El Niño forte aumenta risco de temporais e calor extremo no Brasil

São Paulo registrou o setembro mais chuvoso em mais de 80 anos, enquanto meteorologistas projetam instabilidade no Sul e no Centro-Oeste até o fim de 2026

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Redação
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Temporais associados ao El Niño provocaram alagamentos e deixaram vítimas no estado de São Paulo.Reprodução: Agência Brasil
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El Niño forte já influencia as chuvas no estado de São Paulo e pode ampliar a ocorrência de temporais, vendavais, alagamentos e deslizamentos em diferentes regiões do Brasil até o fim de 2026. O fenômeno deve atingir o ápice nos próximos meses, segundo a avaliação do meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus.

A capital paulista registrou, em 14 de setembro, o setembro mais chuvoso em mais de 80 anos, com 253,8 milímetros de chuva. Os temporais também provocaram estragos em várias áreas do estado, com duas mortes e uma pessoa desaparecida desde o fim de semana. Em Eldorado, no Vale do Ribeira, a cidade ficou completamente alagada.

Chuvas batem recorde em São Paulo

O volume acumulado na capital paulista marcou um recorde histórico para setembro. A marca de 253,8 milímetros representa o maior volume registrado para o mês em mais de oito décadas, conforme o material meteorológico apresentado.

Além disso, a sequência de temporais atingiu outras regiões do estado. Eldorado, no Vale do Ribeira, ficou debaixo d’água, enquanto ocorrências associadas às chuvas deixaram duas pessoas mortas e outra desaparecida.

São Paulo registrou o setembro mais chuvoso em mais de 80 anos, com 253,8 milímetros de chuva.

El Niño amplia a instabilidade

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a formação de chuvas, com efeitos diferentes conforme a região do planeta.

No Brasil, o fenômeno pode favorecer excesso de chuva e alagamentos em algumas áreas, enquanto outras enfrentam períodos de seca intensa e pressão sobre os reservatórios. A distribuição dos impactos varia entre as regiões.

O fenômeno de agora em diante já é considerado muito forte e vai continuar esquentando, podendo atingir níveis históricos e recordes nos próximos meses.”

Alexandre Nascimento, meteorologista da Nottus

Segundo Alexandre Nascimento, a instabilidade deve continuar nos próximos meses no Sul e no Centro-Oeste. O meteorologista também prevê a continuidade de vendavais associados à chegada de frentes frias no Sul e no Sudeste.

Risco de deslizamentos cresce

A repetição de episódios de chuva pode aumentar a instabilidade do solo e elevar a vulnerabilidade de áreas sujeitas a alagamentos e deslizamentos. O risco se torna maior em regiões que já apresentam histórico ou condições de exposição a esses eventos.

Os temporais também podem vir acompanhados de ventos fortes durante a passagem de frentes frias. Esse padrão deve persistir principalmente no Sul e no Sudeste, conforme a avaliação atribuída ao meteorologista.

Nas áreas próximas ao mar, o aquecimento do oceano pode contribuir para ressacas e vendavais. O cenário amplia a preocupação com comunidades costeiras e regiões sujeitas a impactos associados ao avanço das águas.

Calor extremo alcança outras regiões

Enquanto o Sul e o Sudeste podem registrar mais chuva e vendavais, o calor extremo deve atingir principalmente áreas ao norte do Sudeste e do Centro-Oeste, além das regiões Norte e Nordeste.

Essa diferença regional ocorre porque o El Niño altera o equilíbrio entre ventos, pressão atmosférica e umidade. Por isso, o mesmo fenômeno pode provocar excesso de precipitação em uma parte do país e temperaturas muito elevadas em outra.

A previsão apresentada indica que a instabilidade não ficará restrita a São Paulo. O Sul e o Centro-Oeste também devem permanecer sob influência do fenômeno nos próximos meses.

Outro ponto que vem ocorrendo com bastante frequência é vendaval na chegada de frentes frias.”

Alexandre Nascimento, meteorologista da Nottus

Temperatura do mar bate recorde

Em agosto, a temperatura média diária global da superfície do mar chegou a 21,1°C. O valor superou o recorde anterior, de 21,09°C, registrado em março de 2024.

O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo e o Copernicus relacionaram o aumento das temperaturas ao aquecimento associado ao El Niño. O Copernicus integra o programa espacial da União Europeia e atua na observação da Terra.

O aquecimento persistente dos oceanos afeta ecossistemas e eleva os riscos para comunidades costeiras e países insulares de baixa altitude. No Brasil, o efeito aparece também em ressacas e vendavais nas áreas próximas ao litoral.

Fenômeno pode atingir níveis históricos

O El Niño atual já é considerado muito forte e pode continuar se intensificando nos próximos meses. A avaliação leva em conta as temperaturas registradas na região central do Pacífico Equatorial.

De acordo com Alexandre Nascimento, o fenômeno pode alcançar níveis históricos e recordes. A influência climática também pode se estender até 2027, conforme a projeção apresentada no material.

O comportamento do fenômeno depende do aquecimento das águas do Pacífico e das mudanças na circulação atmosférica. Dessa forma, os efeitos esperados incluem a combinação de chuvas intensas, vendavais, calor extremo e maior vulnerabilidade a desastres.

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