A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra da operadora Desktop pela Claro. A análise envolve uma transação de R$ 4 bilhões, celebrada oficialmente em março deste ano.
A operação reforça a presença da Claro no mercado de banda larga fixa de São Paulo, onde a empresa disputa a liderança com a Vivo. Antes da avaliação do Cade, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já havia dado anuência prévia ao negócio, em maio.
Cade aprova aquisição sem restrições
A decisão da Superintendência-Geral afastou as preocupações iniciais em torno da combinação entre as duas companhias. O órgão antitruste analisou os efeitos da operação principalmente no serviço de banda larga fixa.
A análise considerou baixa a probabilidade de a operação permitir exercício unilateral de poder de mercado, inclusive nos municípios com maior participação conjunta.
O parecer apontou que as condições de entrada, a rivalidade entre empresas e a possibilidade de contestação do mercado mitigam os riscos concorrenciais. A avaliação também levou em conta a existência de redes e de concorrentes locais e nacionais.
Sobreposição alcança 198 municípios paulistas
A maior sobreposição entre Claro e Desktop ocorre em 198 municípios. Nesses locais, as duas empresas atuam no mercado de banda larga fixa.
O parecer reconheceu que as participações conjuntas poderão ser relevantes em parte dessas cidades. Ainda assim, a Superintendência-Geral concluiu que a estrutura concorrencial existente limita a capacidade de uma atuação isolada com poder de mercado.
Além disso, a análise identificou que a Claro terá incentivos econômicos para desocupar gradualmente infraestruturas consideradas redundantes após a aquisição. Esse ponto integrou a avaliação sobre os efeitos da integração das redes.
Números mostram presença no estado
A Desktop reúne 1,2 milhão de clientes nos 198 municípios paulistas em que está presente. Isso corresponde a 7,6% de participação no mercado estadual informado para a operação.
O quadro abaixo organiza os números de clientes e as participações de mercado das três operadoras citadas na análise.
| Clientes e participação em São Paulo | ||
|---|---|---|
| Operadora | Clientes | Participação de mercado |
| Desktop | 1,2 milhão | 7,6% |
| Claro | 4,5 milhões | 28,3% |
| Vivo | 4,9 milhões | 31% |
Com a compra, a Claro avança em um estado estratégico para sua atuação no segmento. A Vivo aparece à frente nos dados de clientes e participação de mercado apresentados para São Paulo.
Negócio soma R$ 4 bilhões
A transação entre Claro e Desktop foi definida por R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 2,4 bilhões correspondem aos ativos da empresa adquirida.
Os outros R$ 1,6 bilhão representam a dívida líquida que a Claro assumirá. Os valores compõem a estrutura financeira anunciada para a aquisição.
A compra dará à Claro 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, equivalentes a 73% da operadora. A parcela adquirida assegura o controle da companhia de banda larga.
Anatel já havia dado anuência
A Anatel concedeu anuência prévia à operação em maio. A autorização da agência reguladora antecedeu o parecer favorável da Superintendência-Geral do Cade.
Antes disso, a análise preliminar da Anatel havia indicado possíveis efeitos negativos para o mercado e para a entrada de competidores caso a aquisição se confirmasse. Essa avaliação ocorreu em outubro de 2025, quando surgiram informações sobre as negociações.
O parecer posterior do Cade adotou uma conclusão diferente sobre os riscos concorrenciais. A Superintendência-Geral destacou as condições de rivalidade e a presença de outros participantes no mercado de banda larga fixa.
Claro deverá comprar ações restantes
Os vendedores da participação de controle são o fundo Makalu Brasil Partners, controlado pela gestora norte-americana HIG Capital, e um grupo de pessoas físicas. Entre elas está Denio Alves Lindo, fundador da Desktop.
Em uma segunda etapa, a Claro deverá realizar uma oferta para comprar os 27% das ações que continuarão em circulação no mercado. A aquisição inicial, porém, já abrange 73% da empresa.
A Desktop foi fundada em 1997, em Sumaré, no interior paulista. A empresa recebeu investimento da HIG Capital em 2020 para acelerar o crescimento e passou a ter ações negociadas em Bolsa em 2021.


