BIS vê vulnerabilidade na alta global ligada à IA

Banco de Compensações Internacionais alerta para avanço da dívida e da alavancagem de empresas de tecnologia, embora não identifique tensão generalizada nos mercados.

Da
Redação
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Torre da sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) na Basileia, SuíçaREUTERS/Arnd Wiegmann
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A vulnerabilidade na alta da IA passou a preocupar o Banco de Compensações Internacionais (BIS), instituição que reúne bancos centrais. Em relatório divulgado em 14 de setembro de 2026, o órgão afirmou que o movimento que elevou bolsas globais nos últimos dois anos começou a apresentar sinais de fragilidade.

A avaliação ocorre enquanto investidores se mostram mais cautelosos sobre a rentabilidade futura dos investimentos em inteligência artificial. Além disso, o BIS associou o cenário ao aumento da alavancagem das principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos e às pressões sobre os mercados de títulos públicos.

BIS identifica vulnerabilidade na alta da IA

Segundo o BIS, o impulso da IA ajudou a sustentar os mercados acionários e contribuiu para a resiliência da economia global no último ano. No entanto, o órgão considera incerto se essa resistência poderá continuar.

Frank Smets, chefe de análise econômica do BIS, afirmou que a preocupação aumentou à medida que os investidores passaram a examinar com mais cautela o retorno esperado dos investimentos futuros em IA.

O relatório foi publicado depois de uma queda acentuada nas ações de empresas ligadas à tecnologia. A movimentação ocorreu após dirigentes de grandes empresas de IA alertarem, no fim de semana anterior, para a necessidade de desacelerar o desenvolvimento da tecnologia diante de ameaças à humanidade.

Dívida das empresas cresce

O BIS destacou a expansão do endividamento no setor de tecnologia como um dos principais riscos associados ao ciclo de investimentos em inteligência artificial. Para Smets, o rápido crescimento da dívida e da alavancagem é a maior preocupação do órgão nessa área.

De acordo com o relatório, a dívida agregada de empresas de tecnologia passou de cerca de US$ 22 bilhões em 2010 para mais de US$ 1 trilhão em 2025. A participação do setor no crédito privado total avançou de 22% para 44% no período.

Já os empréstimos pendentes de todos os tipos somam quase US$ 2,5 trilhões, segundo o BIS. O órgão alertou que o financiamento crescente de empresas de IA pode elevar os custos de empréstimo no mercado de títulos do governo.

Financiamentos opacos elevam riscos

O relatório também examinou o financiamento privado que foi direcionado à IA nos últimos anos. Smets chamou atenção para a estrutura de parte desses acordos de financiamento.

Segundo ele, muitos desses arranjos são opacos e, com frequência, não aparecem nos balanços patrimoniais. O economista também mencionou uma espécie de circularidade nesses mecanismos.

Na avaliação do BIS, esse quadro se relaciona à fragilidade fiscal em meio à maior incerteza da economia mundial. Tensões geopolíticas e a volatilidade dos preços de energia também pressionam as finanças públicas, de acordo com o documento.

Mercados ainda evitam tensão generalizada

Apesar dos alertas, Smets disse que não havia sinais de tensão generalizada. O apetite dos investidores por risco permaneceu notavelmente resiliente nos últimos meses, segundo sua avaliação.

A ressalva do BIS está nos rendimentos dos títulos públicos. O órgão afirmou que permanece incerto se a resiliência dos mercados poderá ser mantida caso persistam as pressões de alta sobre esses rendimentos.

O BIS vem alertando regularmente, nos últimos anos, para os níveis de endividamento global e para possíveis bolhas no mercado de ações. Dessa forma, o novo relatório vincula o ciclo da inteligência artificial a preocupações mais amplas sobre estabilidade financeira e finanças públicas.

Em outro estudo, a instituição usou IA para analisar milhares de discursos e relatórios de bancos centrais. O levantamento identificou maior frequência e variedade de referências à inflação subjacente, indicador que exclui oscilações dos preços de energia.

O BIS afirmou que a mudança acompanha as condições econômicas, mas advertiu que mensagens cada vez mais complexas dos bancos centrais podem dificultar a comunicação eficaz com o público.

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