Nordeste concentra produção nacional de seis culturas agrícolas, aponta Sudene

Levantamento com dados do IBGE mostra liderança regional em sisal, castanha de caju, manga, melão, fava e mamona; cacau, uva e manga somam R$ 14,6 bilhões

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As folhas da Agave sisalana, são utilizadas para a fabricação da fibra de sisal • Nicholas Vinícius Silva
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A produção agrícola do Nordeste representa praticamente toda a oferta brasileira de algumas culturas e ampliou sua presença em cadeias de maior valor econômico, segundo levantamento da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) com base em dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo Perfil Produtivo Agrícola reúne informações sobre 20 culturas, incluindo produção, área colhida, rendimento, valor da produção e distribuição dos cultivos entre municípios da região. Os dados também permitem comparar a evolução das lavouras entre 2014 e 2024.

Nordeste lidera seis culturas

O agave, conhecido como sisal, é o caso de maior concentração regional. O Nordeste respondeu por 100% da produção brasileira em 2024, com 93,3 mil toneladas.

A região também produziu 158,5 mil toneladas de castanha de caju, o equivalente a 99,56% da produção nacional. Na produção de fava, a participação chegou a 99,42%; na mamona, a 95,56%.

O melão completou o grupo de culturas com forte domínio regional. Foram cerca de 803 mil toneladas, correspondentes a 98,35% da produção brasileira.

Os percentuais mostram como determinadas cadeias agrícolas se concentram no Nordeste, embora a participação regional varie conforme a cultura.

Confira os principais dados de participação e volume informados pelo levantamento:

Culturas com liderança nordestina
Cultura Participação nacional Produção no Nordeste em 2024
Agave (sisal) 100% 93,3 mil toneladas
Castanha de caju 99,56% 158,5 mil toneladas
Melão 98,35% Cerca de 803 mil toneladas

Fonte: Sudene, com base na PAM 2024 do IBGE.

Fruticultura amplia valor

A manga representa 82,11% da produção brasileira e alcançou aproximadamente 1,51 milhão de toneladas no Nordeste em 2024. O cultivo tem destaque no polo de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco.

O cacau, a uva e a manga aparecem entre as culturas permanentes de maior valor de produção na região. Juntas, elas movimentaram cerca de R$ 14,6 bilhões em 2024.

O cacau liderou esse grupo, com valor aproximado de R$ 6,5 bilhões. A uva registrou R$ 5,2 bilhões, enquanto a manga alcançou R$ 2,9 bilhões.

A produção de uva e manga se consolidou em polos especializados de fruticultura irrigada, com atendimento ao mercado doméstico e às exportações, segundo o levantamento.

Cacau se concentra na Bahia

Além do valor econômico, o cacau também se destaca pelo volume produzido. O Nordeste registrou aproximadamente 137,2 mil toneladas em 2024.

A produção está fortemente concentrada no sul da Bahia, área apontada pelo estudo como principal polo regional da cultura.

O resultado coloca o cacau ao lado da uva e da manga entre as atividades agrícolas permanentes de maior peso econômico no Nordeste.

Essa concentração territorial facilita a identificação de cadeias produtivas especializadas e de municípios com maior participação em determinados cultivos.

Estudo analisa vinte culturas

O Perfil Produtivo Agrícola analisou 20 culturas, entre lavouras permanentes e temporárias. O levantamento considera não apenas o volume produzido, mas também área colhida, rendimento e valor da produção.

O recorte municipal permite observar como os cultivos se distribuem dentro da região. Dessa forma, o estudo identifica áreas com maior especialização e polos associados a determinadas cadeias agrícolas.

Entre outras culturas de destaque nacional citadas no levantamento estão guaraná, coco-da-baía, maracujá, uva, goiaba e cacau.

O painel também apresenta uma comparação de dez anos, entre 2014 e 2024, para acompanhar mudanças na distribuição e no peso econômico das lavouras.

Tecnologia transforma os polos

Segundo a Sudene, os dados revelam uma agricultura nordestina mais diversificada e especializada do que a imagem tradicional ligada apenas à produção de subsistência.

A disponibilidade de áreas irrigadas e a adoção de tecnologia contribuíram para o desenvolvimento de polos competitivos, especialmente na fruticultura.

A concentração de cadeias produtivas em determinados municípios também aparece como um dos fatores associados ao desempenho regional.

Por isso, o levantamento permite relacionar a produção agrícola a diferentes perfis territoriais dentro do Nordeste, incluindo áreas de fruticultura irrigada e regiões especializadas em culturas permanentes.

Produção regional ganha peso

O conjunto dos dados indica que o Nordeste combina liderança nacional em culturas específicas com participação relevante em atividades agrícolas de maior valor agregado.

O sisal, a castanha de caju, o melão, a fava e a mamona apresentam percentuais próximos da totalidade da produção brasileira. A manga, embora tenha participação menor, alcança volume expressivo e forte presença no mercado.

Ao mesmo tempo, cacau, uva e manga concentram parcela importante do valor gerado pelas culturas permanentes analisadas.

A série entre 2014 e 2024 oferece uma base para acompanhar como esses polos evoluíram e como o peso econômico dos cultivos se distribuiu ao longo da década.

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