em lançar no Brasil.
Com a recuperação da plataforma e da carga útil, a missão apresentou uma capacidade ligada a voos suborbitais com experimentos em microgravidade. A PSM-R poderá ser reutilizada em outros voos destinados a novos experimentos científicos.


