Deflação de agosto reforça expectativa de corte da Selic

IPCA caiu 0,32% no mês e analistas projetam redução dos juros para 13,75% na reunião de setembro

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Redação
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Copom do Banco Central se reúne em setembro para definir o novo patamar da Selic
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A deflação de 0,32% registrada pelo IPCA em agosto reforçou as expectativas de que o Comitê de Política Monetária reduza novamente a taxa Selic na reunião de 15 e 16 de setembro. A taxa básica está em 14% ao ano, após quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual desde março.

O resultado divulgado pelo IBGE foi mais baixo que a mediana de queda de 0,29% esperada pelo mercado. Em 12 meses, a inflação desacelerou para 4,22%, abaixo dos 4,27% projetados por analistas, embora ainda permaneça acima do centro da meta contínua de 3%.

IPCA explica melhora do cenário

A queda de agosto foi a mais intensa desde setembro de 2022. No acumulado de 2026, o IPCA avançou 3,11%. O índice em 12 meses, por sua vez, ficou abaixo do teto de 4,5% do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.

Quatro dos nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram redução de preços. Habitação apresentou a maior queda, de 1,87%, seguida por Transportes, com recuo de 0,86%. Alimentação e bebidas caiu 0,34%, enquanto Comunicação teve baixa de 0,09%.

O quadro organiza os principais movimentos que influenciaram o índice de agosto.

GrupoVariação em agostoDireção
Habitação-1,87%Queda
Transportes-0,86%Queda
Alimentação e bebidas-0,34%Queda
Comunicação-0,09%Queda
Despesas pessoais1,30%Alta

Fonte: IBGE

Despesas pessoais foi o grupo com maior alta, de 1,30%, impulsionado principalmente pelo reajuste do cigarro. Portanto, a deflação não significa que todos os preços caíram. O índice representa a média de uma cesta ampla consumida pelas famílias.

Mercado explica aposta em novo corte

A combinação entre inflação mensal negativa, câmbio mais favorável e sinais de moderação da atividade aumentou as apostas em uma redução de 0,25 ponto percentual. Se essa projeção se confirmar, a Selic passará de 14% para 13,75% ao ano.

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, está entre os analistas que projetam a redução na reunião de setembro. Ela também estima que a taxa permaneça em 13,75% até o fim de 2026, cenário mais cauteloso que o de instituições que enxergam espaço para cortes adicionais.

Esperamos que o Banco Central decida por um corte de 0,25 ponto percentual na Selic.”

Claudia Moreno, economista do C6 Bank

Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, também mantém a expectativa de queda para 13,75%. Já projeções mais otimistas consideram que o ciclo pode continuar nas reuniões de novembro e dezembro, desde que a inflação e as expectativas sigam melhorando.

Copom explica cautela nas decisões

O Banco Central cortou a Selic para 14% em agosto, mas evitou antecipar os passos seguintes. No comunicado, o Copom afirmou que definiria a extensão do ciclo à luz de novas informações, com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta.

A autoridade monetária acompanha não apenas o resultado mensal do IPCA. A composição do índice, a inflação de serviços, a atividade econômica, o mercado de trabalho, o câmbio, as contas públicas e as expectativas para os próximos anos também entram na avaliação.

Por isso, uma deflação concentrada em energia elétrica ou passagens aéreas pode ter efeito menor sobre a decisão do que uma desaceleração disseminada. O comitê costuma observar medidas de núcleo, que retiram itens mais voláteis e ajudam a identificar a tendência persistente dos preços.

Selic explica efeitos sobre o crédito

A Selic serve de referência para os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Um corte tende a reduzir gradualmente o custo do crédito, embora a transmissão para consumidores e empresas dependa do risco, da inadimplência, dos prazos e da concorrência entre instituições.

Juros menores também podem estimular consumo e investimento. No entanto, o Banco Central tenta calibrar esse efeito para evitar que a demanda volte a pressionar preços antes que a inflação esteja estabilizada ao redor da meta.

A decisão será anunciada na noite de 16 de setembro. A ata, com os argumentos detalhados do colegiado, está prevista para 22 de setembro. Até lá, novos indicadores e as expectativas do mercado podem alterar a distribuição das apostas, mas o IPCA de agosto tornou o corte de 0,25 ponto o cenário central.

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