A Argentina bateu recorde histórico nas exportações de produtos lácteos entre janeiro e julho de 2026, com embarques equivalentes a 1,84 bilhão de litros de leite. O volume representou crescimento de cerca de 20% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
O Brasil esteve entre os principais destinos dos produtos argentinos. O avanço das vendas ocorre enquanto produtores brasileiros discutem os efeitos das importações sobre a concorrência no mercado doméstico e aguardam uma definição sobre tarifas antidumping.
Exportações atingem recorde histórico
Nos primeiros sete meses de 2026, a Argentina enviou ao exterior o equivalente a 1,84 bilhão de litros de leite. Segundo os dados informados, trata-se do maior resultado histórico para o período nas exportações de lácteos do país.
Na comparação com janeiro a julho do ano anterior, o crescimento foi de aproximadamente 20%. O resultado inclui produtos lácteos comercializados pela Argentina em mercados externos.
O desempenho amplia o peso das vendas internacionais para a cadeia leiteira argentina. De cada dez litros produzidos no país, três são destinados ao mercado externo.
Brasil concentra parte das compras
O Brasil figura entre os principais destinos das exportações argentinas de lácteos. A presença brasileira ganha relevância pelo volume de compras de leite em pó registrado nos últimos anos.
As importações brasileiras de leite em pó cresceram 66% entre 2023 e 2025. Somente em 2025, o país importou mais de 2 bilhões de litros, conforme os dados apresentados.
Assim, o mercado brasileiro se tornou um componente importante da expansão das vendas argentinas. Ao mesmo tempo, esse fluxo comercial é alvo de questionamentos de representantes do setor lácteo nacional.
Camex reconhece prática de dumping
Em maio, a Câmara de Comércio Exterior do Brasil reconheceu a prática de dumping na aquisição de leite proveniente da Argentina e do Uruguai. O reconhecimento ocorre em meio a uma discussão antiga no setor produtivo brasileiro.
Segundo a informação divulgada, isenções e benefícios tributários permitem que o produto chegue ao mercado brasileiro com preços até 60% abaixo do valor de mercado. Os produtores nacionais apontam impacto dessa diferença sobre a competição interna.
O governo federal ainda não aplicou tarifas antidumping, apesar do reconhecimento da prática pela Camex. A decisão mantém em aberto a discussão sobre a resposta comercial brasileira às importações.
Tarifas ainda não entram em vigor
Apesar do reconhecimento formal do dumping, o governo federal decidiu não aplicar, até o momento, tarifas antidumping sobre o leite importado. Não houve indicação, no material analisado, de mudança nessa decisão.
Para os importadores, os preços menores dos produtos adquiridos no exterior representam uma vantagem comercial. Por outro lado, produtores brasileiros afirmam enfrentar dificuldade para competir com os valores praticados por fornecedores dos países vizinhos.
O aumento das exportações argentinas e a relevância do Brasil como destino mantêm o tema no centro do debate sobre o setor lácteo. A discussão envolve, de um lado, o abastecimento por importações e, de outro, as condições de concorrência para a produção nacional.


